Enunciado
Menino de cidade — Papai, você deixa eu ter um cachorro no meu sítio? — Deixo.
— E um porquinho-da-índia? E ariranha? E macaco e quatro cabritos? E duzentos e
vinte pombas? E um boi? E vaca? E rinoceronte? — Rinoceronte não pode. — Tá bem,
mas cavalo pode, não pode? O sítio é apenas um terreno no estado do Rio sem maiores
perspectivas imediatas. Mas o garoto precisa acreditar no sítio como outras pessoas
precisam acreditar no céu. O céu dele é exatamente o da festa folclórica, a bicharada toda
e ele, que nasceu no Rio e vive nesta cidade sem animais.
CAMPOS, P. M. Balé do pato e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1988.
Nessa crônica, a repetição de estruturas sintáticas, além de fazer o texto progredir, ainda
contribui para a construção de seu sentido,