Enunciado
No Brasil q ue não respira “ é tudo pra ontem”
Pandemia de fumaça, seca e calor traz de volta os versos de
Emicida que nos acolheram nos anos da covid
O desânimo que toma conta de mim está espelhado nos olhos de quem encontro nestes dias de
fumaça e fogo. Escrevo do centro de São Paulo, quando a temperatura atinge 34 graus e a umidade
despenca para menos de 20%. “Já houve dias piores”, me lembra o vizinho, “esse agora é o novo normal”.
Agora a gente entra e sai, mas sem respirar, morrendo a cada dia um pouquinho no fogo que
queima de norte a sul, de leste a oeste, destruindo nossas riquezas compartilhadas. “Viver é partir,
voltar e repartir, morte é quando a tragédia vira um costume”, canta Emicida em É tudo pra ontem.
É uma tragédia sem fronteiras, como a covid, e dessa vez não podemos apontar para um vírus
nem apelar para as vacinas. Os culpados somos nós. Mesmo que sejam “os outros” a botar o fogo,
há quanto tempo consentimos?
