Enunciado

Toda a cidade derrota esta fome universal, uns dão a culpa total à câmara, outros à frota: a frota tudo abarrota dentro dos escotilhões, a carne, o peixe, os feijões; e se a câmara olha e ri, porque anda farta até aqui, e coisa que me não toca: Ponto em boca. Se dizem que o marinheiro nos precede a toda a lei, porque é serviço d’EI-Rei, concedo que está primeiro: mas tenho por mais inteiro o conselho que reparte, com igual mão e igual arte, por todos, jantar e ceia; mas frota com tripa cheia, e povo com pança oca, Ponto em boca. GUERRA, G. M. Poemas escolhidos. São Paulo: Cia. das Letras, 2010 (fragmento). No fragmento do poema, alinhado ao período barroco, a repetição do verso “Ponto em boca”, que arremata as estrofes, representa