Enunciado

Alguém muito recentemente cortara o mato, que na época das chuvas crescia
e rodeava a casa da mãe de Ponciá Vicêncio e de Luandi. Havia também
vestígios de que a terra fora revolvida, como se ali fosse plantar uma pequena
roça. Luandi sorriu. A mãe devia estar bastante forte, pois ainda labutava a
terra. Cantou alto uma cantiga que aprendera com o pai, quando eles
trabalhavam na terra dos brancos. Era uma canção que os negros mais velhos
ensinavam aos mais novos. Eles diziam ser uma cantiga de voltar, que os
homens, lá na África, entoavam sempre, quando estavam regressando da
pesca, da caça ou de algum lugar. O pai de Luandi, no dia em que queria
agradar à mulher, costumava entoar aquela cantiga ao se aproximar de casa.
Luandi não entendia as palavras do canto; sabia, porém, que era uma língua
que alguns negros falavam ainda, principalmente os velhos. Era uma cantiga
alegre. Luandi, além de cantar, acompanhava o ritmo batendo com as palmas
das mãos em um atabaque imaginário. Estava de regresso à terra. Voltava em
casa. Chegava cantando, dançando a doce e vitoriosa cantiga de regressar.
A leitura do texto permite reconhecer a "cantiga de voltar" como patrimônio
linguístico que