Enunciado
À garrafa Contigo adquiro a astúcia de conter e de conter-me. Teu estreito gargalo é uma lição de angústia. Por translúcida pões o dentro fora e o fora dentro para que a forma se cumpra e o espaço ressoe. Até que, farta da constante prisão da forma, saltes da mão para o chão e te estilhaces, suicida, numa explosão de diamantes.

A reflexão acerca do fazer poético é um dos mais marcantes atributos da produção literária contemporânea, que, no poema de José Paulo Paes, se expressa por um(a)
A)
reconhecimento, pelo eu lírico, de suas limitações
no processo criativo, manifesto na expressão “Por
translúcida pões”.
B)
subserviência aos princípios do rigor formal e dos
cuidados com a precisão metafórica, como se
observa em “prisão da forma”.
C)
visão progressivamente pessimista, em face da
impossibilidade da criação poética, conforme
expressa o verso “e te estilhaces, suicida”.
D)
processo de contenção, amadurecimento e
transformação da palavra, representado pelos versos
“numa explosão / de diamantes”.
E)
necessidade premente de libertação da prisão
representada pela poesia, simbolicamente comparada
à “garrafa” a ser “estilhaçada”.