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Questão 43 de vestibular, ENEM 2019

Prova: ENEM 2019 - 1º Dia – Caderno 1 – Azul (Ampliada) – Reaplicação/PPL, 2019

Enunciado

Você vende uma casa, depois de ter morado nela durante anos; você a conhece

necessariamente melhor do que qualquer comprador possível. Mas a justiça é, então,

informar o eventual comprador acerca de qualquer defeito, aparente ou não, que possa

existir nela, e mesmo, embora a lei não obrigue a tanto, acerca de algum problema

com a vizinhança. E, sem dúvida, nem todos nós fazemos isso, nem sempre, nem

completamente.

Mas quem não vê que seria justo fazê-lo e que somos injustos não o fazendo? A lei

pode ordenar essa informação ou ignorar o problema, conforme os casos; mas a justiça

sempre manda fazê-lo.

Dir-se-á que seria difícil, com tais exigências, ou pouco vantajoso, vender casas...

Pode ser. Mas onde se viu a justiça ser fácil ou vantajosa? Só o é para quem a recebe ou

dela se beneficia, e melhor para ele; mas só é uma virtude em quem a pratica ou a faz.

Devemos então renunciar nosso próprio interesse? Claro que não. Mas devemos

submetê-lo à justiça, e não o contrário. Senão? Senão, contente-se com ser rico e não

tente ainda por cima ser justo.

COMTE-SPONVILLE, A. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

No processo de convencimento do leitor, o autor desse texto defende a ideia de que

A)
o interesse do outro deve se sobrepor ao interesse pessoal.
B)
a atividade comercial lucrativa é incompatível com a justiça.
C)
a criação de leis se pauta por princípios de justiça.
D)
o impulso para a justiça é inerente ao homem.
E)
a prática da justiça pressupõe o bem comum.
A resposta desta questão ainda não está disponível. Consulte a prova original para conferir o enunciado e o gabarito.

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