Enunciado
Ed Mort só vai
Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Tenho um escritório numa
galeria de Copacabana entre um fliperama e uma loja de carimbos. Dá só para o
essencial, um telefone mudo e um cinzeiro. Mas insisto numa mesa e numa cadeira.
Apesar do protesto das baratas. Elas não vencerão. Comprei um jogo de máscaras.
No meu trabalho o disfarce é essencial. Para escapar dos credores. Outro dia entrei
na sala e vi a cara do King Kong andando pelo chão. As baratas estavam roubando as
máscaras. Espisoteei meia dúzia. As outras atacaram a mesa. Consegui salvar a minha
Bic e o jornal. O jornal era novo, tinha só uma semana. Mas elas levaram a agenda.
Saí ganhando. A agenda estava em branco. Meu último caso fora com a funcionária do
Erótica, a primeira ótica da cidade com balconista topless. Acabara mal. Mort. Ed Mort.
Está na plaqueta.
VERISSIMO, L. F. Ed Mort: todas as histórias. Porto Alegre: L&PM, 1997 (adaptado).
Nessa crônica, o efeito de humor é basicamente construído por uma