Enunciado
Autobiografia de José Saramago
Nasci numa família de camponeses sem terra, em Azinhaga, uma pequena povoação
situada na província do Ribatejo, na margem direita do Rio Almonda, a uns cem
quilômetros a nordeste de Lisboa. Meus pais chamavam-se José de Sousa e Maria da
Piedade. José de Sousa teria sido também o meu nome se o funcionário do Registro Civil,
por sua própria iniciativa, não lhe tivesse acrescentado a alcunha por que a família de meu
pai era conhecida na aldeia: Saramago. (Cabe esclarecer que saramago é uma planta
herbácea espontânea, cujas folhas, naqueles tempos, em épocas de carência, serviam
como alimento na cozinha dos pobres.) Só aos sete anos, quando tive de apresentar na
escola primária um documento de identificação, é que se veio a saber que o meu nome
completo era José de Sousa Saramago… Não foi este, porém, o único problema de
identidade com que fui fadado no berço. Embora tivesse vindo ao mundo no dia 16 de
novembro de 1922, os meus documentos oficiais referem que nasci dois dias depois, a 18:
foi graças a esta pequena fraude que a família escapou ao pagamento da multa por falta
de declaração do nascimento no prazo legal.
Disponível em: www.josesaramago.org. Acesso em: 7 dez. 2017 (adaptado).
No texto, o autor discute o poder que os documentos oficiais exercem sobre a vida das
pessoas. Qual fato torna isso evidente?