Enunciado
Alimentamos tantas expectativas de libertação para falarmos o que bem quisermos e para
criarmos tecnologias e mundos novos que nos descuidamos de prestar atenção na ascensão dos
monopólios das empresas de tecnologia, na construção de bolhas de informação que confirmam
pontos de vista e na cada vez mais real possibilidade de a internet virar uma TV a cabo, com o já
proclamado fim da neutralidade da rede. Tomamos um porre de otimismo. E agora estamos na
fase de ressaca, reféns dos monopólios da internet, da comercialização de qualquer dado
deixado na rede, das fake news chegando de todos os lados. Distopia pura.
O cerceamento da internet por empresas privadas é um dos elementos principais na construção
desse espírito. O que resta da internet hoje senão as plataformas, os softwares e os dispositivos
dessas empresas? Para a maioria da população brasileira e mundial, pouco. De acordo com um
dos criadores da ideia de realidade virtual, “a cultura digital nascente acreditava que tudo na
internet deveria ser público, gratuito. Ao mesmo tempo, amávamos nossos empreendedores de
tecnologia”. Como celebrar empreendedorismo se tudo é gratuito? Com um modelo baseado em
publicidade. Os sites de busca e as redes sociais nasceram gratuitos. Mas os algoritmos se
tornaram mais eficientes. E o que começou como propaganda não pode mais ser chamado de
propaganda. Hoje é modificação de comportamento.
Ao propor uma reflexão sobre a liberdade na internet, esse texto destaca o(a)