Questão 1 (inglês)

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- A)egoísmo.
- B)autoestima.
- C)autoridade.
- D)narcisismo.
- E)autopreservação.

Consulte o caderno de questões do ENEM 2025, 1º dia, aplicação belém, ananindeua e marituba. O PDF foi obtido na página oficial de provas e gabaritos do Inep. O gabarito oficial está disponível para download.
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My Name
In English my name means hope. In Spanish it means too many letters. It means sadness, it means
waiting. It is like the number nine. A muddy color. It is the Mexican records my father plays on Sunday
mornings when he is shaving, songs like sobbing. It was my great-grandmother’s name and now it is
mine. She was a horse woman too, born like me in the Chinese year of the horse, which is supposed
to be bad luck if you’re born female. My great-grandmother. I would’ve liked to have known her,
a wild, horse of a woman, so wild she wouldn’t marry.

Still I Rise
Out of the huts of history’s shame
I rise
Up from a past that’s rooted in pain
I rise
I’m a black ocean, leaping and wide,
Welling and swelling I bear in the tide.
Leaving behind nights of terror and fear
I rise
Into a daybreak that’s wondrously clear
I rise
Bringing the gifts that my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise
I rise.

Four years ago, when my daughter was born, my partner, a Mexican, and me, a Slovenian, decided
we would teach her to embrace both cultures with the same respect and enthusiasm. We decided
that she would speak both languages equally fluently and that she would consider herself Mexican
as much as Slovenian. Considering that we’re living in Mexico, I’m the one who has to assume more
efforts to achieve that. This is how I motivate my daughter to embrace Slovenian culture. When my
daughter was born, I promised myself that I would teach her Slovene, so I decided to talk with her
only in that language. I never use Spanish with her, not even when my partner or other people are
around. I regularly switch from Spanish to Slovene, depending on the person I talk to, and it has been
working (almost) perfectly. I admit her bilingualism isn’t as good as I would like it to, as she regularly
responds to me in Spanish; however, she does understand every single word I say, and as the years
go by she’s showing more and more interest in the language.
ŽOLDOŠ, M. Disponível em: https://matadornetwork.com.
Acesso em: 8 dez. 2017.
Ao abordar a vivência multicultural de um casal com relação à formação da filha, esse texto destaca a
Esse cartum, que ilustra uma situação escolar, busca

Días atrás, conversar con un especialista sobre el acoso escolar, me dio luces sobre qué hacer si
en la familia hallamos alguien que ejerce esa agresión sobre un compañero. El experto, sin temor
a dudas, afirma que detrás de las conductas del niño hostigador se hallan hogares expuestos a
un contexto de violencia, problemas sobre permisividad, donde los padres no norman límites en
el actuar y la conducta de sus hijos.
El acoso escolar, en muchos de los casos, conduce — a quienes lo sufren — a la depresión e incluso
algo peor. Entonces, como padres, hermanos, amigos y personas que repudiamos este accionar,
debemos trabajar para disminuir el mal, demostrar con ejemplo cómo es una convivencia sana con
el entorno; dejar de normalizar la violencia; enseñar a que antes de grabar un hecho de este tipo —
sólo para tener “likes”— debemos intervenir y hacer entender que la violencia es reflejo de debilidad
de quien la ejerce.


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Las tinieblas de tu memoria negra
— Puedes elegir — seguía diciéndome el viejo rector —. O bien serás lo bastante animoso como
para emprender solo esta dura etapa, o bien la llevarás a cabo con los demás, uniéndote a tu paso y
adoptando su marcha. En el primer caso serás un explorador de calidad excepcional. En el segundo,
no harás más que un trabajo de serie, mediocre, y en todo caso indigno de ti. Me contempló con
simpatía, y adivinando mi turbación y compadeciéndose seguramente de la tristeza que sentía, añadió:
— ¿Pero qué hablamos de soledad, hijo mío? Un cristiano nunca está solo. [...]
— Y esto, reverencia, todo esto, — suplicaba yo —, ¿no es...?
— ¿Qué — ansioso —, qué, amigo mío?
— Pues... orgullo. Una especie de presunción. [...]
— ¿Orgullo? — me objetó susurrante.
— ¿Orgullo?... Amigo mío, es orgulloso el que contempla tanto su propia excelencia que olvida
la de Dios.
Y luego, sabiendo sin duda qué iba a responder:
— ¿Es éste tu caso?
— No, reverencia — contesté con excesiva rapidez, como queriendo con ello encubrir la duda —.
No creo en absoluto que ése sea mi caso.
— Hijo mío — replicó —, alma débil que no ve sino su propia debilidad, ¿por qué dudas de esa
ascención a que Dios te llama? Hijo mío, a Dios no le encontrarás únicamente al final del duro camino
que estás escalando, sino a cada paso, en todos los momentos de la subida. Y la humildad consiste
precisamente en reconocer que no podemos nada sin esta presencia permanente. [...] Hijo mío,
no trato de convencerte de nada — decía ahora el padre rector.
Me dio la impresión de que en ese preciso instante acababa de darse cuenta de que la situación
era irremediable, que me estaba escapando para siempre.


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América morena




Dentre os vários aspectos que podem ser elencados como caracterizadores do gênero crônica, nesse
texto fica evidente o(a)

Nessa crônica, os impactos do desenvolvimento tecnológico na vida das pessoas estão demonstrados
pelo(a)

Esse texto organiza-se pelo encadeamento de sequências textuais diversas. Entre elas, a sequência
argumentativa, que está apresentada em:

Nesse texto, a estratégia argumentativa utilizada pelo autor para demonstrar que vivemos
um “furdunço global” (l. 19) é o(a)

O trecho dessa crônica que reproduz uma marca linguística recorrente na oralidade de muitos
brasileiros é:

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TEXTO II
Índio eu não sou

KAMBEBA, M. Ay Kakyri Tama: eu moro na cidade. São Paulo: Pólen, 2018 (fragmento).
Em relação aos povos originários, os textos I e II aproximam-se ao
O caso Vinícius Júnior acendeu um alerta em praticamente todo o mundo contra manifestações
de preconceito nos campos de futebol. No entanto, as ofensas não ocorrem apenas na Europa,
mas também no Brasil — e têm aumentado nos últimos anos. Segundo um levantamento do
Observatório da Discriminação Racial do Futebol, o Brasil viveu um aumento no número de ocorrências
de racismo nos últimos anos. Em 2021, o Observatório registrou 64 situações de racismo. Já em
2022, foram comprovadas 90 situações — um aumento de 40%. A alta se dá porque os atletas têm
tomado consciência da necessidade de fazer denúncias contra as ofensas. “O jogador de futebol
compreendeu que aquilo que acontece em campo, que ele dizia que deveria morrer em campo,
ele já entende que isso é crime, que o racismo é crime, não pode morrer em campo e precisa ser
denunciado”, diz o diretor-executivo do Observatório.

A importância da leitura de alto nível
A leitura de alto nível é a nossa ferramenta mais poderosa para o pensamento analítico e crítico.
Os signatários deste manifesto pedem o reconhecimento da relevância permanente da leitura de
alto nível na era digital.
Em um ambiente de informação cada vez mais complexo, os cidadãos informados precisam ser
capazes de distinguir fontes válidas de não válidas e ajustar de maneira flexível o comportamento
de leitura a contextos variados. O ato de leitura de alto nível é um exercício de atenção e paciência
cognitiva, expandindo vocabulários e capacidades conceituais, desafiando ativamente as preconcepções
dos leitores. São especialmente os textos de formato longo, como livros, que aprimoram nossas
habilidades de leitura.
Portanto, pedimos educação e promoção de leitura, juntamente com avaliação e pesquisa,
para reconhecer a importância da leitura de alto nível como uma capacidade de moldar a vida
e a sociedade. A educação e a promoção da leitura precisam ir além do ensino de habilidades funcionais
e informativas básicas para crianças em idade escolar e focar o processo de desenvolvimento pessoal
ao longo da vida, aprimorado pela leitura. O futuro da leitura afeta o futuro das nossas sociedades.
Os formuladores de políticas em todas as áreas precisam estar cientes disso.

“Minhas senhoras e meus senhores (se eventualmente aparecer algum, o que não é provável):

É comovedor, senhoras, esta vossa luta em prol de vossos jovenzinhos que ora sobem degraus na
escada do saber. Soube, através de vossa reivindicação, que o assunto a ser debatido seriam as provas,
nas quais vossos filhos não se saíram bem. Falaram-me, também, que parecia haver umas faixas onde
foram bordadas algumas questões que não foram bem resolvidas. Senhoras, entendei-me: o que
queremos, neste templo do saber, é elevar a alma humana aos píncaros do conhecimento e, senhoras,
vós não tivestes esta áurea oportunidade, não a subtraiais a vossas crianças [...]. Senhoras, meu apelo
especialmente movido do fundo do coração: sede mais severas! Obrigai vossos filhos firmemente a
um estudo, tirai-lhes horas de folgança e arremessai-os sobre os livros!

Mais uma vez o meu renovado agradecimento e admiração por mães tão conscientes dos estudos
de seus filhos. Enquanto houver mulheres como vós, bastiões de nossa sociedade, o altivo sol da
esperança brilhará resplandecente no céu do futuro.”

Com muito vagar, as cabeças foram marcando o assentimento, uma a uma. As faixas jazendo esquecidas.

Maria Manuela foi bordar no sofá. Ela ainda tinha três filhas para casar, e agora estava sem
marido. Ainda bem que Manuela já tinha o Joaquim. Logo que a maldita guerra acabasse, ficavam
noivos e casavam sem demora. Era um compromisso a menos. E depois, Antônio, quando voltasse,
ajudaria a achar bom partido para as outras duas manas. Mas agora Antônio estava nos arredores
de Porto Alegre, naquele sítio interminável que os rebeldes impunham à cidade. E Maria Manuela
rezava por ele todos os dias, apegava-se às suas santas, fazia promessas complicadas, jejuava.
Tinha perdido o marido, mas seu filho querido, esse, nem que ela tivesse de queimar todas as velas
do Rio Grande, esse voltava para casa são e salvo. Pegou a agulha e recomeçou o trabalho de onde
o tinha deixado na noite anterior. Era uma toalha de mesa, para o enxoval de Manuela.

O voleibol se apresenta como um jogo dinâmico, pois as ações realizadas durante a partida não podem
ser individualizadas, o que impossibilita que os jogadores executem sucessivos toques na bola. Em virtude
de sua habilidade motora básica ser o ato de rebater, torna-se inviável a seus jogadores reter a bola
para si e monopolizá-la. Em diferentes situações, justamente por sua dinamicidade e pelas interações
de cooperação e/ou oposição estabelecidas entre os momentos do jogo e entre seus participantes,
é de suma importância que estes, a todo momento, estejam atentos às ações e ao comportamento
de seus companheiros e adversários, para poderem se antecipar e, assim, atingir os objetivos do jogo.
Para que o êxito nessas situações seja alcançado, torna-se imprescindível que os participantes realizem,
constantemente, a leitura de diferentes elementos, como as ações de companheiros e adversários,
seu posicionamento e sua movimentação, para, posteriormente, tomarem as melhores decisões
com base nessas percepções.

Coração tição
Quero me lambuzar nos mares negros
para não me perder,
conseguir chegar no meu destino.
Não quero ser parda, mulata
Sou afro-brasileira-mineira.
Bisneta
de uma princesa de Benguela.
Não serei refém de valores
que não me pertencem.
Quero sentir meu coração
como um tição.
Não vou deixar que o mito
do fogo entre as pernas iluda e desvie
homens e mulheres
daqui por diante.

Lima Barreto, o fato e a ficção
Neste volume da Biblioteca Carioca, apresentam-se dois textos de Lima Barreto. O primeiro
— Diário do hospício — combina memórias e reflexões acerca da vida no manicômio (e fora dele,
algumas vezes), constituindo-se no diário do escritor, relativo ao período de 25 de dezembro de 1919
a 2 de fevereiro de 1920, em que se encontrava internado no Hospício de D. Pedro II, situado na
Praia Vermelha. O segundo texto — O cemitério dos vivos — apresenta caráter ficcional e, apesar de
centrar-se em um núcleo familiar, remete muitas vezes às observações transcritas no Diário do
hospício. Acrescentou-se aos dois textos um conto, Como o homem chegou, em que um episódio
ocorrido com o autor, por ocasião de seu primeiro internamento, serve de base à fabulação; e cartas
enviadas e recebidas por Lima Barreto quando se encontrava no hospício.

Quando a porta se abriu, ouvi em tom baixo: “Não saia daí até eu voltar!”. E ela se fechou,
me deixando ali, no escuro. [...]
Até que acabaram os biscoitos e a água que levamos na mochila. Bateu sede, mas eu não podia
sair do quartinho. Bateu fome, mas eu não podia sair do quartinho. Bateu vontade de fazer xixi, mas...
descobri que tinha um microbanheiro atrás de outra porta branca: um vaso sanitário, um chuveiro que
por pouco não estava sobre o vaso e, em frente aos dois, uma pia com um espelho na parede acima
dela. Entre o espelho e a pia, uma prateleira com um pote, um tubo de pasta de dentes e uma escova
dentro. Tudo no diminutivo.
Quando ter uma empregada que dorme no trabalho passou a ser algo caro e não de muito bom-
tom, os corretores de imóveis chamariam esse local da casa de “quarto reversível”, um nome para
não chamar o quartinho de quartinho ou do que ele realmente era: um lugar para serviçais, criadas,
babás, domésticas, amas, empregadas. Todos esses nomes que deram e dão até hoje a quem é
“quase da família”. Um lugar onde estivessem ao alcance do comando de voz, do olhar, ao alcance
das mãos... A tempo e hora, vinte e quatro horas por dia.


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Os movimentos feministas no mundo e no esporte, incluindo a participação cada vez mais
significativa de mulheres no Movimento Olímpico, fizeram com que o número das atletas nas
competições aumentasse gradualmente até chegar à tão esperada proporção de 50/50 em 2024.
A tabela apresenta os números ao longo dos últimos cem anos.

Para tornar possíveis todos os avanços, as mudanças precisaram acontecer também fora das arenas.
A representação das mulheres no Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional aumentou
em 6,7% com a Agenda Olímpica de Tóquio 2020, e, desde 2022, 50% dos cargos de membros das
comissões do Comitê são ocupados por mulheres.

A gravura como obra múltipla
Na experiência mexicana, a gravura se destacava como meio para ilustrar panfletos e material para
mobilizar e informar os trabalhadores rurais e urbanos, de acordo com a luta iniciada na Revolução
Mexicana. Inexistindo no Brasil uma “revolução em marcha”, as gravuras, realizadas pelos Clubes de
Gravuras, limitavam-se a representar os temas rural e/ou urbano, focalizando o trabalhador e seu
ambiente de trabalho, assim como suas lutas reivindicatórias. Além disso, as gravuras circulavam
apenas entre os associados do clube e não amplamente, como no caso mexicano, em que eram
distribuídas pela cidade e pelo campo.

Alimentamos tantas expectativas de libertação para falarmos o que bem quisermos e para criarmos
tecnologias e mundos novos que nos descuidamos de prestar atenção na ascensão dos monopólios
das empresas de tecnologia, na construção de bolhas de informação que confirmam pontos de
vista e na cada vez mais real possibilidade de a internet virar uma TV a cabo, com o já proclamado
fim da neutralidade da rede. Tomamos um porre de otimismo. E agora estamos na fase de ressaca,
reféns dos monopólios da internet, da comercialização de qualquer dado deixado na rede, das fake
news chegando de todos os lados. Distopia pura.
O cerceamento da internet por empresas privadas é um dos elementos principais na construção
desse espírito. O que resta da internet hoje senão as plataformas, os softwares e os dispositivos
dessas empresas? Para a maioria da população brasileira e mundial, pouco. De acordo com um dos
criadores da ideia de realidade virtual, “a cultura digital nascente acreditava que tudo na internet
deveria ser público, gratuito. Ao mesmo tempo, amávamos nossos empreendedores de tecnologia”.
Como celebrar empreendedorismo se tudo é gratuito? Com um modelo baseado em publicidade.
Os sites de busca e as redes sociais nasceram gratuitos. Mas os algoritmos se tornaram mais
eficientes. E o que começou como propaganda não pode mais ser chamado de propaganda.
Hoje é modificação de comportamento.

A borboleta azul
“Ninguém nasce borboleta”, pensou Breno. Depois disse baixinho: “A borboleta é um presente do
tempo”. Lá fora, ela, a borboleta, não pensava nada disso. Ocupava-se em voar pela noite de árvore
em árvore. Era azul e sem dúvida um dia havia sido lagarta. Breno tem nove anos e é uma criança,
a lagarta é como se fosse uma borboleta criança, mas quando Breno for adulto vira homem e não
borboleta, e homens não voam. Sonho de Breno é voar, seja como piloto de avião ou jogador de
futebol. Como borboleta, Breno nunca chegou a pensar, tem nove anos, mas sabe que é menino e não
lagarta. A avó de Breno sempre diz: “Lagarta queima o dedinho e come planta, mas vira borboleta.
Ninguém nasce borboleta”. Agora o menino pensa e olha a borboleta na janela. “De manhã vi um monte
de buraquinhos nas folhas”; explicaram a ele: “É coisa de lagarta”. Os buracos nas acerolas e goiabas
eram coisa dos passarinhos. Isso ninguém precisou explicar, porque ele sempre viu os passarinhos
indo bicar as frutas, menos o beija-flor, que só ia bicar a água no copo de flor pendurado na goiabeira.
“O que será que borboleta come? Será que beija-flor só bebe água?”. Pensou muito nisso e sentiu
fome. Saiu em direção à cozinha.

Segundo estudiosos do nosso idioma, as gírias e os neologismos contemporâneos originam-se
de ambientes segmentados, como o videogame. De vez em quando, alguns desses termos furam
a bolha e intrigam quem não circula por esses espaços.
Um caso em evidência atualmente é “tankar” — eu “tanko”, tu “tankas”. O verbo veio de um tipo
de personagem popular em games de combate em equipe: o tank funciona como um escudo,
permitindo ao resto do time executar suas tarefas. Em um ano difícil como o de 2022, a palavra
se popularizou como sinônimo de “aguentar”, “suportar” (no sentido oposto surgiu “intankável”,
aquilo que não pode ser suportado). “Até os anos 1980, as gírias vinham de uma cultura massiva mais
forte e dominante, como novelas e programas de humor”, diz uma professora do curso de Estudos de
Mídia da Universidade Federal Fluminense. “Havia um solo comum em que elas eram compartilhadas.
Hoje as fontes são muito mais específicas e diversas”.


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Falavam-me sempre no perigo de subir à Favela. Nos seus terríveis valentes. Nos seus malandros
que assaltam com a mesma facilidade com que se dá bom-dia.
O maior perigo que eu encontrei na Favela foi o risco, a cada passo, de despencar-me de lá de
cima pela pedreira ou pelo morro abaixo.
Aquela gente, que não tem nada, dá uma profunda lição de alegria àqueles que têm tudo.
Sem higiene, sem conforto, naqueles pequeninos casebres [...], que se arriscam, a cada instante,
a voar com o vento ou despencar-se lá de cima; aquela população de homens valentes — estivadores,
carvoeiros, embarcadiços — e de mulheres anemiadas e fracas, e de crianças mal alimentadas e em
trapos, cria porcos, bebe cachaça, toca cavaquinho e canta!...

O perguntar e o responder
O espelho recusou-se a responder a Lavínia que ela é a mais bela mulher do Brasil. Aliás, não
respondeu nada. Era um espelho muito silencioso.
Lavínia retirou-o da parede e colocou outro, que emitia sons ininteligíveis, e foi também substituído.
O terceiro espelho já fazia uso moderado da palavra, porém não dizia coisa com coisa.
Um quarto espelho chegou a pronunciar nitidamente esta frase: “Vou pensar”. Ficou pensando
a semana inteira, sem chegar à conclusão.
Lavínia apelou para um quinto espelho, e este, antes que a vaidosa senhora fizesse a interrogação
aflita, perguntou-lhe:
— Mulher, haverá no Brasil espelho mais belo do que eu?

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
VARA CRIMINAL DA COMARCA DE SENHOR DO BONFIM
“DECIDAM”

A escrava
Senti-me tocada de veneração em presença daquele amor filial, tão singelamente manifestado.
— Sigamos, então, — tornei eu.
Gabriel caminhava tão apressadamente que eu mal podia acompanhá-lo.
Em menos de quinze minutos transpúnhamos o umbral da casinha, que há dois dias apenas eu
habitava.
Eu bem conhecia a gravidade do meu ato: recebia em meu lar dois escravos foragidos, e escravos
talvez de algum poderoso senhor; era expor-me à vindita da lei; mas em primeiro lugar o meu dever,
e o meu dever era socorrer aqueles infelizes.
Sim, a vindita da lei; lei que infelizmente ainda perdura, lei que garante ao forte o direito abusivo,
e execrando de oprimir o fraco.
Mas, deixar de prestar auxílio àqueles desgraçados, tão abandonados, tão perseguidos, que nem
para a agonia derradeira, nem para transpor esse tremendo portal da Eternidade, tinham sossego,
ou tranquilidade! Não.
Tomei com coragem a responsabilidade do meu ato: a humanidade me impunha esse santo dever.

Em Tiriyó, imenu quer dizer “desenho” ou “pintura”, mas também “jenipapo” (menu), planta que
fornece uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de tintas e corantes. Imenu diz
respeito aos desenhos de formas geométricas que se aplicam sobre os mais variados suportes: da pele
ao papel, passando pelos artefatos. A isso que os Tiriyó definem como imenu, em sua própria língua,
os Kaxuyana chamam de imenuru.
Observando as artes gráficas dos povos da região que vai do Amapá ao norte do Pará, é possível
observar que muitos dos padrões que compõem o repertório tiriyó são recorrentes entre os Kaxuyana,
os Wayana, os Aparai e os Wajãpi. Também encontramos padrões semelhantes entre os Waiwa e
outros grupos do norte amazônico.
GRUPIONE, D. F. Arte visual dos povos tiriyó e Kaxuyana: padrões de
uma estética ameríndia. São Paulo: lepé, 2009 (adaptado).
Entre os grupos indígenas do norte amazônico, as recorrências nas criações gráficas revelam a
O lazer é um fenômeno mundial, fruto da modernidade e das relações que se estabelecem entre
o tempo do trabalho e o tempo do não trabalho. Os efeitos da industrialização e da globalização
foram percebidos pela velocidade das mensagens veiculadas pela mídia, pela explosão das novas
tecnologias de informação e comunicação, pela exacerbação do individualismo e da competitividade,
além de terem provocado mudanças no contexto social e também uma crise nas relações de trabalho.
Desse modo, o lazer apresenta-se como um conjunto de elementos culturais que podem ser vivenciados
no tempo livre, seja de forma prática ou contemplativa.


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“Adjudicar?”: filme de Claudinho e Buchecha revela significado do termo em Nosso sonho
O filme Nosso sonho, a cinebiografia de Claudinho e Buchecha, abordou uma dúvida carregada
por muitos fãs da dupla. Afinal, o que significa a palavra “adjudicar”? O termo está presente na letra
da canção Nosso sonho — que dá nome ao longa —, um dos maiores sucessos dos artistas.
De acordo com o dicionário Aurélio, “adjudicar” é “conceder a posse de (algo), por decisão ou
sentença judicial ou administrativa”. O termo também pode significar “considerar como autor,
causa ou origem”.
Uma das interpretações da música pode sugerir que “o sonho não vai acabar” se o “destino”
conceder a posse do amor ao casal em questão. No filme, o assunto é abordado de uma forma muito
bem-humorada. Ao levarem a letra de Nosso sonho para a gravadora, os produtores veem com
estranheza o termo e afirmam que ele é “inventado”. Na sequência, Claudinho saca um dicionário
gigantesco e lê o significado literal da palavra para provar sua existência.

Certo sábado, o sinhô José Carlos recebeu visitas, sete ou oito homens da capital. Eram pessoas
importantes, pois nós, da cozinha, trabalhamos muito preparando quitutes sob a supervisão da sinhá
Ana Felipa, que acompanhava tudo de caderno em punho e língua afiada. Depois de cada prato
pronto, ela experimentava e jogava fora o que não ficava bom, no lixo mesmo, não sem antes jogar
água ou fazer qualquer outra coisa para que nós não pudéssemos aproveitar.
Fazia isso dizendo que preto não tinha paladar para apreciar aquele tipo de comida e nem ela
queria ser acusada de ter alimentado escravos com comida digna de reis, mesmo que estragada pela
nossa incompetência, pelo nosso dom de fazer somente a ração a que estávamos acostumados todos
os dias. O Sebastião e a Antônia, que serviriam os pratos, ganharam fardas novas. Ficaram horas com
a sinhá Ana Felipa, que mostrou de que lado de cada pessoa deveriam servir à mesa, a ordem em
que os pratos sairiam da cozinha e depois seriam retirados, como encher os copos, e outras coisas.

O livro no Brasil vive seus dias mais difíceis. As editoras já vêm diminuindo o número de livros
lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos, demitindo funcionários
em todas as áreas. Com a recuperação judicial de duas grandes livrarias, dezenas de lojas foram
fechadas, centenas de livreiros foram despedidos, e as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus
recebimentos — gerando um rombo que oferece riscos graves para o mercado editorial no Brasil.
Passei por um dos piores momentos da minha vida pessoal e profissional quando, pela primeira vez
em 32 anos, tive que demitir seis funcionários que há tempos contribuíam com sua energia para
o que construímos no nosso dia a dia.
Sem querer julgar publicamente erros de terceiros, mas disposto a uma honesta autocrítica da
categoria em geral, escrevo mais esta carta aberta para pedir que todos nós, editores, livreiros e
autores, procuremos soluções criativas e idealistas neste momento. Cartas, zaps, e-mails, posts nas
mídias sociais e vídeos, feitos de coração aberto, nos quais a sinceridade prevaleça, buscando apoiar
os parceiros do livro, com especial atenção a seus protagonistas mais frágeis, são mais que bem-vindos:
são necessários. O que precisamos agora, entre outras coisas, é de cartas de amor aos livros.

Uma vacina para tratar a dependência de drogas
O Brasil e o mundo enfrentam dificuldades quando se trata de encontrar saídas para o vício em
drogas. “Esse é um desafio complexo, multifatorial, que envolve questões biológicas, psicológicas
e vulnerabilidades sociais. Por isso, exige diferentes abordagens terapêuticas”, diz um psiquiatra
da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele é o responsável pelo desenvolvimento de
uma estratégia inovadora contra a dependência que se vale das próprias defesas do organismo do
paciente para se blindar dos efeitos da droga. Juntamente com sua equipe, o médico criou uma molécula
inteiramente sintética, base de uma vacina terapêutica capaz de interromper o mecanismo que provoca
a compulsão. Assim nasceu a Calixcoca, que já é produzida em escala de pesquisa nos laboratórios
da faculdade.
“Não se trata de uma vacina mágica, uma panaceia. A vacina foi elaborada para complementar
o tratamento usual”, pondera o especialista. Nos experimentos, o imunizante demonstrou potencial para
produzir anticorpos contra a droga, prevenindo sua atuação no cérebro. “A Calixcoca modifica a molécula
de cocaína, cessando ou diminuindo sua ação no chamado circuito de recompensa. Assim, é possível
interromper a série de recaídas comuns na dependência”, explica o pesquisador. Agora os cientistas
esperam continuar a sequência de estudos clínicos para avaliar a eficácia e a segurança do produto,
assim como identificar quais perfis de pacientes poderão ser mais beneficiados com a vacina.
TENÓRIO, G.; PEREIRA, R. C. Vitórias da ciência brasileira.
Veja Saúde, n. 449, jan. 2024 (adaptado).
Nesse texto, a estratégia argumentativa utilizada para destacar a inovação desenvolvida foi a
Voldemort: um vilão fictício?
Imagine um personagem cuja simples menção nos provoque um arrepio na espinha, nos cause
ódio, medo, repulsa; um personagem que nos faça questionar os limites da maldade e refletir:
será que existe alguém assim no mundo real? Imagine um personagem que seja apresentado
de forma superficial, sem que possamos conhecer sua história e suas motivações; que seja
apresentado como alguém puramente mau e que pareça existir apenas para causar destruição
e terror. Esse personagem é um vilão.
Muitos vilões da ficção são tão caricatos, têm características tão exageradas e estão tão distantes
daquilo que consideramos “humano”, que visivelmente não possuem qualquer relação com pessoas
do mundo real. Mas há aqueles vilões que fazem você pensar: será que isso está tão distante da
realidade assim?
Lord Voldemort é um poderoso bruxo da série de livros e filmes Harry Potter. O vilão, que é
o principal antagonista na narrativa, realiza tantos atos de crueldade e destruição, que torna impossível
enxergarmos nele qualquer traço de humanidade.
Mas será que essa figura tão sinistra não tem qualquer similaridade com alguém no mundo real?

TEXTO I
Em casa, Iberê menino traçava a memória da infância. A mãe, concentrada no coser das roupas, mal
escutava o lápis de ponta grossa riscar a vida por baixo da mesa. Os carretéis sem linhas ficavam ali,
amontoados de solidão. Quando perdiam sua razão de ser para a realidade da mãe, eles desenrolavam
longos fios no ar do olhar menino de lberê.
NEVES, A.; DIAS, C. Iberê Camargo: menino. São Paulo: DCL, 2007 (adaptado).


A Língua Brasileira de Sinais (Libras) passou a ser “reconhecida como meio legal de comunicação e
expressão” há 21 anos e, segundo dados da World Federation of the Deaf (WFD), o Brasil é um entre
os 76 países que têm sua língua de sinais nacional.
Ainda que a Libras seja considerada a língua oficial da comunidade surda no Brasil, outras línguas de
sinais se desenvolveram em pequenas comunidades espalhadas pelo país. “A gente chama de línguas
minoritárias, línguas familiares, línguas de microcomunidades surdas. Um exemplo são as línguas de
sinais indígenas. Nas comunidades indígenas que têm muitos surdos, a gente tem documentado
línguas de sinais, como os Ka’apor no Maranhão”, explica uma pesquisadora da Unesp. Ela destaca,
no entanto, que essas línguas correm o risco de desaparecer à medida que a comunidade que as
utiliza deixa de crescer ou passa a utilizar a Libras. “Toda língua que se extingue é uma riqueza
da nossa diversidade que se perde, porque, quando uma língua morre, morre com ela algum tipo
de conhecimento, uma tecnologia”.
A pesquisadora lembra, ainda, a importância de se desenvolverem pesquisas para a identificação
e a compreensão tanto das línguas de sinais de microcomunidades surdas como das variações da Libras.

A literatura indígena, por sua vinculação à tradição oral e construção multimodal, entre outros
aspectos, desafia o leitor. Os textos indígenas apresentam uma complexidade em termos de
gênero, autoria, multimodalidades, além de percepções culturais da realidade, que exigem do leitor
um reposicionamento cultural, ao mesmo tempo em que motivam a interação com o outro por meio
da literatura. Como mediadores de leitura, os professores exercem um papel essencial na formação
de leitores competentes. A leitura de obras literárias, em especial, promove a percepção não só de
temas variados, mas também de como esses temas são abordados.
Quando falamos sobre o contato de crianças e jovens com a literatura indígena brasileira, estamos
falando de muitas literaturas, culturas e vozes, criadas não só em língua portuguesa, mas também em
idiomas originários. Os educadores voltam-se para a questão da inclusão social e cultural de grupos
cuja literatura foi vista como inexistente por séculos. Isso se deve à visão de uma tradição literária
ocidental cujos parâmetros de produção e divulgação divergem de culturas ainda muito ligadas à
tradição oral e de performance.

Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil
e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que
se escreve? Por que, realmente, como é que se escreve? que é que se diz? e como dizer? e como
é que se começa? e que é que se faz com o papel em branco nos defrontando tranquilo? Sei que
a resposta, por mais que intrigue, é a única: escrevendo. Sou a pessoa que mais se surpreende ao
escrever. Porque, fora das horas em que escrevo, não sei absolutamente escrever. Será que escrever
não é um ofício? Não há aprendizagem, então? O que é? Só me considerarei escritora no dia em que
eu disser: sei como se escreve.
LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Nessa crônica, os questionamentos da autora evidenciam uma

Disponível em: http://100photos.time.com. Acesso em: 19 jun. 2019.
Nessa fotografia, há um diálogo visual entre diversos elementos da cena. Com esse tipo de composição,
Henri Cartier-Bresson revolucionou a fotografia do século XX ao
Os clubes negros são espaços criados no século XIX, sobretudo a partir da década de 1870,
por e para pessoas negras — com base em uma ideia de raça — autoidentificadas como negras;
pretas; morenas; mulatas; etiópicas; de cor; nos quais desenvolvem atividades sociais — de caráter
autodenominado cultural, social, político, dançante, beneficente, recreativo ou carnavalesco —
cuja nomeação era atribuída como clube, centro e/ou sociedade, e cujo objetivo era manter um
espaço de convívio social no qual essas atividades eram realizadas.

Casa da floresta
Eu quero morar
Numa casinha feita à mão
Numa floresta onde eu possa plantar o que eu quiser
E andar de pés no chão
E vou plantar abacaxi com banana
Mandioca, cacau, batata-doce e feijão
Palmito e um café bem bonito
Lá na sombra da goiaba e do mamão
Sob a copa do coqueiro, açaí, abacateiro
Cajueiro e maracujá
Lá no alto a seringueira
Com o guapuruvu na beira
Contemplando uma vista pro mar

Com o cuidado do facão
Apagar a ilusão de que o que é bom
É o que produz demais

Não ignoro que muitos foram e são de opinião de que as coisas do mundo são governadas de tal
modo pela fortuna e por Deus e que os homens não podem corrigi-las com a prudência, e até não
têm remédio algum contra eles. Por isso, poder-se-ia julgar que não devemos incomodar-nos demais
com as coisas, mas deixar-nos governar à sorte.

As expedições científicas se caracterizaram, no século XIX, por um intenso vaivém de produtos
naturais; um modo de circulação internacional de conhecimentos e saberes. Todo esse movimento
representou passo significativo para a mundialização das ciências. Os objetos dissecados eram levados
para os museus, do que resultou uma interação científica e político-financeira e, ao mesmo tempo,
gerou um corte epistemológico nas ciências naturais. Neste caso, não somente as ideias, mas também
os objetos circulavam com os conhecimentos. Da mesma forma, as expedições representaram um
meio de realizar a transferência dos conhecimentos do campo ao laboratório, onde os produtos
seriam analisados e avalizados para depois tornarem-se comerciais — prática que ocorreu em larga
escala no século XIX.

Eu me lembro de ser mandada para o canto da sala de aula por “responder” à professora quando
tudo o que eu estava tentando fazer era mostrar a ela como pronunciar meu nome. Assim, se você
quer mesmo me ferir, fale mal da minha língua. A identidade étnica e a identidade linguística são unha
e carne — eu sou minha língua. Eu não posso ter orgulho de mim mesma até que possa ter orgulho
da minha língua. Até que eu possa aceitar como legítimos o espanhol chicano texano, o Tex-Mex,
e todas as outras línguas que falo, eu não posso aceitar a minha própria legitimidade.

Para os gregos, forçar alguém mediante violência, ordenar ao invés de persuadir, eram modos
pré-políticos de lidar com as pessoas, típicos da vida fora da polis, característicos do lar e da vida
em família, na qual o chefe da casa imperava com poderes incontestes e despóticos.

Quase 42% do rebanho brasileiro está nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará,
Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão, que formam a chamada Amazônia Legal. Segundo dados
do IBGE, são 89 milhões de cabeças de gado na região. E o preço é pago pela floresta. De acordo com
um levantamento da plataforma Mapbiomas, entre 1985 e 2019 o Brasil transformou 67,8 milhões
de hectares de florestas em pastagens.

Em 1845, na França, os fabricantes expõem claramente seu ponto de vista: “A perfeição do trabalho
que se obtém com a nova máquina será um estímulo a se fazer melhor, e o operário finalmente
entenderá que, quando as máquinas substituem em todos os sentidos o trabalho do homem, produzem
melhor e mais barato do que ele, a razão ordena-lhe obedecer às prescrições do senhor, a fim de
que faça o melhor possível, e ordena-lhe também renunciar a salários exagerados”.

Nenhum dos quatro blocos de petróleo perto do Parque Ambiental de Abrolhos disponibilizados
para leilão atraiu o interesse de empresas. A abertura para a exploração da área, que possui a maior
biodiversidade do Atlântico Sul, é contestada na Justiça. Também é alvo de críticas de ambientalistas,
que fizeram um protesto em frente ao local do certame. Os blocos não arrematados são incluídos
agora na área de oferta permanente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP) e, caso alguma empresa manifeste interesse, um novo leilão é realizado.

Em 2021, lideranças negras do Recife se reuniram e reivindicaram a criação de uma pasta dedicada
especificamente à cultura negra. O termo cultura negra passou a fazer parte dos discursos do núcleo
afro e popularizou-se nas plenárias e fóruns da cidade, nos espaços internos dos terreiros, nas sedes
das agremiações, nas ONGs, nas escolas públicas municipais e em outros lugares onde os ativistas
negros se encontravam para discutir sobre a sua história, sobre as suas religiosidades, sobre o despertar
de uma consciência crítica e, principalmente, para fazer política pública.


Disponível em: www.boijmans.nl. Acesso em: 18 nov. 2021.
TEXTO II
A continentalização do açúcar e o renovado estímulo à monocultura em Pernambuco permitiu
a adaptação do modelo madeirense trazido pelo primeiro donatário. A primeira e talvez melhor
iconografia dessa imposição da monocultura da cana-de-açúcar sobre o bioma local foi, contudo,
elaborada pelos holandeses, o que dá nota à pintura de paisagem de Frans Post, artista oficial da
comitiva de João Maurício de Nassau.

Como é costume dos soldados ao retornarem de suas campanhas, os cruzados sem dúvida devem
ter exagerado tanto as privações da jornada quanto o esplendor da terra conquistada, bem como
os milagres enviados pelos céus para encorajá-los. Todos, porém, sublinhavam a necessidade de
guerreiros e colonos no Oriente, a fim de dar prosseguimento à obra divina, e falavam das riquezas
e propriedades que lá esperavam para serem ocupadas pelos aventureiros. Instavam a partida
de uma nova Cruzada, com as bênçãos dos pregadores da Igreja.

A indústria têxtil em Toritama (PE) é composta por milhares de pequenos empreendimentos,
muitos de base familiar, isto é, produtores individuais e pequenas empresas que quase sempre
funcionam em espaços domiciliares destinados à produção. Um grande contingente dos habitantes
de Toritama é empregado na indústria de vestuário produzido à base de jeans. Quem não trabalha
direto nas confecções presta serviço para elas por meio de empresas familiares. Por isso, o município
pernambucano é conhecido como a cidade do jeans. Com a construção do Parque das Feiras,
em 2001, o polo começou a se projetar com mais força, atraindo consumidores de diversas regiões
do Brasil, consolidando-se como um dos principais centros de produção e comercialização de jeans.

O homo economicus contemporâneo é dotado de intenso princípio de racionalidade formal que
o leva:
1. a buscar sem qualquer hesitação a própria felicidade;
2. a dar a preferência aos objetos visíveis que lhe trarão o máximo de satisfação.

A imigração espanhola cresceu acentuadamente quando a imigração italiana subvencionada foi
dificultada e quando uma proporção muito alta de italianos começou a deixar São Paulo, entre
o fim do século XIX e o começo do século XX, na maior parte dos casos, para retornar à Itália ou para
reemigrar a outros países. Na sua maioria, os imigrantes espanhóis eram camponeses que chegaram
ao Brasil com a família, imigrando em definitivo, indo diretamente para o interior, para as fazendas,
na maioria realmente pobres, cuja viagem fora subvencionada pelo governo brasileiro.

É preciso considerar as divisões na sociedade. As pessoas veem a história de maneira diferente
porque têm vidas diferentes. Se seus antepassados chegaram num navio negreiro, você verá
a história de um modo diverso do que aqueles cujos parentes vieram em caravelas.

Projetos de cenografia urbana, de revitalização de orlas e de antigas áreas industriais, além de
intervenções cada vez mais espetaculares para jogos e eventos mundiais definem parcela expressiva
da produção contemporânea do urbanismo, da cidade-mercadoria. Espaços espetaculares de
investimento são criados e neles pessoas vivem em competição por status, consumo, paisagem etc.

O catolicismo vivido nos trópicos desenharia uma trajetória singular. A convivência com os mitos
indígenas, os deuses africanos e as crenças dos degredados do reino, acusados de feitiçaria, judaísmo
e apostasias de variegado tipo, promoveu a migração de costumes, símbolos e mitos de uma religião
a outra. O culto aos santos, em particular, o culto a São Jorge, deu asas a toda sorte de identificações,
associações e inversões.

Um dos jornais pioneiros na utilização de correspondentes para a cobertura de assuntos nacionais
manteve seus leitores informados sobre o dia a dia das operações da quarta e última campanha militar
contra Canudos ao publicar, entre os meses de agosto e outubro de 1897, os telegramas enviados
diretamente do “sertão baiano” por seu correspondente Euclides da Cunha.


“Em uma região onde a taxa média de crianças com desnutrição aguda normalmente fica perto
do limite de alerta de 10%, qualquer fator que reduza ainda mais o acesso aos alimentos pode gerar
uma crise de grandes proporções”, informou o comunicado da ONG Médicos Sem Fronteiras.

É com certeza, Senhor, e não com dúvida que em minha consciência eu Vos amo. Vós atingistes meu
coração com a Vossa palavra e assim Vos amei. O céu, a terra e tudo que neles existe conclamam-me
por toda parte a amar-Vos.

A alimentação é uma atividade que envolve muito mais que o ato de comer e a disponibilidade de
alimentos. Há uma cadeia de produção, que se inicia no campo, ou antes, na preparação de sementes,
mudas e insumos, passando por ciclos, do plantio à colheita, em que elementos da natureza têm um
papel crucial, mas que vêm sendo, cada vez mais, envolvidos por questões tecnológicas, financeiras
e sociais. Nas etapas produtivas, no campo, as inter-relações com a sustentabilidade parecem claras.
De fato, o próprio termo sustentabilidade foi cunhado com forte influência da atividade agrária.

É que o espírito de comércio traz consigo o espírito de frugalidade, de economia, de moderação,
de trabalho, de sabedoria, de tranquilidade, de ordem e de regra. Assim, enquanto subsiste este
espírito, as riquezas que ele produz não têm nenhum mau efeito.

O sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando
fragmentado, composto não de uma única, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias
ou não resolvidas. Há uma fragmentação de códigos culturais, aquela multiplicidade de estilos,
aquela ênfase no efêmero, no flutuante, no impermanente e no pluralismo cultural.


Enunciado disponível na imagem da questão.
Um ano antes da aprovação da Constituição Brasileira, em 1891, foi elaborado o Código Penal
da República. Esse Código trazia à tona a posição dos médicos, diferenciando-os dos curandeiros,
que passaram a ser reprimidos pela polícia, perseguidos no âmbito religioso e vistos como problema
de saúde pública. Embora a Constituição assegurasse oficialmente a liberdade de culto para todas
as religiões, o Código Penal permitia que as religiões negras e outras religiosidades das camadas
populares fossem perseguidas.

O ano de 1492, segundo nossa tese central, é a data do “nascimento da Modernidade”; embora
sua gestação — como feto — leve um tempo de crescimento intrauterino. A Modernidade originou-se
nas cidades medievais europeias, livres centros de criatividades. Mas “nasceu” quando a Europa pôde
se confrontar com o seu “outro” e controlá-lo, vencê-lo, violentá-lo: quando pôde se definir como
um “ego” descobridor, colonizador da alteridade constitutiva da própria Modernidade.

Tecnologias verdes são a cereja do bolo do debate e normalmente são utilizadas como forma de
permitir a continuidade do padrão de vida dos países do Norte por meio do uso mais eficiente
de recursos. Mas existe um paradoxo, conhecido como Paradoxo de Jevons, responsável por apontar que
o desenvolvimento tecnológico que aumenta a eficiência no uso de um recurso tende a, paradoxalmente,
aumentar a taxa de uso desse recurso. Em outras palavras: uma tecnologia “sustentável” para aumentar
a eficiência do uso de energia vai, paradoxalmente, aumentar o uso de energia em si. Ademais,
e muito importante ressaltar, para que lojas de roupas na Europa sejam equipadas com tecnologias
“sustentáveis”, uma boa dose de matérias-primas, como lítio, precisa ser minerada nos países
do Sul. E a mineração é tudo menos “verde” ou “sustentável”.


Enunciado disponível na imagem da questão.
O modo de sentar e andar, as formas de colocar cadernos e canetas, pés e mãos acabariam por
produzir um corpo escolarizado, distinguindo o menino da menina que passara pelos bancos escolares.
As escolas femininas dedicavam intensas e repetidas horas ao treino das habilidades manuais de suas
alunas, produzindo jovens “prendadas”, capazes dos mais delicados e complexos trabalhos de agulha
ou de pintura.

Como estratégia para minimizar os efeitos dos longos períodos cíclicos de escassez hídrica
no estado do Ceará, diversos reservatórios foram construídos ao longo de décadas, além de
canais e sistemas de transposição que conduzem água ao principal sistema de abastecimento
da região metropolitana de Fortaleza. Contudo, em um cenário no qual novos desafios são postos,
ações distintas das tradicionalmente adotadas podem complementar as soluções anteriores, dando
uma segurança a mais ao sistema que antes não contemplava as incertezas climáticas que hoje
temos. Nessa perspectiva, a Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará tem sido demandada
para criar alternativas de abastecimento que fortaleçam a matriz hídrica do estado, em especial
da região metropolitana de Fortaleza, responsável pela maior demanda de água para consumo
humano e fortemente dependente da importação de água de bacias distantes (do interior).

De 1967 a 1973, a economia brasileira alcançou taxas médias de crescimento muito elevadas e sem
precedentes, que decorreram, em parte, da política econômica então implementada, principalmente
sob a direção do ministro da Fazenda Antônio Delfim Neto, mas também de uma conjuntura econômica
externa muito favorável, que somou forças para um crescimento acelerado, acompanhado de uma
inflação declinante e relativamente baixa para os padrões brasileiros, além de superávits no balanço
de pagamentos. Esse período (e por vezes de forma mais restrita os anos 1968-1973) passou a ser
conhecido como o do “milagre econômico brasileiro”, uma terminologia anteriormente aplicada
a fases de rápido crescimento econômico, como ocorreu no Japão.

A responsabilidade perante o todo é o valor principal para o mundo de amanhã, e o valor
complementar a ele é um vivo sentido de seu objeto, precisamente o todo, a humanidade como tal.
Assim, o despertar, a manutenção e inclusive a fundamentação de um sentimento pela humanidade
é uma importantíssima tarefa educativa e intelectual para o mundo do amanhã. O risco para
o futuro tem um amplo solo, parte da conduta cotidiana mesma dentro dos Estados do mundo
tecnificado, que pode muito bem avançar sem freio para uma paz mundial que talvez contenha
o temor imediato pelo próprio presente. Aqueles que reconheceram tal futuro e o risco que este
corre têm de converter-se em seus porta-vozes incansáveis — tão incansáveis como essa mesma
cotidianidade ameaçadora.

Como mostra a experiência histórica, mesmo nos países centrais, a expansão do mercado
de imóveis residenciais para as camadas de baixa renda, ou mesmo para setores inferiores das camadas
médias, somente ocorre quando há um sistema de crédito capaz de financiar, principalmente,
o consumo. Essas experiências mostram, ainda, a importância do “fundo público” como elemento
assegurador dos financiamentos. Além disso, deve ser considerado que, no caso brasileiro,
dada a estrutura de distribuição de renda e os altos níveis de pobreza, esse sistema de financiamento
deve contar necessariamente com um sistema amplo de subsídios.

Antigamente, existiam duas maneiras de governar: ou a sociedade era comandada pelo rei
(monarquia), ou era dirigida por um pequeno grupo de homens ricos (aristocracia). Mas, em algumas
cidades da Grécia, foi experimentada outra forma de governo na qual os cidadãos decidiam os rumos
da sociedade.


TEXTO II
Há 80 anos, holandeses construíram uma barreira de 32 quilômetros contra enchentes
e inundações. A obra deu origem à rodovia e a novas regiões. Há séculos, eles enfrentam um duelo.
De um lado, um país abaixo do nível do mar. Do outro, a força das águas que invadem a Holanda.
E essa batalha começou com a construção dos diques, uma questão de sobrevivência.

Localizada no bairro La Quebrada, de Paso del Rey, município de Moreno (Argentina), a Associação
de Produtores Familiares se formou em 1998. Os membros desse grupo se organizaram e começaram
a trabalhar com uma primeira horta para dez famílias do bairro e com ferramentas obtidas por meio
do Plano Hortas Familiares, do Instituto Nacional de Tecnologia Agrária. Logo após, se constituíram
formalmente para conseguirem mais recursos dos órgãos públicos. A associação mantém relação
com organizações que se identificam como pertencentes a um território comum, o que lhes permite
se referir a uma história compartilhada.

Nos anos 1990, o liberalismo, que já havia adentrado na maior parte da América Latina, implanta-se
no Brasil, com toda força, a partir do governo Collor. O discurso liberal radical, combinado com a
abertura da economia, inaugura o que poderíamos chamar da “Era Liberal” no Brasil, sob a bandeira
de que uma política menos intervencionista é a chave para o desenvolvimento econômico e social
do país. Até então, apesar da existência de algumas iniciativas nesse sentido, durante o governo Sarney,
e de uma massificação e propaganda dessa doutrina nos meios de comunicação, ela encontrava
uma forte resistência, calcada, principalmente, na ascensão política, durante toda a década de 1980,
dos movimentos sociais e do movimento sindical.

teXto I
A diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que qualquer um
possa com base nela reclamar qualquer benefício a que o outro não possa também aspirar,
tal como ele. Portanto, se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo em que é impossível
ela ser gozada por ambos, eles tornam-se inimigos.
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Abril, 1980.
teXto II
Nada é mais meigo do que o homem em seu estado primitivo, quando, colocado pela natureza
entre a estupidez dos brutos e as luzes funestas do homem civil, e compelido tanto pelo instinto
quanto pela razão a defender-se do mal que o ameaça, é impedido pela piedade natural de fazer
mal a alguém sem ser a isso levado por alguma coisa ou mesmo depois de atingido por algum mal.

Pouco antes do Natal de 2020, a questão emergiu de vez: “o armagedom dos chips”
(ou chipageddon, como o fenômeno tem sido chamado em inglês) já é uma realidade, inclusive
na indústria automobilística. Os carros novos geralmente incluem mais de 100 microprocessadores
— e os fabricantes simplesmente não conseguem mais fornecer todos eles.

O que define a polis é que, contrariamente à tribo ou às grandes monarquias, contrariamente
à comunidade familiar, ali ninguém possui apriori o poder. Não se trata do objeto de um “ter” reservado,
mas o lugar de uma luta pelo reconhecimento público, principalmente quando a polis é democrática,
como foi o caso de Atenas.

A cidade atual é uma cidade de contradições; abriga muitas ethnes, muitas classes, muitas religiões.
É fragmentária demais, cheia de contrastes e conflitos. Consequentemente, tem muitas faces,
não uma apenas. É a própria condição de abertura que torna nossa cidade tão convidativa e atraente
para sua crescente multidão de habitantes. A falta de uma imagem coerente e explícita pode, em nossas
circunstâncias, ser uma virtude positiva, nunca um defeito ou mesmo um problema.

Mas a conversão seria apenas uma questão de salvação? Para o europeu do Renascimento,
religião e política misturavam-se inextrincavelmente. A integração política dos povos indígenas exigia
sua cristianização, pois a fé era o único denominador comum dos súditos de Carlos V, que incluíam
tanto os flamengos de Gand como os mouros de Granada e os bascos de Bilbao. Aliás, o cristianismo
do Renascimento era mais um modo de vida do que um conjunto bem definido de crenças e rituais:
englobava a educação, a moral, a arte, a sexualidade, as práticas alimentares, as relações de casamento,
ritmava a passagem do tempo e os momentos fundamentais da vida.

O smartphone não é uma coisa. Eu o caracterizo como um infômata (coisa informatizada) que
produz e processa informações. As informações são o contrário dos apoios que dão tranquilidade
à vida. Vivem do estímulo da surpresa. Elas nos submergem em um turbilhão de atualidade.

Memória e história não são sinônimos. A memória é a vida, protagonizada pelas pessoas,
em grupo, e está em evolução permanente. Aberta para a dialética da lembrança e do esquecimento,
a memória não tem consciência de sua sucessiva deformação e, vulnerável a todas as utilizações e
manipulações, é suscetível a longas latências e repentinas revitalizações. A história é a reconstrução
sempre problemática e incompleta do que já passou. A memória é um fenômeno sempre atual,
uma ligação vivida no eterno presente, ao passo que a história é uma representação do passado.


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