Enunciado
Competentemente iniciada e dedicada ao culto de Aziri Tobôci, agora Honorata começa a ver novos
horizontes em sua vida. Tomada, agora, de um espírito de iniciativa incomum, totalmente diferente
do torpor em que vivia, passa a cuidar mais da aparência, a vestir trajes mais alvos, a adornar-se
com joias de ouro, mesmo baratas, a caprichar no ojá que lhe envolve graciosa e artisticamente
a cabeça. A quase mendiga de antes é agora uma bela e perfumada baiana de tabuleiro, atraindo
uma boa freguesia com seus acarajés, abarás, beijus, cuscuzes, bolinhos de tapioca... iguarias de fina
e esmerada feitura.
Em pouco tempo, começa a ser, também, acreditada e requisitada como quituteira e banqueteira.
A culinária baiana começa a chegar às mesas dos brancos abastados. Vatapá, caruru, xinxim, moqueca
já não são comidas de escravo, de negro africano; os africanos são cada vez mais raros. [...]
E, assim como chega às mesas ricas, a Bahia já começa a chegar também ao teatro musicado.
Então, as cômicas, no afã de personificarem, com perfeição, as negras minas das ruas, com sua
altivez, elegância e insolência, vão bater à porta de Honorata, em busca dos mais rendados cabeções
e batas, dos camisus mais sensuais, dos mais coloridos panos da costa, dos balangandãs, pulseiras
e colares mais reluzentes.
