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Questão 18 de vestibular, ENEM 2023

Prova: ENEM 2023 - 1º Dia – Caderno 4 – Rosa (Superampliada) – Reaplicação/PPL, 2023

Enunciado

Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores,

coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente

consternará, é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem

cinquenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se,

na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma

livre de um Sterne, ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas

rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevia-a com a pena da

galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse

conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro

romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual;

ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são

as duas colunas máximas da opinião.

ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em:

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 18 do ENEM 2023 - 1º Dia – Caderno 4 – Rosa (Superampliada) – Reaplicação/PPL.
A)
desqualificar o gênero romance, forma literária à qual Machado de Assis pouco se dedicou.
B)
ressaltar a inverossimilhança dos fatos narrados, confrontados com a realidade da burguesia carioca do século XIX.
C)
criticar a sociedade burguesa brasileira da época, valendo-se do uso da terceira pessoa e do ponto de vista distanciado.
D)
sobrepor a “tinta da melancolia” ao aspecto humorístico, de modo a valorizar o tom sóbrio e a temática realista típicos do romance burguês brasileiro.
E)
fazer intromissões na narrativa, introduzindo pausas no relato durante as quais estabelece com o leitor um diálogo de tom sarcástico e provocativo.
Ver resposta correta e explicação

Alternativa correta: E

fazer intromissões na narrativa, introduzindo pausas no relato durante as quais estabelece com o leitor um diálogo de tom sarcástico e provocativo.

Por quê: O narrador-defunto Brás Cubas dialoga diretamente com o leitor logo no início da obra, antecipando críticas e adotando um tom irônico, livre e sarcástico característico do estilo machadiano. Essa metalinguagem rompe com o pacto ficcional tradicional e envolve o leitor em reflexões sobre a recepção da própria obra. As demais alternativas contêm incorreções factuais ou conceituais sobre o texto e o estilo do autor.

Explicação sugerida por IA; confira o gabarito oficial da prova.

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