Enunciado

Só entende os corações desse lugar quem mergulha nesse mar a perder de vista e
recoberto de cana caiana, cana fita, cana roxa, cana-de-macaco, açúcar, melado,
rapadura, aguardente, fumo, mandioca, quiabos, pimentas, moendas, frutas, fruta-pão,
sobrados, senzalas, tachos, casa de purgar. Um reino dentro de outro, com tudo o que se
tem direito: reis, rainhas, príncipes e princesas, bobos da corte, cortesãos, conselheiros e
escravos, muitos escravos. […]
A corte do massapé, como qualquer outra na história da humanidade, fazia tudo para não
deixar escapar nenhum mísero grão dos seus domínios para quem estivesse de fora do seu
apertado círculo. Os nomes se repetiam de pai para filho, para sobrinho, para netos e
bisnetos, de forma concêntrica e repetitiva, para que não pairasse nenhuma dúvida de que
são todos da mesma parentela. As farinhas todas num mesmo saco brasonado.
Nesse fragmento, o narrador enumera o resultado do trabalho com a terra, o qual, no
contexto em que aparece,