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Questão 39 de vestibular, ENEM 2022

Prova: ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL, 2022

Enunciado

Bondade fazia jus ao apelido. Não tinha pouso certo. Morava em lugar algum, a não ser

no coração de todos.

— Para que ter pouso certo? — dizia ele. — Homem devia ser que nem passarinho, ter

asas para voar. Já rodei. Já vivi favela e mais favela, já vivi debaixo de pontes, viadutos...

Já vivi matos e cidades. Já vaguei, vaguei... Muito tempo estou por aqui nesta favela. Aqui

é grande como uma cidade. Há tanto barraco para entrar, tanta gente para se gostar!

O tempo ia passando, Bondade ficando ali. Comia em casa de um, bebia em casa de outro.

Era amigo comum de dois ou mais inimigos. Não era traidor nem mediador também. Quando

chegava à casa de um, por mais que indagassem, por mais que futricassem, Bondade não

abria a boca. Desconversava, conversava, e a intriga morria logo. Vivia intensamente cada

lugar em que chegava. Cada casa, cada pessoa, cada miséria e grandeza a seu tempo

certo, no seu exato momento. EVARISTO, C. Becos da memória. Rio de Janeiro: Pallas, 2018.

No texto, o apelido dado ao personagem incorpora valores humanos relativos à sua

A)
generosidade em relação às demandas da comunidade onde vive.
B)
capacidade de desprendimento material e benevolência afetiva.
C)
experiência em ignorar as provocações de seus inimigos.
D)
coragem em assumir uma vida de solidão e privações.
E)
incapacidade de expressar emoções e sentimentos.
A resposta desta questão ainda não está disponível. Consulte a prova original para conferir o enunciado e o gabarito.

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