Enunciado

Evanildo Bechara prepara a sua aposentadoria de pouco em pouco, como se a adiasse ao
máximo. Aos 95 anos, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) alcançou um status
de astro pop no mundo da filologia e da gramática. Quando ainda tinha saúde para viagens
mais longas, o filólogo lotava plateias em suas palestras na Europa e no Brasil, que não raro
terminavam com filas para selfies.
A idade acentuou o lado "cientista" e professoral de Bechara, que adota um tom técnico na
conversa até mesmo diante das perguntas mais pessoais. — "Qual o seu tipo preferido de
leitura?". — "A minha leitura está dividida em duas partes, a científica e a literária,
estabelecendo uma relação de causa e efeito entre elas." — responde.
Ainda adolescente, Bechara descobriu a lexicologia. Um "novo mundo" se abriu para o
pernambucano, que se mantém atento às metamorfoses do nosso idioma. Seu colega de
ABL, o filólogo Ricardo Cavaliere, se lembra de quando deu carona para o mestre e este
encucou com os estrangeirismos do aplicativo de navegação instalado no veículo. — "A
vozinha do aplicativo avisou que havia um radar de velocidade ‘reportado’ à frente", lembra
Cavaliere. — "Esse ‘reportado’ é uma importação, né?", notou Bechara.
Nesse texto, as falas atribuídas a Evanildo Bechara são representativas da variedade
linguística