Enunciado
TEXTO I
Fazendeiro branco, escravo negro: a imagem icônica produz a ilusão de que
a escravidão moderna foi um sistema de dominação racial. De fato, porém, foi um sistema
econômico. A escravidão acompanhou a humanidade durante milênios. Nas mais
diferentes sociedades, inclusive na África, gente de todas as cores escravizou gente de
todas as cores. O capitalismo mercantil acelerou a produção e o comércio de incontáveis
mercadorias — e, também, de escravos. Na sua moldura, o tráfico atlântico forneceu
africanos escravizados para as Américas.

O que nasceu primeiro, a escravidão ou o racismo? O tema é complexo, mas há
consenso de que o racismo estrutural na Afro-América é consequência da escravidão
atlântica. No Brasil, o racismo foi inscrito na própria linguagem, que definia o comércio de
escravizados como tráfico “negreiro” e qualificava a maioria de livres não brancos como
pessoas “de cor”. Existiam como sujeitos racializados mesmo quando conseguiam ter
acesso a algum capital econômico e simbólico para lutar contra o racismo, até mesmo
quando se tornavam senhores (ou senhoras) de escravos.
