Enunciado
A característica fundamental no aprendizado das práticas rituais nos candomblés é o processo
iniciático e participante. Durante o período de reclusão em terreiros ou rocas, o iniciado passa por
uma série de ritos esotéricos (banhos rituais, raspagem da cabeça etc.), ao mesmo tempo em que
começa a adquirir um complexo código de símbolos materiais (substâncias, folhas, frutos, raízes etc.)
e de gestos associados a um repertório linguístico específico das cerimônias que se desenrolam nos
contextos sagrados em geral e em cada terreiro em particular.
Esse repertório linguístico, genericamente chamado de “língua de santo” na Bahia, compreende
uma terminologia religiosa operacional, de caráter mágico-semântico e de aparente forma portuguesa,
mas que repousa sobre sistemas lexicais de diferentes línguas africanas que provavelmente foram
faladas no Brasil escravocrata, vindo a constituir uma língua ritual, que se acredita pertencer à nação
do vodum, do orixá ou do inquice, e não a determinada nação africana política atual.
