A marcha galopante das tecnologias teve por primeiro
resultado multiplicar em enormes proporções tanto a
massa das notícias que circulam quanto as ocasiões de
sermos solicitados por elas. Os profissionais têm tendência
a considerar esta inflação como automaticamente
favorável ao público, pois dela tiram proveito e tornam-
se obcecados pela imagem liberal do grande mercado
em que cada um, dotado de luzes por definição iguais,
pode fazer sua escolha em toda liberdade. Isso jamais
foi realizado e tende a nunca ser. Na verdade, os leitores,
ouvintes, telespectadores, mesmo se se abandonam a sua
bulimia*, não são realmente nutridos por esta indigesta
sopa de informações e sua busca finaliza em frustração.
Cada vez mais frequentemente, até, eles ressentem
esse bombardeio de riquezas falsas como agressivo e se
refugiam na resistência a toda ou qualquer informação.
O verdadeiro problema das sociedades pós-
industriais não é a penúria**, mas a abundância. As
sociedades modernas têm a sua disposição muito mais
do que necessitam em objetos, informações e contatos.
Ou, mais exatamente, disso resulta uma desarmonia
entre uma oferta, não excessiva, mas incoerente, e uma
demanda que, confusamente, exige uma escolha muito
mais rápida a absorver. Por isso os órgãos de informação
devem escolher, uma vez que o homem contemporâneo
apressado, estressado, desorientado busca uma linha
diretriz, uma classificação mais clara, um condensado do
que é realmente importante.
(*) fome excessiva, desejo descontrolado.
(**) miséria, pobreza.
Com o uso das novas tecnologias, os domínios
midiáticos obtiveram um avanço maior e uma presença
mais atuante junto ao público, marcada ora pela quase
simultaneidade das informações, ora pelo uso abundante
de imagens. A relação entre as necessidades da
sociedade moderna e a oferta de informação, segundo
o texto, é desarmônica, porque