Enunciado
T EX T O I
Pensar a Escrevivência como um fenômeno diaspórico e universal primeiramente me incita a
voltar a uma imagem que está no núcleo do termo. A imagem fundante do termo é a figura da Mãe
Preta, aquela que vivia a sua condição de escravizada dentro da casa-grande. Essa mulher tinha
como trabalho escravo a função forçada de cuidar da prole da família colonizadora. Escrevivência,
em sua concepção inicial, se realiza como um ato de escrita das mulheres negras, como uma ação
que pretende borrar, desfazer uma imagem do passado, em que o corpo-voz de mulheres negras
escravizadas tinha sua potência de emissão também sob o controle dos escravocratas, homens,
mulheres e até crianças. E, se ontem nem a voz pertencia às mulheres escravizadas, hoje a letra, a
escrita nos pertencem também.
EVARISTO, C. A Escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, C. L.; NUNES, I. R. (Org.). Escrevivência:
a escrita de nó s: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina, 2020 (adaptado).
T EX T O II
U m corpo no mundo
