Enunciado

Muitos pensam que narrativa curta é sinônimo de conto, perdendo de vista gêneros que,
por tradição ruim, continuam à margem da nobreza. Acontece que o conto tem uma
densidade específica, centrando-se na exemplaridade de um instante da condição humana,
sem que essa exemplaridade se refira à valoração moral, já que uma grande mazela pode
muito bem exemplificar uma das nossas faces. A crônica não tem essa característica.
Conservou a marca do registro circunstancial feito por narrador-repórter que relata um fato
para muitos leitores que formam um público determinado.
Mas que público é esse? Sendo a crônica uma soma de jornalismo e literatura (daí a
imagem do narrador-repórter), dirige-se a uma classe que tem preferência pelo jornal em
que ela é publicada, o que significa uma espécie de censura ou, pelo menos, de limitação: a
ideologia do veículo corresponde ao interesse dos seus consumidores, direcionados pelos
proprietários dos periódicos e/ou pelos editores-chefes da redação. Ocorre ainda o limite de
espaço, uma vez que a página comporta várias matérias, o que impõe a cada uma delas um
número restrito de laudas, obrigando o redator a explorar, da maneira mais econômica
possível, o pequeno espaço de que dispõe. É dessa economia que nasce sua riqueza
estrutural.
De acordo com esse texto, o aspecto tecnológico que influencia a composição do gênero
crônica advém da