Enunciado
O Rio Paraíba corria bem próximo ao cercado. E era tudo. Em tempos
antigos fora muito mais estreito. Os marizeiros e as ingazeiras
apertavam as duas margens e as águas corriam em leito mais fundo.
Agora era largo e, quando descia nas grandes enchentes, fazia medo.
Contava-se o tempo pelas eras das cheias. Isto se deu na cheia de
1893, aquilo se fez depois da cheia de 1868. Para nós, meninos, o rio
era mesmo a nossa serventia nos tempos de verão, quando as águas
partiam e se retinham nos poços. Os moleques saíam para lavar os
cavalos e íamos com eles. Punham-se os animais dentro d’água e
ficávamos nos banhos, nos cangapés. O leito do rio cobria-se de junco
e faziam-se plantações de batata-doce pelas vazantes. Era o bom
rio da seca a pagar o que fizera de mau nas cheias devastadoras.
E quando ainda não partia a corrente, o povo grande do engenho
armava banheiros de palha para o banho das moças. O rio para mim
seria um ponto de contato com o mundo.
