Enunciado

Senti-me tocada de veneração em presença daquele amor filial, tão singelamente manifestado.
– Sigamos, então, – tornei eu.
Gabriel caminhava tão apressadamente que eu mal podia acompanhá-lo.
Em menos de quinze minutos transpúnhamos o umbral da casinha, que há dois dias apenas eu
habitava.
Eu bem conhecia a gravidade do meu ato: recebia em meu lar dois escravos foragidos, e
escravos talvez de algum poderoso senhor; era expor-me à vindita da lei; mas em primeiro lugar o
meu dever, e o meu dever era socorrer aqueles infelizes.
Sim, a vindita da lei; lei que infelizmente ainda perdura, lei que garante ao forte o direito abusivo,
e execrando de oprimir o fraco.
Mas, deixar de prestar auxílio àqueles desgraçados, tão abandonados, tão perseguidos, que nem
para a agonia derradeira, nem para transpor esse tremendo portal da Eternidade, tinham
sossego, ou tranquilidade! Não.
Tomei com coragem a responsabilidade do meu ato: a humanidade me impunha esse santo
dever.
Nesse fragmento, o ponto de vista da narradora inova na tradição observada no romance
romântico, pois