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Questão 32 de vestibular, ENEM 2025

Prova: ENEM 2025 - 1º Dia – Caderno 9 – Laranja (Braile e ledor) – Aplicação Regular - (Superampliada) - Belém, Ananindeua e Marituba, 2025

Enunciado

Enunciado original completo da questão 32 do ENEM 2025 - 1º Dia – Caderno 9 – Laranja (Braile e ledor) – Aplicação Regular - (Superampliada) - Belém, Ananindeua e Marituba, página 39.

A escrava Senti-me tocada de veneração em presença daquele amor filial, tão singelamente manifestado. — Sigamos, então, — tornei eu. Gabriel caminhava tão apressadamente que eu mal podia acompanhá-lo. Em menos de quinze minutos transpúnhamos o umbral da casinha, que há dois dias apenas eu habitava. Eu bem conhecia a gravidade do meu ato: recebia em meu lar dois escravos foragidos, e escravos talvez de algum poderoso senhor; era expor-me à vindita da lei; mas em primeiro lugar o meu dever, e o meu dever era socorrer aqueles infelizes. Sim, a vindita da lei; lei que infelizmente ainda perdura, lei que garante ao forte o direito abusivo, e execrando de oprimir o fraco. Mas, deixar de prestar auxílio àqueles desgraçados, tão abandonados, tão perseguidos, que nem para a agonia derradeira, nem para transpor esse tremendo portal da Eternidade, tinham sossego, ou tranquilidade! Não. Tomei com coragem a responsabilidade do meu ato: a humanidade me impunha esse santo dever. REIS, M. F. dos. A escrava. In: A escrava: antologia de prosa e versos. São Paulo: Metabiblioteca, 2021. Nesse fragmento, o ponto de vista da narradora inova na tradição observada no romance romântico, pois

A)
contradiz o ufanismo nacionalista vigente.
B)
aborda um tema deliberadamente silenciado.
C)
questiona a vulnerabilidade dos personagens.
D)
reconhece a gravidade da insubmissão às leis.
E)
expressa o sofrimento ante a iminência da morte.
Ver resposta correta e explicação

Alternativa correta: B

aborda um tema deliberadamente silenciado.

Por quê: A autora aborda de maneira frontal a escravidão e o abolicionismo em um contexto literário em que o tema frequentemente sofria silenciamentos ou tratamentos idealizados e superficiais. No texto, a narradora assume conscientemente o risco de abrigar escravos foragidos, criticando abertamente as leis vigentes que legitimavam a opressão. Isso rompe com o silenciamento tradicional da temática escravocrata em grande parte do romantismo brasileiro inicial.

Explicação sugerida por IA; confira o gabarito oficial da prova.

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