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Questão 18 de vestibular, ENEM 2024

Prova: ENEM 2024 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco – Aplicação Regular, 2024

Enunciado

— Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma! Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. — Não pode? — perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode. — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia. RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009.

Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita que

A)
diferencia a produção artística do registro padrão da língua.
B)
aproxima a literatura de dialetos sociais de pouco prestígio.
C)
defende a relação entre a fala e o estilo literário de um autor.
D)
contrapõe o preciosismo linguístico a situações de coloquialidade.
E)
associa o uso da norma culta à ocorrência de desentendimentos pessoais.
Ver resposta correta e explicação

Alternativa correta: D

contrapõe o preciosismo linguístico a situações de coloquialidade.

Por quê: O trecho retrata um conflito sobre a linguagem literária baseada no artificialismo e no preciosismo, defendido por Azevedo Gondim, em oposição à naturalidade da fala coloquial defendida pelo narrador. Enquanto o personagem acredita que "arranjar palavras com tinta" exige um tom empulhado e distante do cotidiano, o narrador defende que a escrita deveria refletir a língua falada. Essa contraposição evidencia a crítica ao formalismo linguístico exagerado na literatura.

Explicação sugerida por IA; confira o gabarito oficial da prova.

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