Desenvolvendo-se nesse meio, é natural que Celina, filha mais velha de
D. Adozinda, tivesse seus pequenos flirts com alguns desses rapazes, muito
íntimos da casa e trazendo-lhe da cidade presentes de doces, de balas de
ovo, de jornais ilustrados ou de frutas.
As irmãs mais novas iam ao colégio; ela ficava, enchendo o tempo com
uns crochês vagarosos, costuras leves, a leitura dos folhetins dos jornais;
e o Gilberto, que raramente saía, andava sempre ao seu lado, muito caído
por esse tipo um pouco mórbido de menina anêmica [...].
O Gilberto não valia nada, mas quem sabe se apareceria outro, simplório e
sincero como ele? E a filha, com os seus dezessete anos, começava a embaraçá-la
um pouco, nesse difícil papel de virgem numa casa de pensão, cheia de rapazes.
Ora, o melhor era esperar, dar tempo ao tempo... E o Gilberto e a Celina
continuaram a namorar-se, ele cândido, ela dúbia; enquanto o Coronel Juvenato,
que deixara a mulher em Sobral para tratar de uma concessão rendosa com os
políticos do Rio, ia agora monopolizando, como protetor mais importante, as
alegres visitas matinais da viúva, que já lhe levava sempre o café — mas sem
flores colhidas no jardim, ainda rociadas de orvalho, porque o cearense não
dava para essas coisas de poesia. Era rápido, prático, e não admitia bobagens.
Por isso, todos os sábados à noite, ele dizia a D. Adozinda com um tremor
lúbrico nas banhas moles da face, os olhinhos vivos pestanejando:
— A senhora não se esqueça que amanhã é domingo... Leve-me cedo
o café, hein?... que eu tenho de ir à missa...
— Pois não, pois não, Coronel! fique descansado — respondia a viúva do
Ferreira, muito atenciosamente, tirando-lhe umas caspas da gola do paletó,
com a mão repolhuda.