Enunciado
A Língua da Tabatinga, falada na cidade de Bom Despacho, Minas Gerais, foi por
muito tempo estigmatizada devido à sua origem e à própria classe social de seus
falantes, pois, segundo uma pesquisadora, era falada por “meninos pobres vindos da
Tabatinga ou de Cruz de Monte — ruas da periferia da cidade cujos habitantes sempre
foram tidos por marginais”. Conhecida por antigos como a “língua dos engraxates”,
pois muitos trabalhadores desse ofício conversavam nessa língua enquanto lustravam
sapatos na praça da matriz, a Língua da Tabatinga era utilizada por negros escravizados
como uma espécie de “língua secreta”, um código para trocarem informações de como
conseguir alimentos, ou para planejar fugas de seus senhores sem risco de serem
descobertos por eles.
De acordo com um documento do Iphan (2011), os falantes da língua apresentam
uma forte consciência de sua relação com a descendência africana e da importância de
preservar a “fala que os identifica na região”. Essa mudança de compreensão tangencia
aspectos de pertencimento, pois, à medida que o falante da Língua da Tabatinga se
identifica com a origem afro-brasileira, ele passa a ver essa língua como um legado
recebido e tem o cuidado de transmiti-la para outras gerações. A concentração de
falantes dessa língua está na faixa entre 21 e 60 anos de idade.
