Enunciado
1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e
da temeridade.
2. A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos essenciais
de nossa poesia.
3. A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o
êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a
insônia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco.
4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se
de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida
com seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes
de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a
metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.
5. Nós queremos entoar hinos ao homem que segura o volante, cuja
haste ideal atravessa a Terra, lançada também numa corrida sobre o
circuito da sua órbita.
6. É preciso que o poeta prodigalize com ardor, fausto e
munificiência, para aumentar o entusiástico fervor dos elementos
primordiais.
