Enunciado
A borboleta azul
“Ninguém nasce borboleta”, pensou Breno. Depois disse baixinho: “A borboleta é um presente do
tempo”. Lá fora, ela, a borboleta, não pensava nada disso. Ocupava-se em voar pela noite de árvore
em árvore. Era azul e sem dúvida um dia havia sido lagarta. Breno tem nove anos e é uma criança,
a lagarta é como se fosse uma borboleta criança, mas quando Breno for adulto vira homem e não
borboleta, e homens não voam. Sonho de Breno é voar, seja como piloto de avião ou jogador de
futebol. Como borboleta, Breno nunca chegou a pensar, tem nove anos, mas sabe que é menino e não
lagarta. A avó de Breno sempre diz: “Lagarta queima o dedinho e come planta, mas vira borboleta.
Ninguém nasce borboleta”. Agora o menino pensa e olha a borboleta na janela. “De manhã vi um monte
de buraquinhos nas folhas”; explicaram a ele: “É coisa de lagarta”. Os buracos nas acerolas e goiabas
eram coisa dos passarinhos. Isso ninguém precisou explicar, porque ele sempre viu os passarinhos
indo bicar as frutas, menos o beija-flor, que só ia bicar a água no copo de flor pendurado na goiabeira.
“O que será que borboleta come? Será que beija-flor só bebe água?”. Pensou muito nisso e sentiu
fome. Saiu em direção à cozinha.
