Enunciado
Há o hipotrélico. O termo é novo, de impensada origem e ainda sem definição que lhe apanhe em todas as pétalas o significado. Sabe-se, só, que vem do bom português. Para a prática, tome-se hipotrélico querendo dizer: antipodático, sengraçante imprizido; ou talvez, vice- dito: indivíduo pedante, importuno agudo, falta de respeito para com a opinião alheia. Sob mais que, tratando-se de palavra inventada, e, como adiante se verá, embirrando o hipotrélico em não tolerar neologismos, começa ele por se negar nominalmente a própria existência.

Nesse trecho de uma obra de Guimarães Rosa, depreende-se a predominância de uma das funções da linguagem, identificada como
A)
metalinguística, pois o trecho tem como propósito
essencial usar a língua portuguesa para explicar
a própria língua, por isso a utilização de vários
sinônimos e definições.
B)
referencial, pois o trecho tem como principal objetivo
discorrer sobre um fato que não diz respeito ao
escritor ou ao leitor, por isso o predomínio da terceira
pessoa.
C)
fática, pois o trecho apresenta clara tentativa de
estabelecimento de conexão com o leitor, por isso
o emprego dos termos “sabe-se lá” e “tome-se
hipotrélico”.
D)
poética, pois o trecho trata da criação de palavras
novas, necessária para textos em prosa, por isso o
emprego de “hipotrélico”.
E)
expressiva, pois o trecho tem como meta mostrar a
subjetividade do autor, por isso o uso do advérbio de
dúvida “talvez”.