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Questão 22 de vestibular, ENEM 2022

Prova: ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Aplicação Regular, 2022

Enunciado

O complexo de falar difícil

O que importa realmente é que o(a) detentor(a) do notável saber jurídico saiba quando e

como deve fazer uso desse português versão 2.0, até porque não tem necessidade de alguém

entrar numa padaria de manhã com aquela cara de sono falando o seguinte: “Por obséquio,

Vossa Senhoria teria a hipotética possibilidade de estabelecer com minha pessoa uma relação

de compra e venda, mediante as imposições dos códigos Civil e do Consumidor, para que seja

possível a obtenção de 10 pãezinhos em temperatura estável para que a relação pecuniária no

valor de R$ 5,00 seja plenamente legítima e capaz de saciar minha fome matinal?”.

O problema é que temos uma cultura de valorizar quem demonstra ser inteligente ao invés

de valorizar quem é. Pela nossa lógica, todo mundo que fala difícil tende a ser mais inteligente

do que quem valoriza o simples, e 99,9% das pessoas que estivessem na padaria iriam ficar

boquiabertas se alguém fizesse uso das palavras que eu disse acima em plenas 7 da manhã

em vez de dizer: “Bom dia! O senhor poderia me vender cinco reais de pão francês?”.

Agora entramos na parte interessante: o que realmente é falar difícil? Simplesmente fazer

uso de palavras que a maioria não faz ideia do que seja é um ato de falar difícil? Eu penso

que não, mas é assim que muita gente age. Falar difícil é fazer uso do simples, mas com

coerência e coesão, deixar tudo amarradinho gramaticalmente falando. Falar difícil pode

fazer alguém parecer inteligente, mas não por muito tempo. É claro que em alguns momentos

não temos como fugir do português rebuscado, do juridiquês propriamente dito, como no

caso de documentos jurídicos, entre outros. ARAÚJO, H. Disponível em: www.diariojurista.com. Acesso em: 20 nov. 2021 (adaptado).

Nesse artigo de opinião, ao fazer uso de uma fala rebuscada no exemplo da compra do pão,

o autor evidencia a importância de(a)

A)
se ter um notável saber jurídico.
B)
valorização da inteligência do falante.
C)
falar difícil para demonstrar inteligência.
D)
coesão e da coerência em documentos jurídicos.
E)
adequação da linguagem à situação de comunicação.
A resposta desta questão ainda não está disponível. Consulte a prova original para conferir o enunciado e o gabarito.

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