Enunciado
A ausência quase completa de fantasmas na Bíblia deve ter favorecido também
a vontade de rejeição dos fantasmas pela cultura cristã. Várias passagens dos
Evangelhos manifestam mesmo uma grande reticência com relação a um culto
dos mortos: “Deixa os mortos sepultar os mortos”, diz Jesus (Mt 8:21), ou ainda:
“Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos” (Mt 22:32). Por certo, numerosos
mortos são ressuscitados por Jesus (e, mais tarde, por alguns de seus discípulos),
mas tal milagre — o mais notório possível segundo as classificações posteriores
dos hagiógrafos medievais — não é assimilável ao retorno de um fantasma.
Ele prefigura a própria ressurreição do Cristo três dias depois de sua Paixão. Antecipa
também a ressurreição universal dos mortos no fim dos tempos.
SCHMITT, J.-C. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. São Paulo: Cia. das Letras, 1999.
De acordo com o texto, a representação da morte ganhou novos significados nessa
religião para