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ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL: questões

Instituição:
ENEM
Ano:
2022
Etapa:
1 dia
Páginas no PDF:
64
Questões:
95

Consulte o caderno de questões do ENEM 2022, 1º dia, reaplicação/ppl. O PDF foi obtido na página oficial de provas e gabaritos do Inep. O gabarito oficial está disponível para download.

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Questões da prova

Questão 1 (inglês)

How little we know of what there is to know. I wish that I were going to live a long time

instead of going to die today because I have learned much about life in these four days;

more, I think than in all other time. I’d like to be an old man to really know. I wonder if you

keep on learning or if there is only a certain amount each man can understand. I thought

I knew so many things that I know nothing of. I wish there was more time. HEMINGWAY, E. For Whom the Bells Toll. Madison, Wisconsin: Demco Media, 1995.

Nessa passagem de um clássico de Ernest Hemingway, o narrador

  1. A)
    reclama de seu envelhecimento.
  2. B)
    manifesta seu contentamento.
  3. C)
    lamenta sua condição.
  4. D)
    exibe sua sabedoria.
  5. E)
    anseia por sua partida.

Questão 2 (inglês)

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 2 (inglês) do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Disponível em: www.gooddeedsthrift.com. Acesso em: 25 out. 2021 (adaptado).

Esse infográfico, composto de textos verbais e não verbais, tem por finalidade

  1. A)
    demonstrar como a indústria da moda agrava a poluição.
  2. B)
    abordar o crescimento da produção de roupas nas últimas décadas.
  3. C)
    expor como a indústria da moda depende da indústria petrolífera.
  4. D)
    apresentar o efeito do aumento da poluição na confecção de roupas.
  5. E)
    evidenciar o investimento da indústria da moda em novos mercados.

Questão 3 (inglês)

Letter to the Editor

Michael Gerson’s Oct. 19 Tuesday Opinion column, “The state laboratory of idiocracy

strikes again” did not highlight the disservice done to the Black community or any

other minority group affected by White history. I wonder about how this will manipulate

the perceptions of minorities in the eyes of students. The misguided stereotypes

and assumptions perpetuated by these curriculum restrictions will likely prevent

Black Americans from expressing themselves safely.

It’s plausible to assume that continued miseducation over generations could create a

sense of false comfort for Black Americans. Without proper access to history, minorities

might begin to forget the oppression they have faced and the injustices they are

currently dealing with. Lacking this vital historical education only serves to continue

the longstanding issue of misinformation in modern generations.

The problems are only the start of the issues that could begin to plague the

American education system.

Riley Kilcarr, Springfield. Disponível em: www.washingtonpost.com. Acesso em: 29 out. 2021.

O autor dessa carta se reporta ao editor de um jornal para

  1. A)
    criticar uma matéria.
  2. B)
    manipular estudantes.
  3. C)
    atacar uma comunidade.
  4. D)
    revelar uma premonição.
  5. E)
    propagar desinformação.

Questão 4 (inglês)

We walked on, the stranger walking with us. Taylor Franklin Bankole. Our last names

an instant bond between us. We’re both descended from men who assumed

African surnames back during the 1960s. His father and my grandfather had had their

names legally changed, and both had chosen Yoruba replacement names.

“Most people chose Swahili names in the ’60s”, Bankole told me. He wanted to be called

Bankole. “My father had to do something different. All his life he had to be different”.

“I don’t know my grandfather’s reasons”, I said. “His last name was Broome before

he changed it, and that was no loss’. But why he chose Olamina…? Even my father didn’t

know. He made the change before my father was born, so my father was always Olamina,

and so were we. BUTLER, O. E. Parable of the Sower. New York: Hachette, 2019 (adaptado).

Nesse trecho do romance Parable of the Sower, os nomes “Bankole” e “Olamina” representam o(a)

  1. A)
    priorização do uso do inglês.
  2. B)
    resgate da identidade africana.
  3. C)
    existência de conflitos de gerações.
  4. D)
    afastamento da convivência familiar.
  5. E)
    desconhecimento de origens genealógicas.

Questão 5 (inglês)

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 5 (inglês) do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Disponível em: https://twitter.com/cqfluency. Acesso em: 23 ago. 2017.

Os recursos verbais e não verbais do cartum fazem referência a situações comuns

em aeroportos, motivadas pelo fato de que os(as)

  1. A)
    hábitos culturais são diversos.
  2. B)
    mulheres são ignoradas.
  3. C)
    pessoas são impacientes.
  4. D)
    saguões são congestionados.
  5. E)
    atendentes são desqualificados.

Questão 1 (espanhol)

Como en casa

Me he estado bañando en playas del Caribe, con ganas de volver

he andado por la Gran Manzana inclusive, a punto de devolver

yo he estado en todas partes

he visitado museos, he sentido el arte

he tenido empleos feos, y a veces he dormido parques […]

entre gente buena y gente mala...

he cambiado de gustos y de forma de ser

he perdido el contacto con todos para no perder mi fe

he tocado en Holanda, Alemania, México, Chile, ¡qué!

y he tocado en las salas minúsculas, no te olvides, man […]

he perdido muchas riendas y he cuidado muchos detalles

he conocido muchos sitios y muchas cosas he probado

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 1 (espanhol) do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

este es... mi sitio, mi calle, mi plaza

mis bares, mi clima, mi centro... es mi casa...

Año tras año con los mismos conceptos

Creo, no necesito mucho más que esto TOTEKING. T.O.T.E. Madri: BOA Música, 2008 (fragmento).

A expressão “Como en casa”, que intitula o texto, evidencia seu tema central, que é a

  1. A)
    defesa da postura de rebeldia condizente com o universo do rap.
  2. B)
    valorização da cultura no processo de formação do compositor.
  3. C)
    expressão do sentimento de pertencimento ao lugar de origem.
  4. D)
    revelação das dificuldades enfrentadas para tornar-se músico.
  5. E)
    negação da ostentação própria do mundo do entretenimento.

Questão 2 (espanhol)

Amistad

Lo que no tenemos lo encontramos en el amigo. Creo en este obsequio y lo cultivo desde la

infancia. No soy en ello diferente de la mayor parte de los seres humanos. La amistad es

la gran liga inicial entre el hogar y el mundo. El hogar, feliz o infeliz, es el aula de nuestra

sabiduría original pero la amistad es su prueba. Recibimos de la familia, confirmamos en la

amistad. Las variaciones, discrepancias o similitudes entre la familia y los amigos determinan

las rutas contradictorias de nuestras vidas. Aunque amemos nuestro hogar, todos pasamos

por el momento inquieto o inestable del abandono (aunque lo amemos, aunque en él

permanezcamos). El abandono del hogar sólo tiene la recompensa de la amistad. Es más:

sin la amistad externa, la morada interna se derrumbaría. La amistad no le disputa a la

familia los inicios de la vida. Los confirma, los asegura, los prolonga. La amistad le abre el

camino a los sentimientos que sólo pueden crecer fuera del hogar. Encerrados en la casa

familiar, se secarían como plantas sin agua. Abiertas las puertas de la casa, descubrimos

formas del amor que hermanan al hogar y al mundo. Estas formas se llaman amistades.

FUENTES, C. En esto creo. Barcelona: Seix Barral, 2002 (adaptado).

Carlos Fuentes faz uma reflexão sobre o papel da amizade na vida das pessoas. Na sua

concepção, a amizade

  1. A)
    desenvolve a afetividade não vivenciada no ambiente familiar.
  2. B)
    recompensa a experiência de crescer em um lar infeliz.
  3. C)
    reafirma valores adquiridos nas relações familiares.
  4. D)
    provoca disputa entre família e amigos.
  5. E)
    gera novos sentimentos no âmbito familiar.

Questão 3 (espanhol)

Diego Rosales viste y habla como gaucho. Para poder sobrevivir, dice, sus antepasados

resignaron la cultura mapuche. Hubo entonces mestizaje y se acriollaron. “Con la ayuda

de la Confederación Mapuche de Neuquén retomamos la cultura y la lengua mapuche.

Tomamos cursos para recuperar una identidad que habíamos perdido. También, para pelear

por nuestros derechos ante los órganos públicos”, se sincera Rosales. A su lado, Inocencia,

de 80 años, que conserva la lengua de su etnia, cuenta que cuando era joven todo era

campo fértil. Vendían cuero, lana, pieles de zorro y nutrias que transportaban en burros, y

subsistían con las cosechas de quinta y la venta de animales. “He visto mi vida arrinconarse;

el campo se va terminando y los animales no tienen qué comer. La vida debería ser más

pareja”, dice. Inocencia reclama personería jurídica para pedir tierras. Ella aspira a una

fracción de 1 600 hectáreas; su nieto Rosales quiere un predio similar cerca del río. Adquirir

personería les permitiría iniciar juicio contra los privados titulares de las tierras que ellos

ocupan desde hace décadas a través del pastoreo. La provincia no se las da, dicen, porque

los dueños especulan con las reservas de gas de estas tierras y con el monopolio del agua. Disponível em: www.lanacion.com.ar. Acesso em: 8 dez. 2017 (adaptado).

Segundo o texto, a reivindicação de membros do povo mapuche na Argentina tem o propósito

de

  1. A)
    retomar a posse da terra.
  2. B)
    cuidar da fauna autóctone.
  3. C)
    empoderar as novas gerações.
  4. D)
    vetar a exploração de gás no território.
  5. E)
    ensinar a língua indígena aos gaúchos.

Questão 4 (espanhol)

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 4 (espanhol) do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Essa campanha publicitária evidencia um problema social a fim de

  1. A)
    promover palestras sobre a violência de gênero.
  2. B)
    justificar algumas causas da agressão doméstica.
  3. C)
    motivar as vítimas a buscarem ajuda especializada.
  4. D)
    criar um programa que investigue casos de brutalidade.
  5. E)
    orientar as mulheres a evitarem atitudes geradoras de conflitos.

Questão 5 (espanhol)

Fútbol, pelota, gol, copa, recopa,

partido, promoción, campeonato,

equipo, portería, córner, falta,

quiniela, liga, entrenador y árbitro...

Bastan sólo estos términos precisos,

junto con otros pocos de igual rango,

para hablar de política, de ciencia,

de civismo y de paz con los hispánicos.

Otras palabras hay, pero no constan

más que en algún rincón del diccionario.

BADOSA, E. Dad este escrito a las llamas (1971-1973). Barcelona: Barral Editores, 1976.

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 5 (espanhol) do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    explicita-se a necessidade de se admirar um pouco mais o futebol.
  2. B)
    critica-se o hábito dos espanhóis de nivelar temas como futebol e política.
  3. C)
    registra-se a quantidade insuficiente de palavras para se referir ao futebol.
  4. D)
    explora-se o grande interesse dos hispânicos pelo futebol na atualidade.
  5. E)
    mostra-se o fato de haver palavras sobre o futebol não incluídas no dicionário.

Questão 6

A anorexia é um transtorno alimentar caracterizado por grande perda de peso, ausência

de menstruação e distúrbio na vivência do peso ou da forma corporal. Fatores familiares,

psicológicos, socioculturais e fisiológicos interagem entre si, predispondo, precipitando

e/ou mantendo o transtorno. Anoréxicos têm medo doentio de engordar e experienciam

uma grande necessidade de controle sobre o peso e a forma do corpo. Dietas exíguas,

uso de laxantes, diuréticos e indução de vômito são estratégias para manter o peso e a

forma corporal. O exercício também é uma estratégia para perder e controlar o peso, sendo

praticado de maneira ritualizada e excessiva. O objetivo é alcançar um corpo ideal condizente

com os padrões de beleza, eliminando as poucas calorias que o sujeito se permite ingerir.

CUMMING, G. et al. Experiências e expectativas em práticas de atividades físicas de pessoas com anorexia nervosa. Movimento, n. 2, 2009 (adaptado).

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 6 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    busca por um modelo de corpo e beleza estereotipado socialmente.
  2. B)
    conjunto de fatores familiares, psicológicos e socioculturais.
  3. C)
    utilização de medicamentos e dietas restritivas.
  4. D)
    recorrência da provocação do vômito.
  5. E)
    medo exagerado de ganhar peso.

Questão 7

Uma polêmica relacionada à covid-19 com clara relação com a Educação Física foi a

discussão sobre a reabertura ou não das academias de ginástica em plena pandemia. Entre

os argumentos apresentados pelos que defendiam a abertura estava o de que o exercício

teria um efeito protetor contra a covid-19, pelo fortalecimento do sistema imunológico.

A realização dessas práticas pode ser importante para a saúde, inclusive com foco na

melhoria/manutenção da saúde mental, mas em muitas recomendações há mais um

sentido de “ter que fazer”, com caráter “obrigatório”. Outro ponto ignorado diz respeito

ao aconselhamento para a realização de exercícios físicos em casa durante a pandemia,

considerando aspectos como a habilidade das pessoas para realizarem essas atividades,

suas preferências, as condições das residências etc. Entendemos que essas

recomendações, algumas vezes de caráter persecutório e descontextualizadas da

realidade de muitas pessoas, não favorecem um olhar mais ampliado sobre a saúde.

LOCH, M. R. et al. A urgência da saúde coletiva na formação em Educação Física: lições com a covid-19. Ciência & Saúde Coletiva, n. 25, 2020 (adaptado).

Segundo o texto, no contexto da pandemia, a relação entre exercício físico e saúde deveria

considerar a

  1. A)
    necessidade de que as academias se mantivessem abertas para orientação das práticas corporais.
  2. B)
    recomendação de que as atividades físicas atendessem às preferências individuais.
  3. C)
    relevância de adaptar as atividades físicas à realidade social dos sujeitos.
  4. D)
    obrigatoriedade de adotar o hábito de praticar atividades físicas em casa.
  5. E)
    importância de melhorar as defesas orgânicas contra a doença.

Questão 8

A partir da década de 1980, o voleibol começa a ser visto como um ótimo meio de

comercialização de produtos esportivos. Esse fenômeno apresenta uma vertiginosa escalada

na década de 1990, e a Federação Internacional de Voleibol, tendo o mexicano Rubem

Acosta na presidência, vê-se com a obrigação de alterar algumas regras para a melhoria

do voleibol como espetáculo, já que a alta performance alcançada pelas equipes vinha

tornando enfadonhas as competições. SANTOS NETO, S. C. A evolução das regras visando ao espetáculo no voleibol. Disponível em: www.efdeportes.com. Acesso em: 3 ago. 2012 (adaptado).

Uma das principais mudanças nas regras do voleibol, decorrentes do processo identificado

no texto, refere-se à

  1. A)
    restrição para que a bola possa ser tocada apenas pelas partes do corpo acima da cintura, imprimindo maior dinamicidade ao jogo.
  2. B)
    modificação na contagem de pontos, com o fim do sistema de vantagem, tornando as partidas mais interessantes para as transmissões televisivas.
  3. C)
    destinação de um espaço restrito e predefinido para a realização do saque, permitindo um maior índice de acertos nesse fundamento do jogo.
  4. D)
    indicação de que contatos simultâneos sejam considerados como toque apenas, permitindo maior permanência da bola em disputa.
  5. E)
    permissão ao chamado bloqueio ou ataque, ampliando a possibilidade de utilização de recursos técnicos e estratégicos no jogo.

Questão 9

Em nenhum outro tipo de literatura a fantasia desempenha papel tão importante. Sapos se

transformam em príncipes, animais conversam com humanos, mesas se põem sozinhas e

contratempos insolúveis se resolvem de um parágrafo para outro. Essa falta de verossimilhança

não afasta o leitor. Pelo contrário, juntamente com o anonimato dos príncipes e princesas,

que não têm personalidade definida e vivem em terras distantes sem localização exata, ela

facilita a identificação com os personagens. O mundo da fantasia abre espaço para que coisas

desagradáveis, que não seriam toleradas em outros tipos de história, passem incólumes, como

bruxas comedoras de criancinha e anões cruéis que roubam bebês. Boa parte do fascínio dos

contos tem origem justamente nesse mundo sombrio. Contos de fadas não constituem sempre

histórias agradáveis polvilhadas com açúcar, como a casa de pão de ló de João e Maria. Pelo

contrário, as tramas são recheadas de malvadezas que sobrevivem às dezenas de adaptações.

Podem passar despercebidas, mas estão lá. Ou é inofensiva a história de uma menina e sua avó

que são devoradas vivas por um lobo? Ou é inocente o conto da menina que é sequestrada e

obrigada a passar a juventude trancada no alto de uma torre? E o que dizer do bebê condenado

à morte no dia do seu batizado? Disponível em: https://super.abril.com.br. Acesso em: 20 jun. 2019 (adaptado).

As perguntas ao final do texto estão relacionadas ao argumento segundo o qual contos de fadas

  1. A)
    manifestam aspectos obscuros da condição humana.
  2. B)
    estimulam a fantasia e a imaginação dos leitores.
  3. C)
    favorecem a identificação com os personagens.
  4. D)
    são inadequados para a maioria das crianças.
  5. E)
    são adaptados aos valores de cada época.

Questão 10

A vida deveria nos oferecer um lugarzinho no rodapé da nossa história pessoal para

eventuais erratas, como em tese de doutorado. Pelas vezes em que na infância e adolescência

a gente foi bobo, foi ingênuo, foi indesculpavelmente romântico, cego e teimoso, devia haver

uma errata possível. Como quando a gente acreditou que se fosse bonzinho ganharia aquela

bicicleta; que todos os professores eram sábios e justos e todas as autoridades decentes; e

quando a gente acreditou que pai e mãe eram imortais ou perfeitos.

Devia haver erratas que anulassem bobagens adultas: botei fora aquela oportunidade,

não cuidei da minha grana, fui onipotente, perdi quem era tão precioso para mim, escolhi

a gostosona em lugar da parceira alegre e terna; fiquei com aquele cara porque com ele

seria mais divertido, mas no fundo eu não o queria como meu amigo e pai dos meus filhos.

Profissionalmente não me preparei, não me preveni, não refleti, não entendi nada, tomei as

piores decisões. Ah, que bom seria se essas trapalhadas pudessem ser anuladas com uma

boa errata! Em geral, não podem.

Por todas as vezes que desviamos o olhar lúcido ou recolhemos o dedo denunciador,

pagaremos — talvez num futuro não muito distante — um alto preço, durante um tempo

incalculavelmente longo. E não haverá erratas. LUFT, L. Errata de pé de página. Veja, n. 28, 18 jul. 2007 (adaptado).

No texto, a autora propõe o uso metafórico da errata como recurso para

  1. A)
    assumir uma posição humilde diante da efemeridade da vida.
  2. B)
    evitar decisões equivocadas advindas da inexperiência.
  3. C)
    antecipar as consequências das nossas ações.
  4. D)
    promover um maior amadurecimento intelectual.
  5. E)
    rever atitudes realizadas no passado.

Questão 11

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 11 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Disponível em: midianinja.org. Acesso em: 22 abr. 2021.

Pelo modo como seleciona e organiza as informações, esse infográfico cumpre a função de

  1. A)
    questionar o processo de enfraquecimento da identidade indígena.
  2. B)
    apresentar dados sobre a atual configuração da realidade indígena no país.
  3. C)
    defender políticas de preservação da cultura indígena.
  4. D)
    divulgar as etnias indígenas mais representativas do Brasil.
  5. E)
    criticar a distribuição geográfica desigual das comunidades indígenas.

Questão 12

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 12 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

As informações contidas no texto dessa campanha têm o objetivo de

  1. A)
    avaliar as políticas públicas para melhorar a qualidade dos serviços prestados ao povo brasileiro.
  2. B)
    apresentar os canais de participação social, como os Conselhos previstos na Constituição Federal de 1988.
  3. C)
    descrever o ciclo e as etapas de organização de uma política pública como incentivo à participação social.
  4. D)
    fazer a distinção entre as políticas de governo e as políticas de Estado a fim de incentivar a busca por direitos.
  5. E)
    estimular a participação da sociedade civil em políticas públicas para fortalecer a cidadania e o bem comum.

Questão 13

Tiranos de nós mesmos: a servidão voluntária na era da

sociedade do desempenho

Byung-Chul Han, no opúsculo Sociedade do cansaço, discute a ascensão de um novo

paradigma social, em que a sociedade disciplinar de Foucault é substituída pela sociedade

do desempenho. Esse novo modelo social é movido por um imperativo de maximizar a

produção. Nós, sujeitos de desempenho, somos constante e sistematicamente pressionados

a aperfeiçoar nossa performance e a aumentar nossa produção.

A crença subjacente, segundo Han, é a de que nada é impossível. Nós podemos fazer

tudo. Estamos constantemente pressionados por um poder fazer ilimitado. É um excesso de

positividade, que se constitui em verdadeira violência neuronal.

E por isso produzimos. Produzimos até a exaustão. E, mesmo cansados, continuamos

produzindo. Uma meta é sempre substituída por outra. A tarefa nunca acaba. É frustrante

e esgotante. O resultado é uma sociedade que gera fracassados e depressivos, a quem só

resta recorrer a medicamentos para continuar produzindo mais eficientemente.

Disponível em: http://justificando.cartacapital.com.br. Acesso em: 24 ago. 2017 (adaptado).

Com base nessa reflexão acerca do livro Sociedade do cansaço, que discute o novo modelo

da sociedade do desempenho, o resenhista a

  1. A)
    conceitua, apresenta seus fundamentos e conclui com suas consequências.
  2. B)
    fundamenta com argumentos, apresenta sua conclusão e oferece exemplos.
  3. C)
    descreve, apresenta suas consequências e conclui com sua conceituação.
  4. D)
    exemplifica, apresenta sua fundamentação e avalia seus resultados.
  5. E)
    discute, apresenta seu conceito e promove uma discussão.

Questão 14

Trechos do discurso de Ulysses Guimarães na

promulgação da Constituição em 1988

Senhoras e senhores constituintes.

Dois de fevereiro de 1987. Ecoam nesta sala as reivindicações das ruas. A Nação quer

mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. São palavras constantes do discurso de

posse como presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

Hoje, 5 de outubro de 1988, no que tange à Constituição, a Nação mudou. A Constituição

mudou na sua elaboração, mudou na definição dos Poderes. Mudou restaurando a

federação, mudou quando quer mudar o homem cidadão. E é só cidadão quem ganha justo

e suficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando descansa.

A Nação nos mandou executar um serviço. Nós o fizemos com amor, aplicação e sem

medo.

A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma.

Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca.

Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o Estatuto do Homem, da

Liberdade e da Democracia, bradamos por imposição de sua honra.

Nós, os legisladores, ampliamos os nossos deveres. Teremos de honrá-los. A Nação

repudia a preguiça, a negligência e a inépcia.

O povo é o superlegislador habilitado a rejeitar pelo referendo os projetos aprovados pelo

Parlamento.

Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora.

Termino com as palavras com que comecei esta fala.

A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende

ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança.

Que a promulgação seja o nosso grito.

Mudar para vencer. Muda, Brasil! Disponível em: www.senadofederal.br. Acesso em: 30 out. 2021.

O discurso de Ulysses Guimarães apresenta características de duas funções da

linguagem: ora revela a subjetividade de quem vive um momento histórico, ora busca

informar a população sobre a Carta Magna. Essas duas funções manifestam-se,

respectivamente, nos trechos:

  1. A)
    “São palavras constantes do discurso de posse como presidente da Assembleia Nacional Constituinte.” e “A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança”.
  2. B)
    “Nós o fizemos com amor, aplicação e sem medo.” e “A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na definição dos Poderes”.
  3. C)
    “Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o Estatuto do Homem, da Liberdade e da Democracia, bradamos por imposição de sua honra.” e “Nós, os legisladores, ampliamos os nossos deveres. Teremos de honrá-los”.
  4. D)
    “O povo é o superlegislador habilitado a rejeitar pelo referendo os projetos aprovados pelo Parlamento.” e “Termino com as palavras com que comecei esta fala”.
  5. E)
    “Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora.” e “Que a promulgação seja o nosso grito”.

Questão 15

A historiografia do país demonstra que foi necessário considerável esforço do colonizador

português em impor sua língua pátria em um território tão extenso. Trata-se de um

fenômeno político e cultural relevante o fato de, na atualidade, a língua portuguesa ser a

língua oficial e plenamente inteligível de norte a sul do país, apesar das especificidades

e da grande diversidade dos chamados “sotaques” regionais. Esse empreendimento

relacionado à imposição da língua portuguesa foi adotado como uma das estratégias de

dominação, ocupação e demarcação das fronteiras do território nacional, sucessivamente,

em praticamente todos os períodos e regimes políticos. Da Colônia ao Império, da República

ao Estado Novo e daí em diante.

Tomemos como exemplo o nheengatu, uma língua baseada no tupi antigo e que foi fruto

do encontro, muitas vezes belicoso e violento, entre o colonizador e as populações indígenas

da costa brasileira e de grande parte da Amazônia. Foi a língua geral de comunicação no

período colonial até ser banida pelo Marquês de Pombal, a partir de 1758, caindo em pleno

processo de desuso e decadência a partir de então. Foram falantes de nheengatu que

nominaram uma infinidade de lugares, paisagens, acidentes geográficos, rios e até cidades.

Atualmente, resta um pequeno contingente de falantes dessa língua no extremo norte do

país. É utilizada como língua franca em regiões como o Alto Rio Negro, sendo inclusive fator

de afirmação étnica de grupos indígenas que perderam sua língua original, como os Barés,

Arapaços, Baniwas e Werekenas. Disponível em: http://desafios.ipea.gov.br. Acesso em: 20 out. 2021 (adaptado).

Da leitura do texto, depreende-se que o patrimônio linguístico brasileiro é

  1. A)
    constituído por processos históricos e sociais de dominação e violência.
  2. B)
    decorrente da tentativa de fusão de diferentes línguas indígenas.
  3. C)
    exemplificativo da miscigenação étnica da sociedade nacional.
  4. D)
    caracterizado pela diversidade de sotaques e regionalismos.
  5. E)
    resultado de sucessivas ações de expansão territorial.

Questão 16

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 16 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Disponível em: http://aindaexisteluz.blogspot.com. Acesso em: 10 maio 2013.

Ao abordar a temática da violência contra a mulher, o cartaz conjuga as linguagens verbal

e não verbal para

  1. A)
    apresentar políticas públicas de combate à discriminação de gênero.
  2. B)
    mobilizar a vítima para denunciar as agressões sofridas.
  3. C)
    expressar a reação da sociedade em relação ao crime.
  4. D)
    analisar as consequências resultantes do sofrimento.
  5. E)
    discutir o comportamento psicológico do agressor.

Questão 17

TEXTO I

De casa para a escola

Saber respeitar limites, esperar, suportar, ter seus desejos frustrados, fazer trocas e

planejar é ter educação financeira. E o exemplo vem de casa. Mas as atitudes dos pais

somente serão referências para a educação financeira se eles mesmos usarem o dinheiro

de forma consciente, fizerem pesquisa de preço, comprarem à vista, pedirem descontos,

tiverem controle de suas finanças, souberem o quanto têm e o quanto podem gastar, investir

e poupar. Portanto, boa parte das razões que levam um adulto a se tornar consumista e a

se endividar está na educação que recebe quando criança ou na adolescência.

MACEDO, C. Revista Carta Fundamental, n. 37, abr. 2012 (adaptado).

TEXTO II

Educação financeira para crianças

Ensinar para os filhos o valor das coisas é responsabilidade dos pais, mas, se lidar

com dinheiro é complicado para adultos, passar esse conhecimento para crianças é uma

tarefa bem mais delicada. De acordo com a especialista em educação financeira infantil

Cássia D’Aquino, o momento certo de começar a ensinar a criança a lidar com as finanças é

anunciado pela própria, na primeira vez em que pede aos pais para lhe comprarem alguma

coisa. Isso costuma acontecer por volta dos dois anos e meio, e, nessa hora, o pequeno

mostra que já percebeu o que é dinheiro e que o dinheiro “compra” as coisas que ele pode

vir a querer. À medida que os pequenos vão crescendo, os filhos vão convivendo com a

forma com que seus pais trabalham com o dinheiro. Para Cássia, a melhor base para uma

educação financeira eficiente é aquela transmitida por meio de atitudes simples na rotina do

relacionamento entre pais e filhos. Assim que a criança manifestar uma noção básica em

relação a dinheiro, os pais já podem, de maneira gradual, adotar uma postura educativa.

Disponível em: http://brasil.gov.br. Acesso em: 27 fev. 2013.

Sob diferentes perspectivas, os textos I e II abordam o tema educação financeira. No entanto,

em ambos os textos, os autores sustentam a opinião de que

  1. A)
    os modelos familiares impostos na infância e na juventude são espelhos para os filhos.
  2. B)
    o sucesso da educação financeira está ligado à forma como a escola trabalha o tema.
  3. C)
    uma das tarefas mais difíceis do processo de educação é estabelecer limites.
  4. D)
    a educação imposta pela sociedade substitui aquela recebida em casa.
  5. E)
    os filhos devem poupar na infância para investirem quando adultos.

Questão 18

A criança e a lógica

Uma menina vê a foto da mãe grávida e ouve a seguinte explicação: “Você estava na

minha barriga, filha”. Imediatamente, a criança chega à incrível conclusão: “Mamãe, então

você é o lobo mau?”. A partir dos 2 anos, a criança começa a dominar as palavras, mas sua

lógica, que difere da do adulto, surpreende os pais pelas associações. Para uma psicóloga

infantil, esse raciocínio se explica pelo fato de que a lógica, nos primeiros anos de vida, é

primitiva e rígida, não admite que para a mesma questão existam várias possibilidades.

Quando a mãe diz que vai chegar em casa à noite, a criança não compreende por que, afinal,

a promessa ainda não foi cumprida se já está escuro. Ou, se ela já ouviu que as pessoas

morrem quando estão velhinhas e de repente acontece de alguém próximo perder a vida

ainda jovem, ela pode custar a se conformar. “O importante é falar a verdade e ter paciência.

Com o tempo, as crianças percebem que um fato pode ter mais de uma explicação, e vários

fatos influenciam uma mesma situação. A lógica vai, assim, aprimorando-se e ficando mais

próxima da do adulto entre os 5 e 6 anos”, afirma a especialista.

Disponível em: http://revistacrescer.globo.com. Acesso em: 15 nov. 2014 (adaptado).

O texto cita a opinião de uma psicóloga como estratégia argumentativa para

  1. A)
    explicar as associações inesperadas das crianças de 2 a 5 anos.
  2. B)
    apresentar dados científicos sobre a falta de lógica na infância.
  3. C)
    gerar efeitos de credibilidade para as informações apresentadas.
  4. D)
    justificar a natureza rudimentar do raciocínio infantil.
  5. E)
    ajudar os adultos na interlocução com as crianças.

Questão 19

O lobo que não é mau

A primeira coisa a saber é que o guará não é, na verdade, um lobo. Embora seja o maior

canídeo silvestre da América do Sul, sua espécie (Chrysocyon brachyurus) é de difícil

classificação. Alguns cientistas dizem que é parente das raposas, outros, que é parente

do cachorro-vinagre sul-americano. Mas, de lobo mesmo, ele não tem nada. Além disso, é

um animal onívoro. Porém, em algumas regiões, a sua dieta chega a quase 70% de frutas,

especialmente da lobeira, uma árvore típica das savanas brasileiras, que contribui para a

saúde do animal, prevenindo um tipo de verminose que ataca os rins do guará.

O lobo-guará não é um animal perigoso ao homem. Não existe nenhum registro, em toda

a história, de um guará que tenha atacado uma pessoa, mas, ainda assim, são vistos como

“maléficos”. Por quê? Porque, em ambientes degradados, o lobo, para sobreviver, acaba

atacando galinheiros ou comendo aves que são criadas soltas. Com a desculpa de “proteger

sua criação”, pessoas com baixo nível de consciência ecológica acabam matando os animais.

Se não bastassem a matança e a destruição de ambientes naturais, o lobo-guará ainda

apresenta grande índice de morte por atropelamento em estradas.

O fato é que o lobo-guará precisa de nós mais do que nunca na história. FERRAREZI JR., C. Revista QShow, n. 20, nov. 2015 (adaptado).

Esse texto de divulgação científica utiliza como principal estratégia argumentativa a

  1. A)
    sedução, mostrando o lado delicado e afetuoso do animal por meio da negação de seu nome popular.
  2. B)
    comoção, relatando a perseguição que o animal sofre constantemente pelos fazendeiros com baixo grau de instrução.
  3. C)
    intertextualidade, buscando contraponto numa famosa história infantil, confrontada com dados concretos e fatos históricos.
  4. D)
    chantagem, modificando a verdadeira índole do lobo-guará para proteger as criações de animais domésticos em áreas degradadas.
  5. E)
    intimidação, explorando os efeitos de sentido desencadeados pelo uso de palavras como “matança”, “perigoso”, “degradados” e “atacando”.

Questão 20

Preconceito: do latim prae, antes, e conceptus, conceito, esse termo pode ser

definido como o conjunto de crenças e valores aprendidos, que levam um indivíduo

ou um grupo a nutrir opiniões a favor ou contra os membros de determinados

grupos, antes de uma efetiva experiência com eles. Tecnicamente, portanto, existe

um preconceito positivo e um negativo, embora, nas relações raciais e étnicas,

o termo costume se referir ao aspecto negativo de um grupo herdar ou gerar

visões hostis a respeito de um outro, distinguível com base em generalizações.

Essas generalizações derivam invariavelmente da informação incorreta ou incompleta a

respeito do outro grupo. CASHMORE, E. Dicionário de relações étnicas e raciais. São Paulo: Selo Negro, 2000 (adaptado).

Nesse verbete de dicionário, a apropriação adequada do uso padrão da língua auxilia no

estabelecimento

  1. A)
    da precisão das informações veiculadas.
  2. B)
    da linguagem conotativa característica desse gênero.
  3. C)
    das marcas do interlocutor como uma exigência para a validade das ideias.
  4. D)
    das sequências narrativas como recurso de progressão textual.
  5. E)
    do processo de contraposição argumentativa para conseguir a adesão do leitor.

Questão 21

Cuidadora humilhada por erros de português ao enviar currículo

para asilo recebe ofertas de emprego

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 21 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

MARTINS, J. Disponível em: www.g1.globo.com. Acesso em: 25 nov. 2021 (adaptado).

Nessa conversa por aplicativo, em que se evidencia uma forma de preconceito, a atendente

avaliou a candidata a uma vaga de emprego pelo(a)

  1. A)
    ausência de autocorreção durante um diálogo.
  2. B)
    desleixo com a pontuação adequada durante um bate-papo.
  3. C)
    desprezo pela linguagem utilizada em entrevistas de emprego.
  4. D)
    descuido com os padrões linguísticos no contexto de busca por emprego.
  5. E)
    negligência com a correção automática de palavras pelo corretor de textos do celular.

Questão 22

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 22 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Disponível em: www.nadaver.com. Acesso em: 20 jul. 2012.

Esse cartaz tem como função social conquistar clientes para um evento turístico, e, por isso,

seria recomendável que fosse escrito na norma-padrão da língua portuguesa. O comentário

acrescentado por um interlocutor sugere que a grafia incorreta da palavra “excursão”

  1. A)
    interfere na pronúncia do vocábulo.
  2. B)
    reflete uma interferência da fala na escrita.
  3. C)
    caracteriza uma violação proposital para chamar a atenção dos clientes.
  4. D)
    diminui a confiabilidade nos serviços oferecidos pela prestadora.
  5. E)
    compromete o entendimento do conteúdo da mensagem.

Questão 23

A busca do “texto oculto” na leitura de notícias

Os meus colegas jornalistas que me perdoem, mas não dá mais para ler uma notícia

de jornal apenas pelo que está publicado. O nosso universo informativo ficou muito mais

complexo depois do surgimento da avalanche informativa na internet.

Esse fenômeno, inédito na história do jornalismo, está nos obrigando a tomar uma notícia

de jornal apenas como um ponto de partida para uma análise que, necessariamente, envolve

a preocupação em descobrir o contexto do que foi publicado. A notícia de jornal não é mais a

verdade definitiva, mas a porta de entrada numa realidade desconhecida e inevitavelmente

complexa, contraditória e diversa.

A principal mudança que todos nós teremos que incorporar às nossas rotinas informativas

é a necessidade de sermos críticos em relação às notícias que leremos, ouviremos ou

assistiremos.

A busca de um novo modelo de formatação de notícias baseado numa cultura da

diversificação informativa está apenas começando. O público passou a ter uma importância

estratégica na atividade profissional porque os jornalistas necessitam, cada vez mais, dos

blogs pessoais, das páginas da web e das postagens em redes sociais como fonte de

notícias. A histórica dependência de fontes governamentais e corporativas está rapidamente

sendo substituída pela notícia oriunda de comunidades, grupos sociais organizados e

influenciadores digitais. A agenda de notícias das elites perde espaço para a agenda do

público.

É essa nova forma de ver a realidade que está na base da necessidade do chamado

“texto oculto”, um jargão acadêmico para uma diversificação na nossa nova forma de ler,

ouvir e ver notícias. CASTILHO, C. Disponível em: www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 30 out. 2021 (adaptado).

Ao problematizar os modos de ler notícias e a necessidade de se buscar o chamado “texto

oculto”, o texto defende que esse processo implicará

  1. A)
    adaptação na forma como a imprensa e o jornalismo abordam a informação.
  2. B)
    alteração na prática interacional entre os usuários de redes sociais.
  3. C)
    ampliação da quantidade de informação disponível na internet.
  4. D)
    demanda por informações fidedignas em fontes oficiais.
  5. E)
    percepção da notícia como um produto acabado.

Questão 24

A produção em massa em grandes fábricas se tornou o símbolo da Segunda Revolução

Industrial. Agora, após um século, uma nova transformação se anuncia. Ela é trazida por

aparelhos do tamanho de um micro-ondas que constroem um objeto real a partir de um

arquivo digital: as impressoras tridimensionais. Elas funcionam como uma impressora

convencional que muitos têm em casa. Basta apertar o botão na tela do computador para que

o arquivo digital, com o desenho em três dimensões do objeto a fabricar, seja enviado para

a máquina. Em vez de tinta, elas usam materiais como plástico, gesso, silicone, borracha

ou metais para fazer sapatos, próteses dentárias, joias, luminárias, brinquedos ou peças de

equipamentos hospitalares. Até há pouco tempo, esses equipamentos custavam centenas

de milhares de reais e ficavam restritos às grandes indústrias. Hoje já é possível levar para

casa uma impressora 3D e usá-la para fabricar objetos. “Uma nova revolução industrial está

a caminho”, diz o jornalista e físico Chris Anderson. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com. Acesso em: 17 fev. 2013 (adaptado).

Segundo esse texto, as impressoras tridimensionais prenunciam uma nova Revolução

Industrial porque são tecnologias que

  1. A)
    diminuíram de tamanho.
  2. B)
    tiveram seus preços reduzidos.
  3. C)
    trabalham com um arquivo digital.
  4. D)
    facilitam a confecção de objetos 3D.
  5. E)
    permitem a individualização da manufatura.

Questão 25

O sucesso das redes sociais é fruto da combinação inteligente da capacidade de interagir

dentro de uma mesma página da internet e do uso de sistemas de avaliação. Existem

duas dinâmicas psicossociais legitimando tais recursos de avaliação. Na primeira, alguém

produz conteúdo e é recompensado com essas reações. Já na segunda dinâmica, a

produção de conteúdo serve de balão de ensaio para a vida off-line.

Prazer e aprendizado são, portanto, as duas promessas originais das redes sociais

(anteriores à monetização), nas quais os algoritmos de recomendação prometem reduzir

o tempo e a energia para encontrar aquilo que interessa a cada um, no mar de opções

disponibilizadas, levando a situação a outro patamar, pela exposição reiterada dos usuários

aos conteúdos que agravam sua ansiedade.

Assim, por exemplo, pessoas que estão insatisfeitas com o seu corpo fazem buscas que

refletem esse desconforto, procurando postagens relacionadas a essa temática. O algoritmo,

então, passa a recomendar cada vez mais conteúdos nessa linha e, o que é pior, a convergir

para os mais extremos, já que estes tendem a fixar mais a atenção. Em pouco tempo, o

usuário “desconfortável” está sendo bombardeado por vídeos que elevam em muito o seu

pessimismo e que muitas vezes servem de caminho à anorexia, à bulimia e à depressão. DIAS, A. M. Disponível em: www.uol.com.br. Acesso em: 5 nov. 2021 (adaptado).

As sociedades têm evoluído concomitantemente ao desenvolvimento de tecnologias que

buscam, cada vez mais, automatizar a gestão das informações. No texto, uma consequência

negativa desse processo é o fato de ele

  1. A)
    ser dirigido por um sistema de recomendações individualizado.
  2. B)
    estar vinculado ao aumento da satisfação e da prática dos usuários.
  3. C)
    sobrecarregar o usuário com um fluxo massivo de informações.
  4. D)
    guiar-se pela confluência das interações on-line em busca de avaliações positivas.
  5. E)
    focar no engajamento dos usuários em detrimento de suas necessidades concretas.

Questão 26

O povo indígena Wajãpi utiliza o Kusiwa — reconhecido como bem imaterial da humanidade

em 2003 — como repertório codificado de padrões gráficos que decora e colore o corpo e os

objetos. Para além de enfeitar, Kusiwa aparece como “arte”, “marca”, “pintura” e “desenho”.

Esses grafismos ultrapassam a noção estética e alcançam a cosmologia e as crenças

religiosas.

ALMEIDA, C. S.; CARDOSO, P. B. Arte coussiouar, perspectivas históricas de alteridade e reconhecimento. Espaço Ameríndio, n. 1, jan.-jul. 2021.

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 26 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    perdem significado quando desprovidas de elementos gráficos.
  2. B)
    revelam uma concepção de arte para além de funções estéticas.
  3. C)
    funcionam como elementos de representação figurativa de seu mundo.
  4. D)
    padronizam uma mesma identidade gráfica entre diferentes povos indígenas.
  5. E)
    primam pela utilização dos grafismos como contraposição ao mundo imaginário.

Questão 27

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 27 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

GUPTA, S. Booth B20 Thing (Coisa). Aço inoxidável e ferro,95 cm x 120 cm x 42 cm,

Feira de Arte de Frieze, 2005.

Disponível em: https://art-sheep.com. Acesso em: 28 jun. 2022 (adaptado).

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 27 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    trabalhar com novas mídias, instalações e performances.
  2. B)
    modificar a arte contemporânea com objetos extraídos do cotidiano.
  3. C)
    enfatizar a pintura e a escultura com a desmaterialização do objeto.
  4. D)
    apresentar um novo conceito de uso das formas e materiais naturais.
  5. E)
    retratar imagens múltiplas que expressam a agitação da modernidade.

Questão 28

Claude Monet, influenciado por Turner, passou a pintar temas que apresentassem fluidez.

Para isso, ele fragmentou a imagem com pinceladas de cor pura, passando a retratar a

impressão captada diante do modelo. Monet inspirava-se, por exemplo, no pôr do sol, na

luminosidade do feno ou num jardim florido. Suas obras contêm a característica de dissociação

das cores e gradação dos tons complementares. As tintas não eram misturadas na palheta,

dessa forma, a luz emanada das manchas e das pinceladas coloridas impressionava a

retina, formando novas cores.

Disponível em: http://professormarioartes.blogspot.com. Acesso em: 12 ago. 2012 (adaptado).

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 28 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    composta por uma substância química que, sob a incidência de raios luminosos, absorve-os, refletindo para os nossos olhos os raios de tons vermelhos.
  2. B)
    formada pelo equilíbrio óptico causado pela impressão simultânea de cores como magenta, ciano e amarelo, consideradas cores primárias.
  3. C)
    imaterial e só se pode senti-la, passando a ser uma sensação provocada pela ação dos raios de luz sobre os nossos olhos.
  4. D)
    resultante da mistura óptica de duas outras que estão presentes em sua composição de origem, causando um equilíbrio entre elas.
  5. E)
    física, presente nos raios solares e na luz branca, sendo impossível perceber sua existência pela decomposição da luz solar.

Questão 29

A partir dos anos 1970, a diversidade étnica e cultural ganha maior reconhecimento

com movimentos culturais, tais como o “Tropicalismo”, os “Afrobahianos”, as inserções de

referências religiosas afro-brasileiras na Bossa Nova e o “Teatro do Oprimido”. Tudo isso foi

antecipado pelo Movimento de Cultura Popular, fundado por Paulo Freire nos anos de 1960.

MEDEIROS, B. T. F. Quilombos, políticas patrimoniais e negociações. In: BARRIO, A. E.; MOTTA, A.; GOMES, M. H. (Org.). Inovação cultural, patrimônio e educação. Disponível em: http://campus.usal.es. Acesso em: 4 set. 2017 (adaptado).

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 29 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    incorporação ao patrimônio nacional das culturas negra e portuguesa.
  2. B)
    representação das realidades social e econômica do início do século.
  3. C)
    reflexo da igualdade mestiça nos processos de patrimonialização.
  4. D)
    ideal da diversidade cultural como categoria identitária nacional.
  5. E)
    constituição da materialidade e da multiplicidade socioculturais.

Questão 30

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 30 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

PENETT. Disponível em: www.gazetadopovo.com.br. Acesso em: 10 dez. 2017.

No cartum, o confronto entre primatas produz um efeito de humor que se vincula à função

social de

  1. A)
    criticar a postura humana de fazer piada com assuntos sérios.
  2. B)
    acentuar a necessidade de respeito entre as diferentes espécies.
  3. C)
    questionar a indiferença do homem em relação ao meio ambiente.
  4. D)
    alertar a população para a conveniência do desenvolvimento tecnológico.
  5. E)
    destacar a limitação humana para a percepção da realidade da vida animal.

Questão 31

Domésticas, de Fernando Meirelles e Nando Olival (2001)

Drama de trabalhadoras domésticas na cidade de São Paulo, mostradas a partir do

cotidiano de Cida, Roxane, Quitéria, Raimunda e Créo. Uma quer se casar; a outra é casada,

mas sonha com um marido melhor; uma sonha em ser artista de novela e a outra acredita

que tem por missão na Terra servir a Deus e à sua patroa. Todas têm sonhos distintos, mas

vivem a mesma realidade: trabalhar como empregada doméstica. Conduzido com humor (e

uma trilha musical dos hits populares do Brasil brega dos anos 1970), o filme de Meirelles e

Olival retrata o universo particular dessa categoria de trabalhadoras domésticas. É curioso

que, em nenhum momento, aparecem patrões ou patroas. A narrativa de Domésticas se

desenvolve segundo a ótica contingente das classes subalternas, dos de baixo, com seus

anseios e sonhos, expectativas e frustrações. Não aparecem situações de luta social por

direitos, o que sugere que o filme se detém na epiderme da consciência de classe contingente,

expressando, desse modo, a fragmentação das perspectivas de vida e trajetórias das

domésticas (quase como um destino, como observa na palavra final a doméstica Roxane).

Do mesmo modo, ao retratar Zé Pequeno (em Cidade de Deus), Meirelles tratou sua sina

de bandido quase como destino. É baseado na peça de teatro de Renata Melo (2005). Disponível em: www.telacritica.org. Acesso em: 25 ago. 2017 (adaptado).

A sinopse, para convencer o leitor a assistir ao filme Domésticas, lança mão da seguinte

estratégia de linguagem:

  1. A)
    Reflexão sobre a língua utilizada pelas personagens do filme.
  2. B)
    Avaliação positiva do filme disfarçada de comparação.
  3. C)
    Referência à mídia cinematográfica.
  4. D)
    Descrição de cenas do filme.
  5. E)
    Apelação ao leitor.

Questão 32

TEXTO I

Há uma geração inteira sem conseguir emprego. Grande parte sonha com um concurso

público. Não é novidade, multidões sempre correram atrás de emprego municipal,

estadual ou federal. Espanta é a disposição para trabalhar em qualquer área, fora do que

consideravam sua vocação. Em crise, vocação é ter salário. Há quem continue na casa

dos pais, indefinidamente. Ou quem volte. O problema é que nem sempre dá certo. Mães e

pais que têm aposentadoria ainda asseguram a sobrevivência dos filhos. É uma geração à

deriva. CARRASCO, W. Disponível em: http://epoca.globo.com. Acesso em: 23 ago. 2017 (adaptado).

TEXTO II

Ah, a casa da avó! Sinônimo de comidinha gostosa, muita brincadeira, vontades feitas.

O imaginário de muita gente traz da infância as melhores lembranças da casa da avó. Mas

o que para muitos é apenas um local para brincadeiras e férias, para outros, nos últimos

tempos, tem sido sinônimo da casa principal, onde os netos moram e são criados.

Não só o mercado de trabalho levou as crianças para a casa das avós em tempo integral, mas

também a sociedade moderna, com o divórcio e as novas constituições familiares.Com o divórcio,

a correria do dia a dia no mercado de trabalho e a própria emancipação da mulher, muitas mães

delegaram aos avós a tarefa de criar seus filhos.

MAIA, K. Disponível em: www.cnte.org.br. Acesso em: 23 ago. 2017 (adaptado).

Esses dois textos têm temáticas diferentes, na medida em que o Texto I trata da volta dos

filhos à casa dos pais, e o Texto II, da permanência dos netos na casa dos avós. Entretanto,

eles se aproximam no que diz respeito

  1. A)
    ao aconchego que os filhos e netos encontram nesses lugares.
  2. B)
    ao fator econômico, que é a causa do problema nos dois casos.
  3. C)
    aos problemas de relacionamento que surgem nessas situações.
  4. D)
    ao divórcio, que é apontado como comum nos dias de hoje.
  5. E)
    à independência da mulher, que causa a ausência das mães.

Questão 33

Reciclagem de hábitos ajuda a enfrentar a crise

Todo início de ano as pessoas fazem uma lista de propósitos para serem perseguidos

ao longo dos próximos 12 meses. Ao que tudo indica, o próximo ano será um período de

extrema dificuldade. Reciclar pode ser uma alternativa.

Esse conceito — por ser muito abrangente — nos propicia uma reflexão. No dia a dia

pessoal, dentro de casa, podemos reciclar roupas, sapatos, objetos de uso pessoal etc.

Ou seja, ao adotarmos tal atitude, não gastamos o escasso e suado dinheiro disponível.

Vale também minimizar desperdícios. A vantagem dessa “consciência ecológica” acaba por

beneficiar o meio ambiente e também o bolso.

Reciclar hábitos é muito difícil. Quantos se lembram de apagar a luz quando deixam um

ambiente? E de desligar o chuveiro quando estão se ensaboando?

Se estou desempregado ou com pouco dinheiro, não preciso ir à academia (e me

endividar ainda mais) para cuidar da saúde. Caminhar pelos parques ou jardins pode ser

uma alternativa. Quantas vezes nos deparamos com pessoas andando — ou correndo —

nas ruas? Isso pode ser imitado. Não tem custo algum!

E nas finanças pessoais? Disciplina, disciplina. Reduzir o consumo desenfreado, os

gastos desnecessários e pesquisar muito antes de comprar o que é realmente essencial:

supermercado, farmácia etc. Na verdade, as compras passam por gestão. Se compro roupa

nova (necessária), deixo para comprar sapato ou bolsa no mês que vem. Além de evitar o

endividamento numa hora de emprego difícil e renda baixa, o planejamento de gastos

torna-se essencial.

Quem consegue poupar R$ 10,00 por semana terá R$ 40,00 no final do mês. Ao longo

do ano, terá acumulado quase R$ 500. Sem sofrimento. Não foi uma reciclagem de hábito?

CALIL, M. Disponível em: http://noticias.uol.com.br. Acesso em: 24 ago. 2017 (adaptado).

Para convencer o leitor de que a reciclagem de hábitos ajuda a enfrentar a crise, o autor

desse texto

  1. A)
    sugere o planejamento dos gastos familiares com o acompanhamento de um gestor.
  2. B)
    revela o sofrimento ocasionado pela reciclagem de hábitos já arraigados na sociedade.
  3. C)
    utiliza perguntas retóricas direcionadas a um público leitor engajado em causas ambientais.
  4. D)
    apresenta sua preocupação em relação à dificuldade enfrentada pela indústria da reciclagem.
  5. E)
    faz um paralelo entre os ganhos da reciclagem para o meio ambiente e para as finanças pessoais.

Questão 34

O boato insiste em ser um gênero da comunicação. Um rumor pode nascer da má-fé,

do mal-entendido ou de uma trapalhada qualquer. O primeiro impulso é acreditar, porque:

1 - confiamos em quem o transmite; 2 - é fisicamente impossível verificar a veracidade

de tudo; 3 - os meios de comunicação estão sistematicamente relapsos com a verificação

de seus conteúdos e, se eles fazem isso, o que nos impede?

O boato não informa, mas ensina: mostra como uma sociedade se prepara para tomar

posição. A nossa tem se aplicado na tarefa de desmantelar equipes de jornalistas que dão

nome de “informação” a todo tipo de “copia e cola” difundido pela internet como se fosse

um fato verídico. A comunicação atual depende, cada vez mais, do modo como vamos lidar

com os rumores. PEREIRA JR., L. C. Língua Portuguesa, n. 93, jul. 2013 (adaptado).

Em relação aos boatos que circulam ininterruptamente na internet, esse texto reconhece a

importância da posição tomada pelo internauta leitor ao

  1. A)
    confiar nos contatos pessoais que transmitiram a informação.
  2. B)
    acompanhar e reproduzir o comportamento dos meios de comunicação.
  3. C)
    seguir as contas dos jornalistas nas diversas redes sociais existentes.
  4. D)
    excluir de seus contatos usuários que não confirmam a veracidade das notícias.
  5. E)
    pesquisar em diferentes mídias a veracidade das notícias que circulam na rede.

Questão 35

Harmonia do equilíbrio!

Cega dinâmica embaraçada entre linhas

De força magnética!

Em hélices seguindo e refletindo: dança de elétrons e prótons

Matéria-máter do mundo.

Poeira do sol, poeira do som, poeira de luz

Poeira!

Poeira da memória, da memória dos homens

Que irá se perder um dia no universo

— Cada átomo possui um número infinito de partículas

— Cada partícula um número infinito de partículas

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 35 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Num torvelinho de moídos corpos simples:

— Farinha de energias finíssimas e raras —

Selênio, Rubídio, Colúmbio, Germânio,

Samário, Rutênio, Paládio, Lutécio.

CARDOZO, J. Poemas selecionados. Recife: Bagaço, 1996 (fragmento).

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 35 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    propõe a ruptura com a racionalidade.
  2. B)
    configura um lirismo ausente de emotividade.
  3. C)
    extrai do repertório científico estética expressiva.
  4. D)
    sugere uma literatura a serviço da indústria emergente.
  5. E)
    revela o desencanto do eu lírico ante o contexto de guerra.

Questão 36

Duas castas de considerações fez de si para consigo o cauto Conselheiro. Primeiramente

foi saltar-lhe ao nariz a evidência de que ministro não visita empregado público, ainda que

in extremis, mesmo a uma braça, ou duas, acima do chapéu do amanuense mais bisonho.

Também não visita escritor enfermo por ser escritor, e por estar enfermo. Seriam trabalhos,

ambos, a que não se daria um ministro, nem sempre ocupado das cousas, altas ou baixas,

do Estado.

O tempo ministerial não se vai perdulariamente, não se faz em farinhas. Os titulares

esquivam-se até a suspirar, que os suspiros implicam o desperdício de minutos se o suspiro

é de minutos, além de permitirem ilações perigosas sobre a estabilidade do ministro, quando

não do próprio gabinete.

A segunda ponderação remeteu-o à certeza de que terminantemente chegavam ao cabo

seus dias; e de que as esperanças eram aéreas, atado agora à cama até que o encerrassem

na urna, como um voto eleitoral frio.

MARANHÃO, H. Memorial do fim: a morte de Machado de Assis. São Paulo: Marco Zero, 1991.

O texto relata o momento em que, no leito de morte, Machado de Assis recebe a

visita do Barão do Rio Branco, ministro de Estado. Criando a cena, o narrador obtém

expressividade ao

  1. A)
    representar com fidelidade os fatos históricos.
  2. B)
    caracterizar a situação com profundidade dramática.
  3. C)
    explorar a sensibilidade dos personagens envolvidos.
  4. D)
    assumir a perspectiva irônica e o estilo narrativo do personagem.
  5. E)
    recorrer a metáforas sutis e comparações de sentido filosófico.

Questão 37

Foi o caso que um homenzinho, recém-aparecido na cidade, veio à casa do Meu Amigo,

por questão de vida e morte, pedir providências. Meu Amigo sendo de vasto saber e pensar,

poeta, professor, ex-sargento de cavalaria e delegado de polícia. Por tudo, talvez, costumava

afirmar: — “A vida de um ser humano, entre outros seres humanos, é impossível. O que

vemos é apenas milagre; salvo melhor raciocínio.” Meu Amigo sendo fatalista.

Na data e hora, estava-se em seu fundo de quintal, exercitando ao alvo, com carabinas

e revólveres, revezadamente. Meu Amigo, a bom seguro que, no mundo, ninguém, jamais,

atirou quanto ele tão bem — no agudo da pontaria e rapidez em sacar arma; gastava nisso,

por dia, caixas de balas. Estava justamente especulando: — “Só quem entendia de tudo

eram os gregos. A vida tem poucas possibilidades”. Fatalista como uma louça, o Meu Amigo.

Sucedeu nesse comenos que o vieram chamar, que o homenzinho o procurava.

ROSA, J. G. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1967.

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 37 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    reflexão filosófica em torno da brevidade da vida.
  2. B)
    tensão progressiva ante a chegada do estranho.
  3. C)
    nota irônica do perfil intelectual do personagem.
  4. D)
    curiosidade natural despertada pelo anonimato.
  5. E)
    erudição sutil da alusão ao pensamento grego.

Questão 38

Os homens estavam tratando de negócios e eu fiquei longe pra não atrapalhar. Já

tinha ido com meu pai a muitos lugares e sabia que, quando ele queria falar de negócio,

não gostava que eu ficasse por perto pedindo isso e aquilo. O secos e molhados era

um mundo, enorme, eu me perdi lá dentro. Gostei de circular de um canto a outro [...].

Percebi que as vozes se alteravam e escutei a do meu pai apertada, mais baixa que as

outras. Não sei por que, em vez de ver o que estava acontecendo, me escondi atrás das

prateleiras e tentei ouvir o que eles diziam. Não entendi nada, mas pelo tom da conversa,

percebi que meu pai estava triste. [...] O dono do armazém, cigarro pendurado na boca,

sorriu, anotou qualquer coisa num saco de papel e enfiou a caneta sobre a orelha. Tinha

uma cara feia e, ao mesmo tempo, me deu raiva e dó dele. [...] Meu pai disse, “Vamos,

tá na hora”, e pagou a conta, a mercadoria não era boa, que ele compreendesse.

Saímos. Antes de chegar na Kombi, olhei de rabo de olho e vi, surpreso, que meu pai

estava chorando. Na hora eu achei que seria melhor não olhar, até procurei fingir, pra ele

se controlar. Eu senti que ele se envergonharia se eu percebesse. Andamos depressa, a

grande mão dele no meu ombro, num toque leve, um carinho resignado. Como quem não

quer nada, fiz que estava atento ao movimento das ruas, mas via a dor cobrindo o rosto dele

quando o sol cintilou seus olhos. CARRASCOZA, J. A. Aos 7 e aos 40. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

No texto, a relação entre os personagens adquire uma representação tensa, na perspectiva

do narrador-personagem, que reconhece a

  1. A)
    humilhação sofrida pelo pai na negociação.
  2. B)
    ameaça nas atitudes do dono do comércio.
  3. C)
    compaixão pelo comportamento paterno.
  4. D)
    tensão entre os homens do armazém.
  5. E)
    hierarquia entre adulto e criança.

Questão 39

Bondade fazia jus ao apelido. Não tinha pouso certo. Morava em lugar algum, a não ser

no coração de todos.

— Para que ter pouso certo? — dizia ele. — Homem devia ser que nem passarinho, ter

asas para voar. Já rodei. Já vivi favela e mais favela, já vivi debaixo de pontes, viadutos...

Já vivi matos e cidades. Já vaguei, vaguei... Muito tempo estou por aqui nesta favela. Aqui

é grande como uma cidade. Há tanto barraco para entrar, tanta gente para se gostar!

O tempo ia passando, Bondade ficando ali. Comia em casa de um, bebia em casa de outro.

Era amigo comum de dois ou mais inimigos. Não era traidor nem mediador também. Quando

chegava à casa de um, por mais que indagassem, por mais que futricassem, Bondade não

abria a boca. Desconversava, conversava, e a intriga morria logo. Vivia intensamente cada

lugar em que chegava. Cada casa, cada pessoa, cada miséria e grandeza a seu tempo

certo, no seu exato momento. EVARISTO, C. Becos da memória. Rio de Janeiro: Pallas, 2018.

No texto, o apelido dado ao personagem incorpora valores humanos relativos à sua

  1. A)
    generosidade em relação às demandas da comunidade onde vive.
  2. B)
    capacidade de desprendimento material e benevolência afetiva.
  3. C)
    experiência em ignorar as provocações de seus inimigos.
  4. D)
    coragem em assumir uma vida de solidão e privações.
  5. E)
    incapacidade de expressar emoções e sentimentos.

Questão 40

Saúde aprova implantação de 82 academias em praças públicas na PB

Setenta e oito municípios paraibanos deverão receber 82 unidades das Academias

da Saúde, que são espaços apropriados para a prática de atividades físicas.

Os equipamentos são montados ao ar livre, e a população tem orientação gratuita sobre o

uso dos aparelhos para se exercitar. A implantação das academias faz parte de um plano

de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis,

cuja meta é reduzir as mortes prematuras em 2% ao ano. O objetivo é alcançar melhorias

em indicadores relacionados ao tabagismo, ao álcool, ao sedentarismo, à alimentação

inadequada e à obesidade.

Disponível em: http://g1.globo.com. Acesso em: 11 nov. 2011 (adaptado).

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 40 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    reforça a necessidade de a atividade física ser orientada por um professor de educação física.
  2. B)
    considera a saúde de forma multifatorial, ou seja, resultante da interferência de diversos fatores.
  3. C)
    estabelece relação de causa-efeito entre atividade física e saúde, desconsiderando os condicionantes sociais.
  4. D)
    destaca a importância da atividade física como lazer para a sociedade brasileira.
  5. E)
    estabelece relações entre a prática de atividade física e a prevenção de doenças como a aids e a hepatite.

Questão 41

Muitas brincadeiras preservam sua estrutura inicial, outras modificam-se recebendo

novos conteúdos. A força de tais brincadeiras explica-se pelo poder da expressão oral.

Como manifestação livre e espontânea da cultura popular, a brincadeira tradicional tem a

função de perpetuar a cultura infantil, desenvolver formas de convivência social e permitir

o prazer de brincar.

KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1999.

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 41 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    jogo popular do pião e do bilboquê.
  2. B)
    jogo popular do queimado e o voleibol.
  3. C)
    brincadeira da amarelinha e a esgrima.
  4. D)
    brincadeira de esconde-esconde e o balé.
  5. E)
    jogo popular do taco e a ginástica artística.

Questão 42

Diante de uma fórmula consagrada, mas dando indícios de desgaste, a Federação

Internacional de Vôlei quis mudar. No calendário há quase três décadas, a Liga Mundial e

o Grand Prix deram origem à nova Liga das Nações. Mas, além das mudanças de formato,

a competição promete revolucionar a forma com que o esporte chega ao público e também

atende a um pedido antigo das mulheres: a igualdade na premiação. A competição dará

US$ 1 milhão para o campeão de cada gênero. Há algumas temporadas, as mulheres

contestavam a diferença na premiação. A nova Liga das Nações, no entanto, atende ao

pedido e iguala o valor recebido nos dois naipes. “Estamos compreendendo antes dos

demais o espaço das mulheres no esporte. Até então tínhamos a Liga Mundial masculina,

que pagava 1 milhão de dólares para o campeão, e o Grand Prix, que distribuía para a

campeã feminina US$ 350 mil. Já no ano passado, o prêmio do Grand Prix subiu para

US$ 600 mil. Com a criação da Liga das Nações, igualamos as premiações. Ao dar a

mesma premiação para os dois gêneros, estamos dizendo ao mundo inteiro que homens

e mulheres devem ter os mesmos direitos” — disse o presidente da FIVB. Disponível em: https://globoesporte.globo.com. Acesso em: 9 jun. 2018 (adaptado).

A modalidade esportiva apresentada no texto caracteriza-se por ser

  1. A)
    inovadora, ao equiparar a premiação para ambos os sexos.
  2. B)
    obsoleta, ao premiar homens e mulheres de forma desigual.
  3. C)
    reconhecida, ao manter o formato de seus eventos por décadas.
  4. D)
    desgastada, ao não atender a uma demanda do público espectador.
  5. E)
    conservadora, ao resistir à mudança do formato de seus eventos.

Questão 43

Dentre as músicas clássicas que tinham potencial para ganhar as ruas das grandes cidades

brasileiras, uma se destacou e acabou se transformando em um recado ao inconsciente

coletivo: se as notas ouvidas lá longe são a melodia Für Elise, interpretada ao piano, é um

caminhão vendendo gás que se aproxima. Essa história, que torna a obra do compositor alemão

Ludwig van Beethoven um meme nacional, começou quando as firmas de venda de gás

porta a porta queriam uma solução para substituir o barulho das buzinas e os gritos de

“Ó o gás”. Com o objetivo de diminuir a poluição sonora, a prefeitura de São Paulo promulgou

a Lei n. 11 016, em 1991, que institui que “Fica proibido o uso da buzina, pelos caminhões

de venda de gás engarrafado a domicílio, para anunciar a sua passagem pelas vias e

logradouros”. Entregadores de empresas de distribuição de gás recorreram a chips com

músicas livres de direitos autorais. No início, não era apenas Für Elise — notas de outros

temas clássicos também eram ouvidas. Mas a força da bagatela beethoveniana composta

em 1810 acabou se sobrepondo às demais e virou praticamente um símbolo. Disponível em: www.dw.com. Acesso em: 21 dez. 2020 (adaptado).

Ludwig van Beethoven (1770-1827) é mundialmente conhecido como um dos maiores

representantes da música de concerto do período romântico. A adoção de uma de suas

obras mais difundidas como anúncio de venda de gás engarrafado indica a

  1. A)
    utilização da música erudita como forma de educar a população em geral.
  2. B)
    manutenção da música europeia nos mais variados aspectos da cultura brasileira.
  3. C)
    contribuição que a obra do compositor alemão tem na diminuição da poluição sonora.
  4. D)
    modificação da função que uma obra artística pode sofrer em diferentes épocas e lugares.
  5. E)
    articulação entre o poder público e as empresas para contornar as limitações das leis de direito autoral.

Questão 44

TEXTO I

O homem atual está sacrificando conhecimentos profundos de qualidade em prol de

informações cada vez mais reduzidas, o que dá uma imagem incompleta do mundo em

que cremos viver. Por isso as numerosas notícias de hoje serão esquecidas amanhã,

uma vez que serão substituídas por outras numerosas notícias. Quanto mais informações

tem uma sociedade, um acúmulo excessivo, menos memória guardamos, o que diminui

sua profundidade histórica, e, por conseguinte, também a capacidade que se tem para

conduzi-la com as nossas próprias mãos. Disponível em: www.revistaesfinge.com.br. Acesso em: 13 out. 2021 (adaptado).

TEXTO II

Esc (Caverna digital)

O que Maria vê

Seu João não vê

Dentro de cada universo

Cada um enxerga e sente

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 44 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Bia num entendeu

Já tinha visto tanta coisa

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 44 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Digitalmente perdidos

Me faz lembrar nosso rumo

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 44 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Caverna digital

Ficamos inventando histórias

Uma ilusão perfeita do que era pra ser

Olho que tudo vê

Ela ele você SCALENE. Magnitite. São Paulo: Red Bull Studios, 2017 (fragmento).

Na comparação entre os dois textos, constata-se que a crítica comum a ambos refere-se ao(à)

  1. A)
    aversão ao controverso.
  2. B)
    incompreensão entre as pessoas.
  3. C)
    esvaziamento das relações sociais.
  4. D)
    distanciamento sistemático da realidade.
  5. E)
    incredulidade frente aos acontecimentos.

Questão 45

Conseguindo, porém, escapar à vigilância dos interessados, e depois de curtir uma noite,

a mais escura de sua vida, numa espécie de jaula com grades de ferro, Amaro, que só temia

regressar à “fazenda”, voltar ao seio da escravidão, estremeceu diante de um rio muito largo

e muito calmo, onde havia barcos vogando em todos os sentidos, à vela, outros deitando

fumaça, e lá cima, beirando a água, um morro alto, em ponta, varando as nuvens, como ele

nunca tinha visto...

[...] todo o conjunto da paisagem comunicava-lhe uma sensação tão forte de liberdade e

vida, que até lhe vinha vontade de chorar, mas chorar francamente, abertamente, na presença

dos outros, como se estivesse enlouquecendo... Aquele magnífico cenário gravara-se-lhe

na retina para toda a existência; nunca mais o havia de esquecer, oh! Nunca mais! Ele, o

escravo, “o negro fugido”, sentia-se verdadeiramente homem, igual aos outros homens,

feliz de o ser, grande como a natureza, em toda a pujança viril da sua mocidade, e tinha

pena, muita pena dos que ficavam na “fazenda” trabalhando, sem ganhar dinheiro, desde a

madrugadinha té... sabe Deus! CAMINHA, A. Bom Crioulo. São Paulo: Martin Claret, 2008.

A situação descrita no fragmento aproxima-o dos padrões estéticos do Naturalismo em

função da

  1. A)
    fragilidade emocional atribuída ao indivíduo oprimido.
  2. B)
    influência da paisagem sobre a capacidade de resiliência.
  3. C)
    impossibilidade de superação dos traumas da escravidão.
  4. D)
    correlação de causalidade entre força física e origem étnica.
  5. E)
    condição moral do indivíduo vinculada aos papéis de gênero.

Questão 46

Manuel Castells: “A rede é uma realidade generalizada para a vida cotidiana, as

empresas, o trabalho, a cultura, a política e os meios de comunicação. Entramos

plenamente numa sociedade digital (não o futuro, mas o presente) e teremos que

reexaminar tudo o que sabíamos sobre a sociedade industrial, porque estamos em

outro contexto”. FONTES, M. Manuel Castells: a comunicação em rede está revitalizando a democracia. Disponível em: www.fronteiras.com. Acesso em: 6 nov. 2021 (adaptado).

Que forma de representação do território brasileiro expressa espacialmente a concepção de

organização social apresentada no texto?

  1. A)
    Mapa da alternativa A da questão 46 do ENEM 2022.
  2. B)
    Mapa da alternativa B da questão 46 do ENEM 2022.
  3. C)
    Mapa da alternativa C da questão 46 do ENEM 2022.
  4. D)
    Mapa da alternativa D da questão 46 do ENEM 2022.
  5. E)
    Mapa da alternativa E da questão 46 do ENEM 2022.

Questão 47

“Pretuguês” é o termo cunhado por Lélia Gonzalez para se referir à tradição africana

presente na língua portuguesa falada no Brasil; a característica tonal e rítmica do português

seria uma herança das línguas dos povos africanos que vieram escravizados para o país. A

autora destaca que a presença do “r” no lugar do “l” (quando se diz “framengo”, por exemplo)

pode remeter à ausência da letra “l” em certos idiomas africanos do tronco linguístico bantu. BARTHOLOMEU, J. S. apud GONZALEZ, L. In: Enciclopédia de antropologia. São Paulo: USP. Disponível em: https://ea.fflch.usp.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

No Brasil, a tradição mencionada no texto foi responsável pela

  1. A)
    preservação do tráfico humano.
  2. B)
    ampliação do sistema migratório.
  3. C)
    diversidade do patrimônio cultural.
  4. D)
    variedade do conhecimento autóctone.
  5. E)
    multiplicidade do comércio estrangeiro.

Questão 48

O escravo tinha de prover diretamente ao senhor e a si próprio no ganho de rua. Do ganho

dependia inclusive sua chance de comprar a liberdade. O próprio ganho vinha muitas vezes

de fontes ocultas, do batuque, da capoeira, da adivinhação. Não eram poucos os escravos

que viviam de adivinhar, curar feitiço ou fabricar amuletos muçulmanos, ocupações lucrativas

que na Bahia favoreceram muitas alforrias. REIS, J. J. Greve negra de 1857 na Bahia. Revista USP, n. 18, 1993 (adaptado).

Conforme descritas no texto, algumas práticas culturais afro-brasileiras atuais surgiram em

nossa história como estratégias para

  1. A)
    denunciar a rigidez da estrutura social.
  2. B)
    expor a riqueza da herança africana.
  3. C)
    aproveitar as frestas do sistema vigente.
  4. D)
    contestar o preconceito da religião dominante.
  5. E)
    incorporar a disciplina do trabalho compulsório.

Questão 49

TEXTO I

A sociedade cultiva a violência, inculcando-a nos indivíduos como virtude do homem forte,

do homem corajoso, do homem honrado, que se arrisca a morrer para defender os “valores”

que dão sentido à sua vida. MULLER, J. M. O princípio da não violência: uma trajetória filosófica. São Paulo: Palas Athena, 2007.

TEXTO II

A ideia de a humanidade tomar seu destino nas próprias mãos somente faz sentido se

atribuirmos consciência e propósito à espécie; as espécies são apenas correntes na flutuação

aleatória dos genes. GRAY, J. Cachorros de palha: reflexões sobre humanos e outros animais. São Paulo: Record, 2002.

Os textos articulam argumentos em torno de dois modelos explicativos da condição humana.

Esses dois modelos caracterizam-se, respectivamente, por valorizar como determinantes

dessa condição elementos

  1. A)
    estéticos e éticos.
  2. B)
    místicos e científicos.
  3. C)
    culturais e biológicos.
  4. D)
    emocionais e racionais.
  5. E)
    voluntaristas e possibilistas.

Questão 50

Já em 1901, um dos primeiros levantamentos sobre a situação da indústria no estado

de São Paulo constata que as mulheres representavam cerca de 49,95% do operariado

têxtil, enquanto que as crianças respondiam por 22,79%. Em outras palavras, 72,74% dos

empregados têxteis eram mulheres e crianças. DEL PRIORE, M. (Org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2001 (adaptado).

Os dados apresentados indicam que o cotidiano do trabalho industrial no início do século

XX estava vinculado à

  1. A)
    ampliação da mão de obra fabril.
  2. B)
    limitação da jornada laboral.
  3. C)
    exigência de qualificação profissional.
  4. D)
    elevação da produtividade feminina.
  5. E)
    ausência de direitos sociais.

Questão 51

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 51 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 20 dez. 2021 (adaptado).

A ocorrência do recurso natural na área destacada está relacionada à

  1. A)
    ação de correntes marinhas na beira-mar.
  2. B)
    colisão de placas tectônicas na costa brasileira.
  3. C)
    temperatura elevada da água do Atlântico na região.
  4. D)
    presença de rochas de origem magmática no local.
  5. E)
    deposição de compostos orgânicos no leito oceânico.

Questão 52

O dólar fechou esta sexta-feira (15/10/21) cotado a R$ 5,45, em queda de 1,11%. Após

uma semana turbulenta, quando atingiu R$ 5,57 na quarta-feira (13) e forçou o Banco Central

a vender US$ 1 bilhão por instrumentos de mercado, a moeda norte-americana teve sua

maior queda em duas semanas, mas dá sinais de que vai seguir valorizado ante o real nos

próximos meses. Pesam nesse cenário de alta fatores políticos; o Risco País; alta dos juros

pressionando menos investimentos e as expectativas pessimistas do mercado para o futuro.

Alta do dólar: entenda o que mantém a cotação acima dos R$ 5. Disponível em: www.istoedinheiro.com.br. Acesso em: 3 out. 2021 (adaptado).

Para o Brasil, uma consequência gerada pelo cenário econômico exposto é o(a):

  1. A)
    Melhora na arrecadação de impostos do comércio.
  2. B)
    Crescimento da entrada de capital estrangeiro.
  3. C)
    Diminuição no poder de compra da população.
  4. D)
    Aumento nas importações de manufaturados.
  5. E)
    Redução no fluxo de entrada de turistas.

Questão 53

Em primeiro lugar, é preciso libertar-se do preconceito segundo o qual a filosofia é apenas

uma disciplina particular, apenas o trabalho de um círculo restrito de pessoas que dedicam

sua atividade a refletir e a indagar sobre certos tipos de problemas. A filosofia é isso também,

mas não só. Deve haver uma filosofia como ato existencial, que faz do homem um ente que

pergunta, duvida, teme e age para dominar o futuro.

ABBAGNANO, N. Introdução ao existencialismo. São Paulo: Martins Fontes, 2001 (adaptado).

De acordo com a corrente de pensamento do século XX da qual o texto trata, o tema

fundamental da filosofia é o(a)

  1. A)
    realidade humana, seu sentido e possibilidades.
  2. B)
    mundo físico, sua essência e leis reguladoras.
  3. C)
    lógica, suas inferências e estudos de validade.
  4. D)
    imaginação, seus objetos e contribuições.
  5. E)
    conhecimento, sua natureza e condições.

Questão 54

A abertura dos portos brasileiros em 1808 inaugurou a possibilidade, para viajantes

europeus de diversas nacionalidades, de percorrer áreas até então dificilmente acessíveis

à sua curiosidade. Os relatos de inúmeras expedições, a maioria de caráter científico, foram

publicados na Europa, para leitores ávidos de notícias sobre um Brasil até então desconhecido,

terra cujos segredos haviam sido velados por uma Coroa portuguesa ciumenta e possessiva.

DUARTE, R. H. Olhares estrangeiros: viajantes no vale do Rio Mucuri. Revista Brasileira de História, n. 44, 2002 (adaptado).

Os relatos de viagens ao Brasil, publicados na Europa, contribuíram para a construção da

identidade europeia na medida em que

  1. A)
    destacaram a exuberância da natureza tropical, elaborando uma visão heroica da conquista.
  2. B)
    defenderam a legitimidade da escravidão africana, aprovando-a como fator de humanização.
  3. C)
    enfatizaram o exotismo da sociedade colonial, contrapondo-a à ideia iluminista de civilização.
  4. D)
    analisaram a miscigenação dos grupos raciais, atribuindo um caráter positivo a esse processo.
  5. E)
    descreveram a diversidade das etnias indígenas, contribuindo para a preservação de suas culturas.

Questão 55

Em um placar acirrado (quatro votos a três), a Suprema Corte dos EUA decidiu que

a cota racial conquistada por negros(as) e latinos(as) para admissão de novos(as)

alunos(as) nas universidades não viola o princípio de igualdade perante a lei. Portanto,

não é inconstitucional, como foi alegado. Nos EUA, a cota racial é chamada de “ação

afirmativa”. MELO, J. O. Suprema Corte mantém cota racial para universidades dos EUA. Disponível em: www.conjur.com.br. Acesso em: 12 nov. 2021 (adaptado).

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 55 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.
  1. A)
    obtenção do perdão judicial.
  2. B)
    anulação das dívidas estudantis.
  3. C)
    aprovação dos cursos superiores.
  4. D)
    utilização dos recursos estrangeiros.
  5. E)
    promoção da diversidade acadêmica.

Questão 56

Os sujeitos sociais que procuram evidenciar a importância de uma relação lógica entre

injustiça social e degradação ambiental são aqueles que não confiam no mercado como

instrumento de superação da desigualdade ambiental e da promoção dos princípios do que

se entenderia por justiça ambiental. Esses atores consideram que há clara desigualdade

social na exposição aos riscos ambientais, decorrentes de uma lógica que extrapola a

simples racionalidade abstrata das tecnologias. ACSELRAD, H. Justiça ambiental e construção social do risco. Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 5, jan.-jun. 2002.

A desconfiança dos sujeitos sociais apresentada no texto se fundamenta na

  1. A)
    diversidade da cultura.
  2. B)
    capacidade de resiliência.
  3. C)
    complexidade do ecossistema.
  4. D)
    intencionalidade da rentabilidade.
  5. E)
    potencialidade da agropecuária.

Questão 57

As inovações no preparo do solo e na engenharia genética (variedades adaptadas ao

clima do Cerrado) permitiram incorporar o pacote técnico herdado da Revolução Verde a

um ambiente até então considerado hostil para a atividade. Dessa forma, o Cerrado apenas

foi incorporado à dinâmica do agronegócio na medida em que os processos produtivos

existentes não precisavam passar por modificações substanciais para serem reproduzidos

nesse novo ambiente. OLIVEIRA, V. L.; BÜHLER, È. A. Técnica e natureza no desenvolvimento do “agronegócio”. Caderno CRH, n. 77, maio-ago. 2016.

Essas inovações produtivas tiveram como consequência a:

  1. A)
    Expansão das áreas de cultivo.
  2. B)
    Manutenção da empregabilidade rural.
  3. C)
    Priorização da adubação orgânica.
  4. D)
    Preservação das nascentes de rios.
  5. E)
    Estagnação da mecanização agrícola.

Questão 58

A sociedade burguesa moderna, que surgiu do declínio da sociedade feudal, não aboliu

os antagonismos de classes. Não fez senão estabelecer novas classes, novas condições

de opressão, novas formas de luta em lugar das anteriores. Entretanto, a nossa época, a

época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. Toda

a sociedade está se dividindo, cada vez mais, em dois grandes campos hostis, em duas

grandes classes em confronto direto: a burguesia e o proletariado. MARX, K.; ENGELS, F. O manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Boitempo, 2010 (adaptado).

Típico de sociedades urbanas industriais, o conflito social apresentado no texto é uma

consequência da

  1. A)
    imposição de políticas neoliberais.
  2. B)
    exploração da propriedade privada.
  3. C)
    implantação da abertura comercial.
  4. D)
    repressão de movimentos sindicais.
  5. E)
    consolidação da democracia representativa.

Questão 59

Quando as elites de cada região do país procuraram estabelecer sua autonomia em

relação ao governo central, elas se confrontaram com o espectro de uma anarquia

social. Em uma sociedade escravocrata, a possibilidade de tal desordem ameaçava

tudo. Líderes locais apoderaram-se da legitimidade que a Monarquia oferecia como

uma tábua de salvação, e o Estado monárquico central que eles construíram os

trouxe à terra firme. Os vínculos que se seguiram entre as várias regiões levaram a

um sentimento de solidariedade. O Estado, portanto, fomentou a emergência de uma

nação única: o Brasil. GRAHAM, R. Construindo uma nação no Brasil do século XIX: visões novas e antigas sobre classe, cultura e Estado. Diálogos (UEM), n. 1, 2001 (adaptado).

A aliança entre as elites regionais e o Estado monárquico resultou na

  1. A)
    predominância do Partido Conservador.
  2. B)
    consolidação dos ideais republicanos.
  3. C)
    promoção da identidade brasileira.
  4. D)
    elaboração das leis abolicionistas.
  5. E)
    eclosão de revoltas regenciais.

Questão 60

Admirável chip novo

Pane no sistema

Alguém me desconfigurou

Aonde estão meus olhos de robô?

Eu não sabia, eu não tinha percebido

Eu sempre achei que era vivo

Parafuso e fluido em lugar de articulação

Até achava que aqui batia um coração

Nada é orgânico, é tudo programado

E eu achando que tinha me libertado

Mas lá vêm eles novamente

Eu sei o que vão fazer

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 60 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Leia, vote, não se esqueça

Use, seja, ouça, diga

Tenha, more, gaste, viva

Pense, fale, compre, beba

Leia, vote, não se esqueça

Use, seja, ouça, diga

Não, senhor, sim, senhor

Não, senhor, sim, senhor PITTY. In: Admirável chip novo. Salvador: Deckdisk, 2003 (fragmento).

Inspirada no livro Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, a letra da canção critica um

modelo de sociedade distópica caracterizada pela:

  1. A)
    Dependência tecnológica e ausência de autonomia individual.
  2. B)
    Hipossuficiência econômica e influência do aparato estatal.
  3. C)
    Corrupção política e manipulação de campanhas eleitorais.
  4. D)
    Degradação ecológica e deteriorização do meio ambiente.
  5. E)
    Motivação consumista e aquisição de bens supérfluos.

Questão 61

Houve uma rede de televisão brasileira que conseguiu, com ousadia e exclusividade, uma

entrevista com o presidente da Líbia, logo após o bombardeio de sua casa pela aviação

estadunidense, em 1986. Foi constrangedor para Kadafi e para os telespectadores ouvir

as perguntas: “O que o senhor sentiu quando percebeu o bombardeio? O que o senhor

sentiu quando viu sua família ameaçada? O que o senhor achou desse ato dos inimigos?”.

Nenhuma pergunta sobre o significado do atentado na política e na geopolítica do Oriente

Próximo; nenhuma indagação que permitisse furar o bloqueio das informações a que as

agências noticiosas estadunidenses submetem a Líbia. CHAUÍ, M. Simulacro e poder: uma análise da mídia. In: A ideologia da competência. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.

O argumento levantado no texto é uma crítica ao papel da imprensa brasileira por

  1. A)
    problematizar a narrativa dos acontecimentos históricos.
  2. B)
    dissimular a parcialidade dos conteúdos midiáticos.
  3. C)
    defender o partidarismo dos relatos jornalísticos.
  4. D)
    julgar a visão autoritária dos discursos oficiais.
  5. E)
    explorar a lógica bipolar dos eventos globais.

Questão 62

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 62 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

A intencionalidade geopolítica agregada ao símbolo da Organização das Nações Unidas

ocorre porque a imagem

  1. A)
    inverte a localização dos países no globo.
  2. B)
    centraliza a posição dos países do norte.
  3. C)
    reduz a escala no traçado dos países periféricos.
  4. D)
    ignora a existência de continentes meridionais.
  5. E)
    apresenta uma continuidade entre as porções continentais.

Questão 63

Apesar de derrotado na Batalha do Jenipapo, o exército de sertanejos libertou três

províncias nordestinas. Esse confronto foi dos mais violentos, embora tenha ocorrido em

um único dia — 13 de março de 1823. A batalha foi o resultado de embates entre o poder

português e a população sertaneja piauiense, cearense e maranhense de todas as classes

sociais, que formaram uma multidão de voluntários armados de instrumentos como facões,

enxadas, foices, machados. DIAS, C. M. M. Entre foices e facões. Revista de História, n. 70, jul. 2011 (adaptado).

No processo de construção do Estado nacional, esse conflito oferece um contraponto à

narrativa focada em D. Pedro ao evidenciar o(a)

  1. A)
    vigor do legado patrimonialista.
  2. B)
    imposição da solução republicana.
  3. C)
    deficiência das tropas metropolitanas.
  4. D)
    protagonismo da resistência autônoma.
  5. E)
    continuidade das contradições políticas.

Questão 64

O testemunho nunca é um relato exato do que aconteceu. Na verdade, ao expor seu

passado, o sujeito está sempre procedendo a uma reelaboração pela qual memórias tidas

como negativas podem, consciente ou inconscientemente, ser esquecidas. Em certos

momentos, simplesmente para seguir em frente, é preciso esquecer. VASCONCELOS, C. B. As análises da memória: balanço e possibilidades. Estudos Históricos, n. 43, jan.-jun. 2009 (adaptado).

O texto ressalta um aspecto fundamental da produção de memória ao identificá-la como

  1. A)
    constituída de intuições do narrador.
  2. B)
    dissociada do contexto de surgimento.
  3. C)
    marcada pela seletividade das lembranças.
  4. D)
    caracterizada pela uniformidade dos relatos.
  5. E)
    resultado do compartilhamento das vivências.

Questão 65

O equilíbrio ecológico e social do caipira se estabeleceu em função do que poderíamos

qualificar de condições primitivas do meio: terra virgem de fácil amanho, abundância da

caça, pesca e coleta, fraca densidade demográfica, limitando a concorrência vital. Quando,

apesar disto, um determinado meio se exauria (relativamente aos seus precários recursos

técnicos, é claro, não em absoluto), ele corrigia a situação pela mobilidade. A mobilidade

recria o meio, permitindo as condições desejadas; e deste modo garante o equilíbrio. CANDIDO, A. Os parceiros do Rio Bonito. São Paulo: Duas Cidades, 1971.

A construção do sujeito histórico mencionado pelo autor problematiza a relação entre

  1. A)
    agricultura familiar e dinamização do mercado local.
  2. B)
    comunidades autônomas e garantia de direitos sociais.
  3. C)
    cultivos itinerantes e disponibilidade de riquezas naturais.
  4. D)
    cercamento de latifúndios e proletarização de setores camponeses.
  5. E)
    condições de competitividade e ampliação da agroindústria moderna.

Questão 66

Enquanto as tecnologias avançadas são desenvolvidas nos centros de poder, as reservas

naturais estão localizadas nos países periféricos, ou em áreas não regulamentadas

juridicamente. Esta é, pois, a base da disputa.

Há três grandes eldorados naturais no mundo contemporâneo: a Antártida, que é um

espaço dividido entre as grandes potências; os fundos marinhos, riquíssimos em minerais

e vegetais, que são espaços não regulamentados juridicamente; e a Amazônia, região que

está sob a soberania de estados nacionais, entre eles o Brasil. BECKER, B. K. Geopolítica da Amazônia. Estudos Avançados, n. 53, 2005.

Um problema geopolítico contemporâneo que está em pauta na situação descrita no

texto é o(a)

  1. A)
    gestão e controle de territórios.
  2. B)
    definição e normatização de fronteiras.
  3. C)
    formação e consolidação de acordos militares.
  4. D)
    assentamento e expansão de núcleos populacionais.
  5. E)
    planejamento e implantação de blocos econômicos.

Questão 67

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 67 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

STUCKERT, R. Disponível em: www.metrojornal.com.br. Acesso em: 2 ago. 2019.

Na imagem, está registrada a estratégia de atuação de um tipo de movimento social urbano.

Considerando-se os direitos constitucionais, essa estratégia ressalta a necessidade de

adoção de medidas governamentais que promovam o(a)

  1. A)
    controle de fluxos emigratórios.
  2. B)
    acesso a moradias adequadas.
  3. C)
    dissolução da propriedade privada.
  4. D)
    descentralização de espaços de lazer.
  5. E)
    restrição ao processo de verticalização.

Questão 68

São Nicolau, bispo de Mira, viveu no século IV e ficou conhecido como santo protetor

das crianças. Na Idade Média, no dia 6 de dezembro, dia de São Nicolau, em Flandres,

na Lorena e nos Países Baixos, um menino com uma barba branca e fantasiado de bispo

passeava carregando presentes para as crianças. O nome holandês do santo, Sinter Klass,

foi importado para a América pelos imigrantes, transformando-se em Santa Claus. Papai

Noel é o que restou de São Nicolau, ou melhor, o que restava antes da transformação

operada pela publicidade, que o representou de calças vermelhas, e não mais com a roupa

longa “de bispo”. FRUGONI, C. Invenções da Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 2007 (adaptado).

De acordo com o texto, na produção e circulação da tradição cultural e religiosa descrita,

são mobilizados elementos de natureza

  1. A)
    literária e ética.
  2. B)
    histórica e midiática.
  3. C)
    botânica e universal.
  4. D)
    científica e astrológica.
  5. E)
    etnográfica e astronômica.

Questão 69

A um príncipe, portanto, não é necessário ter de fato todas as qualidades, mas é

indispensável parecer tê-las. Aliás, ousarei dizer que, se as tiver e utilizar sempre, serão

danosas, enquanto, se parecer tê-las, serão úteis. Assim, deves parecer clemente, fiel,

humano, íntegro, religioso — e sê-lo, mas com a condição de estares com o ânimo disposto

a, quando necessário, não o seres, de modo que possas e saibas como tornar-te o contrário. MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 2004 (adaptado).

Segundo o autor, a conquista e a conservação do poder político exigem a

  1. A)
    flexibilidade moral do monarca.
  2. B)
    retomada dos valores cristãos.
  3. C)
    consulta periódica dos cidadãos.
  4. D)
    adoção do imperativo categórico.
  5. E)
    liberdade incondicional do estadista.

Questão 70

Se por um lado podemos falar de certa “influência” do feminismo nas organizações

de esquerda armada a partir da admissão das mulheres nessas organizações, e de sua

efetiva participação, muitas vezes de armas na mão, nos eventos, além de sua prisão,

tortura e desaparecimento, por outro lado, a impressão que temos ao ler os relatos ou

ouvir os testemunhos das pessoas entrevistadas é que uma “consciência feminista”

apenas se deu nessas mulheres num momento posterior. Como se o contato com os

movimentos e literatura feministas no exílio ou após 1975, com o Ano da Mulher instituído

pela Organização das Nações Unidas, desse a tais mulheres palavras para expressar

o que antes seria um sentimento difuso diante daquilo que lhes acontecia no cotidiano.

WOLFF, C. S. Feminismo e configurações de gênero na guerrilha: perspectivas comparativas no Cone Sul, 1968-1985. Revista Brasileira de História, n. 54, 2007.

Para as mulheres apresentadas no texto, a reflexão sobre a perspectiva feminista

proporcionou o(a)

  1. A)
    desvalorização de suas demandas na resistência.
  2. B)
    direcionamento da ação militante contra a violência doméstica.
  3. C)
    enfraquecimento da atuação nos movimentos subversivos.
  4. D)
    ressignificação da memória acerca do engajamento político.
  5. E)
    limitação da participação das trabalhadoras em manifestações.

Questão 71

Diversas regiões do atual estado de Minas Gerais, onde não foram encontrados metais

preciosos em quantidade significativa, acabaram sendo ocupadas de forma mais lenta ao

longo dos séculos XVIII e XIX. Esse é o caso da Zona da Mata, que correspondia à porção

sudeste da capitania, coberta por uma densa vegetação de Mata Atlântica então existente. SOARES, J. M. Cartografia e ocupação do território: a Zona da Mata mineira no século XVIII e início do século XIX. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

O texto indica que a velocidade de ocupação do atual estado de Minas Gerais nos séculos

XVIII e XIX foi determinada por qual aspecto natural?

  1. A)
    Padrão climático.
  2. B)
    Recursos minerais.
  3. C)
    Redes hidrográficas.
  4. D)
    Diversidade biológica.
  5. E)
    Composição pedológica.

Questão 72

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 72 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

A capa do jornal A Vóz da Raça, da década de 1930, apresenta que o objetivo da Frente

Negra Brasileira era:

  1. A)
    Restringir as religiosidades.
  2. B)
    Padronizar as manifestações.
  3. C)
    Ressignificar o socialismo.
  4. D)
    Combater as discriminações.
  5. E)
    Publicizar o totalitarismo.

Questão 73

Uma mancha esverdeada se destaca na paisagem ondulada dos arredores de Poções,

pequeno município no Semiárido baiano. Ali, a profusão de cactos e árvores da Caatinga

contrasta com a pastagem e os solos nus do entorno. O responsável pelo “oásis” é o

engenheiro aposentado Nelson Araújo Filho, de 66 anos. “Quando comecei aqui, o solo

era compactado e não produzia nada”. Sentado à sombra de um umbuzeiro, Araújo conta

que por muitos anos aquela área, que pertence a seu pai, abrigou roças de milho e aipim.

Depois, virou pasto para gado. Mas os anos de uso esgotaram o solo e o deixaram em vias

de virar deserto — fenômeno que atinge cerca de 13% das terras do Semiárido brasileiro.

Araújo começou a reverter o processo há três anos com a implantação de um sistema

agroflorestal em 1,8 hectare, espaço equivalente a dois campos de futebol. A técnica, que

tem sido adotada em várias regiões brasileiras e do mundo, se espelha no funcionamento

dos ecossistemas originais de cada região.

FELLET, J.; LIMA, F. Agricultores transformam deserto em floresta no Semiárido. Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado).

A iniciativa de uso agrícola do solo descrita no texto promove a

  1. A)
    inversão de equilíbrio ecológico.
  2. B)
    preservação de cultivos orgânicos.
  3. C)
    recuperação de biomas degradados.
  4. D)
    expansão de métodos mecanizados.
  5. E)
    recomposição de lavouras itinerantes.

Questão 74

Pensar o corpo como algo produzido pela cultura é, simultaneamente, um desafio e uma

necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o

qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. Uma necessidade

porque, ao desnaturalizá-lo, revela, sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que

um dado natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma construção

sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas

econômicas, grupos sociais e étnicos. LOURO, G. L.; FELIPE, J.; GOELLNER, S. V. (Org.). Corpo, gênero e sexualidade: um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2013 (adaptado).

A que valor da contemporaneidade o entendimento sobre o corpo expresso no texto é

correlato?

  1. A)
    Individualidade.
  2. B)
    Fraternidade.
  3. C)
    Diversidade.
  4. D)
    Igualdade.
  5. E)
    Liberdade.

Questão 75

O povo alimentava-se de peixe fresco, pegado diariamente pelos múltiplos e engenhosos

processos recebidos dos indígenas, ou salgado, como o pirarucu, a tainha e o peixe-boi;

de tartaruga, mais abundante à medida que se caminhava para o oeste, ou porque assim

estivesse distribuída originariamente, ou por se não ter adiantado tanto por aquelas bandas

a obra de devastação. ABREU, C. Capítulos de história colonial. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisa Social, 2009 (adaptado).

De acordo com o texto, durante a ocupação da Amazônia no século XVIII, a dieta alimentar

dos moradores de povoados dependia da

  1. A)
    criação de gado bovino.
  2. B)
    utilização de técnicas nativas.
  3. C)
    introdução do transporte fluvial.
  4. D)
    extração de produtos florestais.
  5. E)
    exploração do trabalho escravo.

Questão 76

TEXTO I

A “Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio”, de Barbalha (CE), constitui-se de

elementos históricos que congregam cultura e natureza. Trata-se de uma manifestação de

cultura popular, expressa em décadas de tradição, por meio da devoção ao santo padroeiro

e ao simbolismo da árvore, cujo caule é conduzido nos ombros dos devotos e hasteado em

frente à matriz do santo, abrindo os festejos do padroeiro da cidade.

O significado dos rituais do “Pau da Bandeira” se expressa na tradução da fé, como objeto

sagrado e indispensável à realização da festa. O conhecimento das áreas de florestas que

subsidiam o caule que serve de mastro para o carregamento e hasteamento da bandeira de

Santo Antônio de Barbalha é de fundamental importância para elaboração de políticas que

objetivem a sustentabilidade da natureza e da tradição. Disponível em: https://barbalha.ce.gov.br. Acesso em: 15 out. 2021.

TEXTO II

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 76 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

Reunindo natureza e cultura, a festividade descrita no texto e presente na imagem associa

o patrimônio religioso aos(às):

  1. A)
    Biomas degradados.
  2. B)
    Explorações agrícolas.
  3. C)
    Ecossistemas intocados.
  4. D)
    Condições geoambientais.
  5. E)
    Circunstâncias climáticas.

Questão 77

A velha potência de morte em que se simbolizava o poder soberano é agora,

cuidadosamente, recoberta pela administração dos corpos. Aparecimento, também, nos

terrenos das práticas políticas e observações econômicas, dos problemas de natalidade,

longevidade, saúde pública, habitação e migração. FOUCAULT, M. História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988 (adaptado).

O texto aponta para a emergência, a partir de meados do século XIX, de um novo tipo de

gestão da sociedade ocidental, centrado na

  1. A)
    ordenação calculista das vidas.
  2. B)
    exposição ostensiva das punições.
  3. C)
    distribuição igualitária das riquezas.
  4. D)
    supressão estratégica das fronteiras.
  5. E)
    espacialização controlada das classes.

Questão 78

De Seattle a Porto Alegre, contramovimentos espontâneos estariam emergindo

pragmaticamente na esteira da nova onda de mercantilização causada pela globalização.

Assim, somados, o aumento da feminilização, as diferentes formas de flexibilização

e o aumento da informalidade verificados em escala global serviriam para aproximar

objetivamente os interesses do proletariado do norte e sul globalizados, possibilitando uma

retomada do processo de internacionalização das práticas solidárias. BRAGA, R. A rebeldia do precariado: trabalho e neoliberalismo no sul global. São Paulo: Boitempo, 2017 (adaptado).

A unificação da pauta dos movimentos sociais internacionais, descrita no texto, tem como

principal objetivo:

  1. A)
    Denunciar o tráfico de pessoas.
  2. B)
    Contestar a corrida armamentista.
  3. C)
    Condenar a degradação ambiental.
  4. D)
    Desaprovar o comércio transnacional.
  5. E)
    Combater a precarização do emprego.

Questão 79

O volume anual de população que se incorporará à faixa de 65 anos e mais aumentará

continuamente. Em média, anualmente, o acréscimo será, talvez, de mais de 550 mil idosos,

no primeiro quartel do século XXI, e superará a casa de um milhão, entre 2025 e 2050. CARVALHO, J. A. M.; RODRIGUEZ-WRONG, L. A transição da estrutura etária da população brasileira na primeira metade do século XXI. Cad. Saúde Pública, n. 3, mar. 2008 (adaptado).

A dinâmica demográfica descrita resulta no processo de expansão do(a)

  1. A)
    topo da pirâmide etária.
  2. B)
    taxa de fecundidade anual.
  3. C)
    nível de mortalidade infantil.
  4. D)
    índice de desemprego estrutural.
  5. E)
    política de controle da natalidade.

Questão 80

A história conheceu dois grandes títulos para governar os homens: um que se deve à filiação

humana ou divina, ou seja, a superioridade no nascimento; e outro que se deve à organização das

atividades produtoras e reprodutoras da sociedade, ou seja, o poder da riqueza. As sociedades

são habitualmente governadas por uma combinação desses dois títulos. RANCIÈRE, J. O ódio à democracia. São Paulo: Boitempo, 2014.

O texto evoca duas explicações acerca da legitimidade do governo nas sociedades ocidentais.

Na história recente das democracias, o fenômeno que resulta da combinação mencionada

aponta a presença de

  1. A)
    burocracias dos órgãos estatais.
  2. B)
    corrupção nas práticas eleitorais.
  3. C)
    oligarquias nas casas legislativas.
  4. D)
    degradação nas estruturas fiscais.
  5. E)
    fortalecimento das siglas partidárias.

Questão 81

TEXTO I

Acresce que o negócio açucareiro, além de exigir capitais enormes, que excediam às

possibilidades da gente comum, só admitia uns poucos trabalhadores especializados entre

a classe de senhores e a massa escrava. A própria rigidez da disciplina de trabalho no

engenho devia torná-lo insuportável para o trabalhador livre e, mais ainda, para gente afeita

à vida aventurosa e vadia dos vilarejos.

TEXTO II

As atividades pastoris, nas condições climáticas dos sertões cobertos de pastos pobres e

com extensas áreas sujeitas a secas periódicas, conformaram não só a vida mas a própria

figura do homem e do gado. Um e outro diminuíram de estatura, tornaram-se ossudos e

secos de carnes. Assim associados, multiplicando-se juntos, o gado e os homens foram

penetrando terra adentro, até ocupar, ao fim de três séculos, quase todo o sertão. RIBEIRO, D. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

O antropólogo Darcy Ribeiro, em sua análise sobre a formação do povo brasileiro, enfatiza

o papel condicionante exercido pela dicotomia entre

  1. A)
    manufatura e comércio na estrutura econômica.
  2. B)
    litoral e interior na organização produtiva.
  3. C)
    nativos e reinóis na hierarquia laboral.
  4. D)
    urbano e rural no espaço colonial.
  5. E)
    safra e pousio no uso do solo.

Questão 82

A mobilidade urbana constitui-se em um tema fundamental quando se discute

desenvolvimento urbano e qualidade de vida da população. As condições de deslocamentos

das pessoas e das mercadorias nos centros urbanos impactam toda a sociedade pela

geração de externalidades negativas, como acidentes, poluição e congestionamentos,

afetando especialmente a vida dos mais pobres, que geralmente moram em regiões mais

distantes das oportunidades urbanas. CARVALHO, C. H. R. Mobilidade urbana: avanços, desafios e perspectivas. In: COSTA, M. A. (Org.). O estatuto da cidade e a Habitat III. Brasília: Ipea, 2016.

Para minimizar essa problemática apresentada no texto, deve-se incentivar a

  1. A)
    habitação em locais periféricos.
  2. B)
    ocupação de áreas subutilizadas.
  3. C)
    utilização de veículos individuais.
  4. D)
    construção de estacionamentos em vias públicas.
  5. E)
    concentração de empregos em zonas centrais.

Questão 83

Na década de 1960, o governo Goulart tentara, de uma só vez, realizar um conjunto

de “ajustes” políticos e sociais com a finalidade de incluir na Nação oficial, e na própria

Constituição Federal, uma série de grupos que, em parte, a política e a história haviam

deixado para trás, e que a nova conjuntura brasileira e internacional fazia emergir. DAHÁS, N. O discurso da central hoje. Disponível em: www.revistadehistoria.com.br. Acesso em: 29 out. 2015.

Na conjuntura histórica abordada no texto, surgiu como protagonista no campo político o

grupo social dos

  1. A)
    empresários industriais.
  2. B)
    trabalhadores rurais.
  3. C)
    oligarcas regionais.
  4. D)
    profissionais liberais.
  5. E)
    religiosos católicos.

Questão 84

Nações se comprometeram a reduzir as emissões de carbono para reduzir o aquecimento

global na 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças

Climáticas (COP-3), realizada em 1997, em Kyoto, Japão. Na ocasião, foi assinado

o Protocolo de Kyoto, que criou a possibilidade de um país compensar suas emissões

comprando créditos de outras nações. Esses créditos são gerados por ações que reduzem

a quantidade de gases causadores do efeito estufa na atmosfera, como a recuperação de

áreas degradadas de floresta.

Uma empresa ou uma organização não governamental que recupera determinada área

pode calcular a quantidade de CO2 que ela retirou da atmosfera e vender esse crédito a

empresário da pecuária que precisa compensar emissões. O mesmo vale para um país

que mede o conjunto de suas emissões e as balanceia com captura de CO2 ou compra de

créditos. O que é carbono neutro e por que você deve se preocupar com isso. Disponível em: www.cnnbrasil.com.br. Acesso em: 8 nov. 2021 (adaptado).

Para os mecanismos de uso do espaço geográfico, o sistema compensatório descrito

representa um processo econômico que proporciona a

  1. A)
    formação de cartéis.
  2. B)
    criação de monopólio.
  3. C)
    supressão da poluição.
  4. D)
    legalização de territórios.
  5. E)
    mercantilização da natureza.

Questão 85

A morte de um homem negro em Minnesota, nos Estados Unidos, causou uma onda de

indignação depois da divulgação de um vídeo que mostra um policial branco ajoelhado

no pescoço dele. Nas imagens, o homem, identificado como George Floyd, de 40 anos,

reclama e diz repetidamente: “Não consigo respirar”. Caso George Floyd: morte de homem negro filmado com policial branco com joelhos em seu pescoço causa indignação nos EUA. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 11 nov. 2021 (adaptado).

Esse acontecimento motivou uma série de movimentos organizados de pressão por ações

governamentais de combate à

  1. A)
    pobreza extrema.
  2. B)
    prática xenofóbica.
  3. C)
    intolerância política.
  4. D)
    discriminação racial.
  5. E)
    segregação religiosa.

Questão 86

TEXTO I

Em suma, todos os elementos apresentados levam a encarar um banco central

independente como um arranjo capaz de isolar a política monetária da política.

O banco central é posto como uma entidade apolítica, com o alvo único de manutenção

da estabilidade de preços, dado que possui maior aversão à inflação que a média da

sociedade. A delegação da responsabilidade da formulação da política monetária a

um banco central independente significa que o governo abre mão de um conjunto de

instrumentos sob o qual a estabilidade de preços poderia ser sacrificada em detrimento

de outros alvos. GODIN. P. R. Prós e contras da autonomia do Banco Central. Disponível em: www.uninter.com. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

TEXTO II

Surgiu um grande debate nos últimos dias por conta da votação sobre a autonomia do

Banco Central. Essa autonomia já vem sendo pensada há algum tempo, mas agora foi

votada. A ideia central, segundo defensores, é “blindar” o Bacen de ser capturado pelos

interesses governamentais. Além disso, para os defensores, essa autonomia é fundamental

para melhorar o investimento externo e a percepção do que é feito dentro do Brasil, pois

pode ajudar a controlar a inflação. Entretanto, esse argumento pode ser questionável já

que, independentemente de o Bacen ter uma atuação mais ou menos conservadora, não

significa necessariamente que não prejudicará os trabalhadores, as políticas de emprego e

renda e de crédito mais acessível. Isso ocorre pois o que é bom para o mercado financeiro

não necessariamente será bom para o restante da população. BORGES, Y. F. F. Independência do Banco Central: teoria e prática. Disponível em: https://sapientia.pucsp.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

Os textos, mesmo apresentando distintos pontos de vista, se fundamentam na seguinte

característica de um Banco Central autônomo/independente:

  1. A)
    Fonte dos recursos.
  2. B)
    Objetivo das decisões.
  3. C)
    Origem dos mandatos.
  4. D)
    Legitimidade das ações.
  5. E)
    Composição dos cargos.

Questão 87

Ao longo da história, os movimentos sociais são produtores de novos valores e objetivos,

criando novas normas para organizar a vida social. Os movimentos sociais exercem o

contrapoder construindo-se mediante um processo de comunicação autônoma, livre do

controle dos que detêm o poder institucional. CASTELLS, M. Redes da indignação e esperança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2013 (adaptado).

O contrapoder indicado no texto se expressa na

  1. A)
    adoção de éticas horizontais.
  2. B)
    rejeição de dissidências morais.
  3. C)
    negação de estratégias coletivas.
  4. D)
    promoção de descrenças axiológicas.
  5. E)
    incorporação de convenções estatais.

Questão 88

Há quinze anos, a média de cana cortada era de seis toneladas por trabalhador por dia.

Hoje, os trabalhadores cortam dez toneladas. Intensificou-se o ritmo da jornada de trabalho

para que o trabalhador seja competitivo. A referência dele passou a ser a máquina. As usinas,

para terem um trabalhador com esse perfil, não podem tratar-lhes como os migrantes de

antigamente. Ele precisa de uma comida especial. Então, melhorou o padrão de alimentação.

Precisa de descanso especial, por isso os alojamentos foram melhorados. O paradoxo no mundo do trabalho. Disponível em: http://amaivos.uol.com.br. Acesso em: 19 maio 2013 (adaptado).

Na perspectiva apresentada no texto, as melhorias das condições de vida do trabalhador

são explicadas pelo(a)

  1. A)
    distribuição equitativa de terras.
  2. B)
    incremento da oferta de emprego.
  3. C)
    demanda de elevada qualificação.
  4. D)
    exigência crescente de produtividade.
  5. E)
    aperfeiçoamento do marco normativo.

Questão 89

O mundo da produção material e do trabalho na contemporaneidade é cada vez mais

marcado pela especialização flexível, isto é, pela assimilação da tecnologia da informação

à atividade produtiva e pela adaptação da força de trabalho a essas novas circunstâncias.

A flexibilidade possibilita a satisfação das demandas de grupos de consumidores cada vez

mais diferenciados no mercado de massa. A reorganização produtiva do capitalismo permite

diversificar produtos para nichos de mercado cada vez mais específicos. FRIDMAN, L. C. Vertigens pós-modernas: configurações institucionais contemporâneas. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000 (adaptado).

Sobre a flexibilidade, o ponto de vista apresentado no texto tem como fundamento uma

  1. A)
    concepção culturalista das adaptações promovidas na contemporaneidade.
  2. B)
    compreensão funcionalista do desenvolvimento tecnológico no trabalho.
  3. C)
    interpretação determinista dos modelos organizacionais capitalistas.
  4. D)
    reflexão marxista da transformação do trabalhador em especialista.
  5. E)
    percepção positivista da dinâmica do consumo segmentado em nichos.

Questão 90

Trecho original com figura, tabela ou fórmula da questão 90 do ENEM 2022 - 1º Dia – Caderno 3 – Branco (Ampliada) – Reaplicação/PPL.

A charge, publicada em 1907, concorda com a ação do Estado ao considerar,

preconceituosamente, determinada ocupação do espaço urbano como um

  1. A)
    risco à saúde e à moral pública.
  2. B)
    foco de instabilidade e agitação política.
  3. C)
    perigo à segurança e à unidade nacional.
  4. D)
    abrigo de escravos e condenados foragidos.
  5. E)
    reduto de intolerância e perseguição religiosa.

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