Enunciado

Volta e meia recebo cartinhas de fãs, e alguns são bem jovens, contando como meu
trabalho com a música mudou a vida deles. Fico no céu lendo essas coisas e me emociono
quando escrevem que não são aceitos pelos pais por serem diferentes, e como minhas
músicas são uma companhia e os libertam nessas horas de solidão.
Sinto que é mais complicado ser jovem hoje, já que nunca tivemos essa superpopulação no
planeta: haja competitividade, culto à beleza, ter filho ou não, estudar, ralar para arranjar
trabalho, ser mal remunerado, ser bombardeado com trocentas informações, lavagens
cerebrais...
Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa moçada e dizer a ela que a barra é
pesada mesmo, mas que a juventude está a seu favor e, de repente, a maré de tempestade
muda. Diria também um monte de clichê: que vale a pena estudar mais, pesquisar mais, ler
mais. Diria que não é sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade doente, que o
que é normal para uma aranha é o caos para uma mosca.
Meninada, sintam-se beijados pela vovó Rita.
Como estratégia para se aproximar de seu leitor, a autora usa uma postura de empatia
explicitada em