Enunciado
Toda a cidade derrota esta fome universal, uns dão a culpa total à câmara, outros à frota: a frota tudo abarrota dentro dos escotilhões, a carne, o peixe, os feijões; e se a câmara olha e ri, porque anda farta até aqui, e coisa que me não toca: Ponto em boca.
Se dizem que o marinheiro nos precede a toda a lei, porque é serviço d’EI-Rei, concedo que está primeiro: mas tenho por mais inteiro o conselho que reparte, com igual mão e igual arte, por todos, jantar e ceia; mas frota com tripa cheia, e povo com pança oca, Ponto em boca.

No fragmento do poema, alinhado ao período barroco, a repetição do verso “Ponto em boca”, que arremata as estrofes, representa