Enunciado
Noites do Bogart O Xavier chegou com a namorada mas, prudentemente, não a levou para a mesa com o grupo. Abanou de longe. Na mesa, as opiniões se dividiam. — Pouca vergonha. — Deixa o Xavier. — Podia ser a filha dele. — Aliás, é colega da filha dele. Na sua mesa, o Xavier pegara na mão da moça. — Está gostando? — Pô. Só. — Chocante, né? — disse o Xavier. E depois ficou na dúvida. Ainda se dizia “chocante”? Beberam em silêncio. E ele disse: — Quer dançar? E ela disse, sem pensar: — Depois, tio. E ficaram em silêncio. Ela pensando “será que ele ouviu?”. E ele pensando “faço algum comentário a respeito, ou deixo passar?”. Decidiu deixar passar. Mas, pelo resto da noite aquele “tio” ficou em cima da mesa, entre os dois, latejando como um sapo. Ele a levou em casa. Depois voltou. Sentou com os amigos. — Aí, Xavier. E a namorada? Ele não respondeu.

O efeito de humor no texto é produzido com o auxílio da quebra de convenções sociais de uso da língua. Na interação entre o casal de namorados, isso é decorrente