Enunciado
A busca do “texto oculto” na leitura de notícias
Os meus colegas jornalistas que me perdoem, mas não dá mais para ler uma notícia
de jornal apenas pelo que está publicado. O nosso universo informativo ficou muito mais
complexo depois do surgimento da avalanche informativa na internet.
Esse fenômeno, inédito na história do jornalismo, está nos obrigando a tomar uma notícia
de jornal apenas como um ponto de partida para uma análise que, necessariamente, envolve
a preocupação em descobrir o contexto do que foi publicado. A notícia de jornal não é mais a
verdade definitiva, mas a porta de entrada numa realidade desconhecida e inevitavelmente
complexa, contraditória e diversa.
A principal mudança que todos nós teremos que incorporar às nossas rotinas informativas
é a necessidade de sermos críticos em relação às notícias que leremos, ouviremos ou
assistiremos.
A busca de um novo modelo de formatação de notícias baseado numa cultura da
diversificação informativa está apenas começando. O público passou a ter uma importância
estratégica na atividade profissional porque os jornalistas necessitam, cada vez mais, dos
blogs pessoais, das páginas da web e das postagens em redes sociais como fonte de
notícias. A histórica dependência de fontes governamentais e corporativas está rapidamente
sendo substituída pela notícia oriunda de comunidades, grupos sociais organizados e
influenciadores digitais. A agenda de notícias das elites perde espaço para a agenda do
público.
É essa nova forma de ver a realidade que está na base da necessidade do chamado
“texto oculto”, um jargão acadêmico para uma diversificação na nossa nova forma de ler,
ouvir e ver notícias. CASTILHO, C. Disponível em: www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 30 out. 2021 (adaptado).
Ao problematizar os modos de ler notícias e a necessidade de se buscar o chamado “texto
oculto”, o texto defende que esse processo implicará