Enunciado
TExTO I Até então, a identidade nacional trazia inúmeros elementos europeus. A elite brasileira via no Velho Mundo o modelo de sociedade. Roupas, construções, cultura, tudo tinha a marca da Europa — uma espécie de chancela que atestava qualidade e importância. O genuinamente nacional era menosprezado ou, pelo menos, colocado em segundo plano. Somente em 1922, exatos cem anos após a independência, com a Semana de Arte Moderna de São Paulo, surgem sinais vigorosos de rompimento com a lógica vigente.
Um grupo de jovens artistas se reúne e denuncia a subserviência a padrões culturais distantes da realidade brasileira. Oswald e Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, entre outros, defendem a valorização de elementos característicos do país na literatura, nas artes plásticas, na arquitetura e em todos os campos da vida nacional.
TExTO II Macunaíma dandava pra ganhar vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaiamuns diz-que habitando a água doce por lá. No mucambo si alguma cunhatã se aproximava dele para fazer festinha, Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia na cara. Porém respeitava os velhos e frequentava com aplicação a murua a poracê o torê o bocorocô a cucuicoque, todas essas danças religiosas.
Mário de Andrade pesquisou palavras, expressões e termos utilizados nos vários lugares do Brasil, valorizando o patrimônio linguístico brasileiro. Considerando a leitura dos dois textos, percebe-se que o Texto II