Enunciado
A historiografia do país demonstra que foi necessário considerável esforço do colonizador
português em impor sua língua pátria em um território tão extenso. Trata-se de um
fenômeno político e cultural relevante o fato de, na atualidade, a língua portuguesa ser a
língua oficial e plenamente inteligível de norte a sul do país, apesar das especificidades
e da grande diversidade dos chamados “sotaques” regionais. Esse empreendimento
relacionado à imposição da língua portuguesa foi adotado como uma das estratégias de
dominação, ocupação e demarcação das fronteiras do território nacional, sucessivamente,
em praticamente todos os períodos e regimes políticos. Da Colônia ao Império, da República
ao Estado Novo e daí em diante.
Tomemos como exemplo o nheengatu, uma língua baseada no tupi antigo e que foi fruto
do encontro, muitas vezes belicoso e violento, entre o colonizador e as populações indígenas
da costa brasileira e de grande parte da Amazônia. Foi a língua geral de comunicação no
período colonial até ser banida pelo Marquês de Pombal, a partir de 1758, caindo em pleno
processo de desuso e decadência a partir de então. Foram falantes de nheengatu que
nominaram uma infinidade de lugares, paisagens, acidentes geográficos, rios e até cidades.
Atualmente, resta um pequeno contingente de falantes dessa língua no extremo norte do
país. É utilizada como língua franca em regiões como o Alto Rio Negro, sendo inclusive fator
de afirmação étnica de grupos indígenas que perderam sua língua original, como os Barés,
Arapaços, Baniwas e Werekenas. Disponível em: http://desafios.ipea.gov.br. Acesso em: 20 out. 2021 (adaptado).
Da leitura do texto, depreende-se que o patrimônio linguístico brasileiro é