Enunciado
Ele se aproximou e com a voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe: ― E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear? ― Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa, antes que ele mudasse de ideia. ― E se me permite, qual é mesmo a sua graça? ― Macabea. ― Maca ― o quê? ― Bea, foi ela obrigada a completar. ― Me desculpe mas até parece doença, doença de pele. ― Eu também acho esquisito mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo — parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor ― pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...

Numa das vezes em que se encontraram ela afinal perguntou-lhe o nome. ― Olímpico de Jesus Moreira Chaves ― mentiu ele porque tinha como sobrenome apenas o de Jesus, sobrenome dos que não têm pai. [...] ― Eu não entendo o seu nome ― disse ela. ― Olímpico? Macabea fingia enorme curiosidade escondendo dele que ela nunca entendia tudo muito bem e que isso era assim mesmo. Mas ele, galinho de briga que era, arrepiou-se todo com a pergunta tola e que ele não sabia responder. Disse aborrecido: ― Eu sei mas não quero dizer! ― Não faz mal, não faz mal, não faz mal... a gente não precisa entender o nome.

Na passagem transcrita, a caracterização das personagens e o diálogo que elas estabelecem revelam alguns aspectos centrais da obra, entre os quais se destaca a