Enunciado
Eu sentia falta do futuro. É claro que eu sabia, muito mesmo antes da recorrência
dele, que nunca envelheceria. Era muito provável que eu nunca mais fosse ver o oceano
de uma altura de trinta mil pés de novo, uma distância tão grande que não dá nem
para distinguir as ondas, nem nenhum barco, de um jeito que faz o oceano parecer um
enorme e infinito monólito. Eu poderia imaginá-lo. Eu poderia me lembrar dele. Mas não
poderia vê-lo de novo, e me ocorreu que a ambição voraz dos seres humanos nunca
é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo
poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.
