Enunciado
Canção
No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas…
Numa das naves que afundaram

sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes

meus olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,

e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham

desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.
MEIRELES, C. In: SECCHIN, A. C. (Org.). Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
Na composição do poema, o tom elegíaco e solene manifesta uma concepção de lirismo
fundada na
A)
contradição entre a vontade da espera pelo ser amado e o desejo de fuga.
B)
expressão do desencanto diante da impossibilidade da realização amorosa.
C)
associação de imagens díspares indicativas de esperança no amor futuro.
D)
recusa à aceitação da impermanência do sentimento pela pessoa amada.
E)
consciência da inutilidade do amor em relação à inevitabilidade da morte.