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Questão 13 de vestibular, ENEM 2023

Prova: ENEM 2023 - 1º Dia – Caderno 2 – Amarelo – Aplicação Regular, 2023

Enunciado

Enquanto estivemos entretidos com os urubus outras coisas andaram acontecendo na cidade. A Companhia baixou novas proibições, umas inteiramente bobocas, só pelo prazer de proibir (ninguém podia cuspir pra cima, nem carregar água em jacá, nem tapar o sol com peneira, como se todo mundo estivesse abusando dessas esquisitices); mas outras bem irritantes, como a de pular muro pra cortar caminho, tática que quase todo mundo que não sofria de reumatismo vinha adotando ultimamente, principalmente os meninos. E não confiando na proibição só, nem na força dos castigos, que eram rigorosos, a Companhia ainda mandou fincar cacos de garrafa nos muros. Achei isso um exagero, e comentei o assunto com mamãe. Meu pai ouviu lá do quarto e veio explicar. Disse que em épocas normais bastava uma coisa ou outra; mas agora a Companhia não podia admitir nenhuma brecha em suas ordens; se alguém desobedecesse à proibição podia se cortar nos cacos; se alguém conseguisse pular um muro quebrando o corte de alguns cacos, ou jogando um couro por cima, era apanhado pela proibição, nhoc — e fez o gesto de quem torce o pescoço de um frango.

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 13 do ENEM 2023 - 1º Dia – Caderno 2 – Amarelo – Aplicação Regular.

Sob a perspectiva do menino que narra, os fatos ficcionais oferecem um esboço do momento político vigente na década de 1970, aqui representado pelo

A)
culto ao medo, infiltrado em situações do cotidiano.
B)
sentimento de dúvida quanto à veracidade das informações.
C)
a mbiente de sonho, delineado por imagens perturbadoras.
D)
i ncentivo ao desenvolvimento econômico com a iniciativa privada.
E)
espaço urbano marcado por uma política de isolamento das crianças.
Ver resposta correta e explicação

Alternativa correta: A

culto ao medo, infiltrado em situações do cotidiano.

Por quê: O texto retrata um ambiente de forte repressão, proibições arbitrárias, castigos rigorosos e vigilância constante impostos por uma autoridade totalitária (a Companhia), refletindo o clima de terror e controle característico da ditadura militar brasileira nos anos 1970. Essa atmosfera opressiva infiltra-se nas pequenas situações do cotidiano dos cidadãos, gerando medo e cerceamento de liberdade. As demais alternativas apresentam interpretações incorretas ou desconectadas da crítica política alegórica presente na obra de J. J. Veiga.

Explicação sugerida por IA; confira o gabarito oficial da prova.

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