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Questão 32 de vestibular, ENEM 2025

Prova: ENEM 2025 - 1º Dia – Caderno 9 – Laranja (Braile e ledor) – Aplicação Regular - (Ledor) - Belém, Ananindeua e Marituba, 2025

Enunciado

A escrava

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 32 do ENEM 2025 - 1º Dia – Caderno 9 – Laranja (Braile e ledor) – Aplicação Regular - (Ledor) - Belém, Ananindeua e Marituba.

— Sigamos, então, — tornei eu. Gabriel caminhava tão apressadamente que eu mal podia acompanhá-lo. Em menos de quinze minutos transpúnhamos o umbral da casinha, que há dois dias apenas eu habitava. Eu bem conhecia a gravidade do meu ato: recebia em meu lar dois escravos foragidos, e escravos talvez de algum poderoso senhor; era expor-me à vindita da lei; mas em primeiro lugar o meu dever, e o meu dever era socorrer aqueles infelizes. Sim, a vindita da lei; lei que infelizmente ainda perdura, lei que garante ao forte o direito abusivo, e execrando de oprimir o fraco. Mas, deixar de prestar auxílio àqueles desgraçados, tão abandonados, tão perseguidos, que nem para a agonia derradeira, nem para transpor esse tremendo portal da Eternidade, tinham sossego, ou tranquilidade! Não. Tomei com coragem a responsabilidade do meu ato: a humanidade me impunha esse santo dever.

Nesse fragmento, o ponto de vista da narradora inova na tradição observada no romance romântico, pois

A)
contradiz o ufanismo nacionalista vigente.
B)
aborda um tema deliberadamente silenciado.
C)
questiona a vulnerabilidade dos personagens.
D)
reconhece a gravidade da insubmissão às leis.
E)
expressa o sofrimento ante a iminência da morte.
Ver resposta correta e explicação

Alternativa correta: B

aborda um tema deliberadamente silenciado.

Por quê: O texto é um fragmento do romance abolicionista "A Escrava", de Maria Firmina dos Reis, que traz uma perspectiva feminina e crítica sobre a escravidão, tema frequentemente silenciado ou romantizado na literatura da época. A narradora assume conscientemente o risco de abrigar escravos foragidos, rompendo com a apatia ou a naturalização da violência institucional vigente. Portanto, a obra inova ao confrontar diretamente a desumanidade do cativeiro a partir da voz de uma mulher negra e abolicionista.

Explicação sugerida por IA; confira o gabarito oficial da prova.

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