Enunciado
Em nenhum outro tipo de literatura a fantasia desempenha papel tão importante. Sapos se
transformam em príncipes, animais conversam com humanos, mesas se põem sozinhas e
contratempos insolúveis se resolvem de um parágrafo para outro. Essa falta de verossimilhança
não afasta o leitor. Pelo contrário, juntamente com o anonimato dos príncipes e princesas,
que não têm personalidade definida e vivem em terras distantes sem localização exata, ela
facilita a identificação com os personagens. O mundo da fantasia abre espaço para que coisas
desagradáveis, que não seriam toleradas em outros tipos de história, passem incólumes, como
bruxas comedoras de criancinha e anões cruéis que roubam bebês. Boa parte do fascínio dos
contos tem origem justamente nesse mundo sombrio. Contos de fadas não constituem sempre
histórias agradáveis polvilhadas com açúcar, como a casa de pão de ló de João e Maria. Pelo
contrário, as tramas são recheadas de malvadezas que sobrevivem às dezenas de adaptações.
Podem passar despercebidas, mas estão lá. Ou é inofensiva a história de uma menina e sua avó
que são devoradas vivas por um lobo? Ou é inocente o conto da menina que é sequestrada e
obrigada a passar a juventude trancada no alto de uma torre? E o que dizer do bebê condenado
à morte no dia do seu batizado? Disponível em: https://super.abril.com.br. Acesso em: 20 jun. 2019 (adaptado).
As perguntas ao final do texto estão relacionadas ao argumento segundo o qual contos de fadas