história de amor. Em seu pequeno mundo de volumes, de cheiros,
de sons, todas aquelas palavras eram a perpétua renovação dos
mistérios em cujo seio sua imaginação se perdia. [...] Como seria
cor e o que seria? [...]. Era, com certeza, a nota marcante de todas
as coisas para aqueles cujos olhos viam, aqueles olhos que tantas
vezes palpara com inveja calada e que se fechavam, quando os
tocava, sensíveis como pássaros assustados, palpitantes de vida,
sob seus dedos trêmulos, que diziam ser claros. Que seria o claro,
amigo que lá conhecera. [...]. Lembrava-se da ternura daquela voz,
da beleza daquela voz. De como se adivinhavam entre dezenas de
outros e suas mãos se encontravam. De como as palavras de amor
tinham irrompido e suas bocas se encontrado... De como um dia
seus pais haviam surgido inesperadamente no Instituto e a haviam
levado à sala do diretor e se haviam queixado da falta de vigilância
e moralidade no estabelecimento. E de como, no momento em que
a retiravam e quando ela disse que pretendia se despedir de um
amigo pelo qual tinha grande afeição e com quem se queria casar, o
Instituto, ao qual não saberia voltar, do qual nunca mais tivera
notícia, e do qual somente restara o privilégio de caminhar sozinha
pelo reino dos livros, tão parecido com a vida dos outros, tão cheio
No texto, a condição da personagem e os desdobramentos da
narrativa conduzem o leitor a compreender o(a)