Enunciado
Em 1968, apesar da ditadura cada vez mais sufocante, em especial com o Ato Institucional número 5,
que abriu caminho para um regime de exceção que não tinha nenhum pudor em agir ao arrepio
da ordem legal para perseguir, prender, cassar, exilar e “desaparecer” opositores de todos os matizes
políticos, alguns movimentos ainda eram possíveis — como o Movimento Intersindical Antiarrocho
(MIA), uma frente contra as políticas econômicas que impunham perdas salariais aos trabalhadores,
a qual reunia sindicalistas de todos os matizes, moderados, comunistas e mesmo “pelegos” (em geral
identificados com o governo). No entanto, para que o modelo de desenvolvimento dependente e
excludente proposto pelos governos militares, elaborado em conjunto com as elites, funcionasse
a contento, era imprescindível que esses movimentos estivessem em silêncio — especialmente
o movimento sindical.
