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Questão 116 de vestibular, ENEM 2012

Prova: 2012 2 Dia Prova Cinza, 2012

Enunciado

Pote Cru é meu pastor. Ele me guiará. Ele está comprometido de monge. De tarde deambula no azedal entre torsos de cachorro, trampas, trapos, panos de regra, couros, de rato ao podre, vísceras de piranhas, baratas albinas, dálias secas, vergalhos de lagartos, linguetas de sapatos, aranhas dependuradas em gotas de orvalho etc. etc. Pote Cru, ele dormia nas ruínas de um convento Foi encontrado em osso. Ele tinha uma voz de oratórios perdidos.

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 116 do ENEM 2012 - 2º Dia - Caderno 6 - Cinza – Aplicação regular.

Ao estabelecer uma relação com o texto bíblico nesse poema, o eu lírico identifica-se com Pote Cru porque

A)
entende a necessidade de todo poeta ter voz de oratórios perdidos.
B)
elege-o como pastor a fim de ser guiado para a salvação divina.
C)
valoriza nos percursos do pastor a conexão entre as ruínas e a tradição.
D)
necessita de um guia para a descoberta das coisas da natureza.
E)
acompanha-o na opção pela insignificância das coisas.
Ver resposta correta e explicação

Alternativa correta: E

acompanha-o na opção pela insignificância das coisas.

Por quê: A enumeração de restos, detritos e elementos marginais, como trapos, couros de rato e vísceras, reflete a poética de Manoel de Barros voltada para a valorização do que é ínfimo e desprovido de valor comercial. Ao parodiar o Salmo 23 ("O Senhor é meu pastor"), o eu lírico elege Pote Cru — figura associada a essa mesma condição marginal e humilde — como seu guia nessa contemplação do insignificante. Portanto, a identificação ocorre justamente no compartilhamento dessa sensibilidade voltada para as coisas desprezadas.

Explicação sugerida por IA; confira o gabarito oficial da prova.

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