Enunciado

Do povoado do Ão, ou dos sítios perto, alguém precisava urgente de querer vir
por escutar a novela do rádio. Ouvia-a, aprendia-a, guardava na ideia, e,
retornado ao Ão, no dia seguinte, a repetia a outros.
Assim estavam jantando, vinham os do povoado receber a nova parte da
novela do rádio. Ouvir já tinham ouvido tudo, de uma vez, fugia da regra:
falhara ali no Ão, na véspera, o caminhão de um comprador de galinhas e
ovos, seo Abrãozinho Buristém, que carregava um rádio pequeno, de pilhas,
armara um fio no arame da cerca... Mas queriam escutar outra vez, por
confirmação. – “A estória é estável de boa, mal que acompridada: taca e não
rende...” – explicava o Zuz ao Dalberto.
Soropita começou a recontar o capítulo da novela. Sem trabalho, se recordava
das palavras, até com clareza – disso se admirava. Contava com prazer de
demorar, encher a sala com o poder de outros altos personagens. Tomar a
atenção de todos, pudesse contar aquilo noite adiante. Era preciso trazer luz,
nem uns enxergavam mais os outros; quando alguém ria, ria de muito longe.
O capítulo da novela estava terminando.
Nesse trecho do conto, o gosto dos moradores do povoado por ouvir a novela
de rádio recontada por Soropita deve-se ao(à)