Enunciado
O Cão-Tinhoso olhava-me com força. Os seus olhos azuis não tinham brilho nenhum,
mas eram enormes e estavam cheios de lágrimas que lhe escorriam pelo focinho. Metiam
medo aqueles olhos, assim tão grandes, a olhar como uma pessoa a pedir qualquer coisa
sem querer dizer. Quando eu olhava agora para dentro deles, sentia um peso muito maior
do que quando tinha a corda a tremer de tão esticada, com os ossos a querer fugir da minha
mão e com os latidos que saíam a chiar, afogados na boca fechada. [...]
A minha Ponto 22 de Um Tiro estava com um peso danado, e por isso o Cão-Tinhoso
fartava-se de dançar no ponto de mira. Só os olhos dele é que não se mexiam nada e
olhavam sempre para mim. Comecei a puxar o gatilho muito devagar.
HONWANA, L. B. Nós matamos o Cão-Tinhoso. Porto: Afrontamento, 2000 (adaptado).
No trecho, a dramaticidade da cena é reforçada pelo modo como o texto expressa o(a)