Enunciado
Conseguindo, porém, escapar à vigilância dos interessados, e depois de curtir uma noite,
a mais escura de sua vida, numa espécie de jaula com grades de ferro, Amaro, que só temia
regressar à “fazenda”, voltar ao seio da escravidão, estremeceu diante de um rio muito largo
e muito calmo, onde havia barcos vogando em todos os sentidos, à vela, outros deitando
fumaça, e lá cima, beirando a água, um morro alto, em ponta, varando as nuvens, como ele
nunca tinha visto...
[...] todo o conjunto da paisagem comunicava-lhe uma sensação tão forte de liberdade e
vida, que até lhe vinha vontade de chorar, mas chorar francamente, abertamente, na presença
dos outros, como se estivesse enlouquecendo... Aquele magnífico cenário gravara-se-lhe
na retina para toda a existência; nunca mais o havia de esquecer, oh! Nunca mais! Ele, o
escravo, “o negro fugido”, sentia-se verdadeiramente homem, igual aos outros homens,
feliz de o ser, grande como a natureza, em toda a pujança viril da sua mocidade, e tinha
pena, muita pena dos que ficavam na “fazenda” trabalhando, sem ganhar dinheiro, desde a
madrugadinha té... sabe Deus! CAMINHA, A. Bom Crioulo. São Paulo: Martin Claret, 2008.
A situação descrita no fragmento aproxima-o dos padrões estéticos do Naturalismo em
função da